Proposta de órgão de proteção inicia Cúpula dos Oceanos

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Proposta de criação de uma organização para regular a questão dos mares foi o foco do primeiro dia da Cúpula dos Oceanos, que teve início ontem.

Fonte: EFE.

imagem dos oceanos em matéria sobre o início da cúpula dos oceanos 2014

Oceano: líderes mundiais alertaram sobre a rápida degradação desse ecossistema (foto: Getty Images)

Washington – A proposta de criação de uma organização internacional no âmbito da ONU para regular a questão dos mares foi o foco do primeiro dia da Cúpula dos Oceanos, que começou nesta terça-feira nos Estados Unidos, onde líderes mundiais alertaram sobre a rápida degradação desse ecossistema e a crescente pressão para explorar ainda mais seus recursos.

“Certamente necessitamos de um marco global de algum tipo no qual os povos se unam e concordem em cooperar. Mas não necessitamos apenas de normas, necessitamos de um processo regulador para fazer com que elas sejam cumpridas”, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, por videoconferência durante a abertura da cúpula.

A reunião, promovida pela revista “The Economist” e a “National Geographic”, começou hoje nos arredores de San Francisco (EUA) com o discurso de Kerry, que disse que o presidente Barack Obama é favorável à criação de uma organização no âmbito das Nações Unidas que seja encarregada de regular os mares.

“Temos que montar um esforço político muito importante. Será necessária uma enorme cooperação internacional. Temos que convocar a cooperação global para que possamos tomar as medidas necessárias para proteger os oceanos para as gerações futuras”, disse Kerry em outro momento de seu discurso.

Por sua parte, o ex-líder trabalhista britânico David Miliband, co-presidente da Comissão Global dos Oceanos, criada em 2013 para lutar contra a degradação dos mares, afirmou que a comunidade internacional tem que estar de acordo sobre os objetivos de uma hipotética “Organização Mundial dos Oceanos”.

“A principal questão de se quer criar uma organização mundial dos oceanos é saber quais os problemas que estaremos tentando resolver e o que queremos fazer com ela”, disse Miliband durante parte de seu discurso na conferência.

Kerry destacou que quase 1 bilhão de pessoas dependem diariamente da pesca e a indústria pesqueira no mundo todo movimenta cerca de US$ 500 bilhões por ano, dos quais US$ 115 bilhões em vendas apenas nos Estados Unidos.

O príncipe Charles da Inglaterra, que participou da conferência através de uma mensagem de vídeo, também enfatizou o valor econômico dos oceanos.

“Os oceanos proporcionam uma riqueza enorme e sustentam uma grande parte de nossa economia global”, disse o herdeiro do trono britânico.

O príncipe Charles acrescentou que o desenvolvimento sustentável dos oceanos é possível e que a pesca sustentável é mais rentável.

Neste sentido, a comissária para Assuntos Marítimos e Pesca da Comissão Europeia, Maria Damanaki, afirmou hoje na conferência que a nova política pesqueira da União Europeia respeita a sustentabilidade da pesca e que essa atividade em águas internacionais só é possível se for sustentável.

Mas Kerry assinalou que não só a superexploração pesqueira ameaça a sobrevivência dos oceanos, mas a mudança climática e a poluição também estão transformando grandes áreas dos oceanos em zonas mortas.

“Os oceanos estão em dificuldades”, disse Kerry.

“A segunda maior ameaça que os nossos oceanos enfrentam é a poluição recorde que afeta nossos mares. Os detritos, o lixo, mas também poluentes, como nitrogênio, fósforo e outros nutrientes” que são utilizados na agroindústria de todo o mundo como adubos.

O resultado são 500 regiões em todos os oceanos do mundo nas quais a vida marinha não pode existir, acrescentou Kerry.

Alguns números divulgados durante o primeiro dia da conferência oceânica demonstram a magnitude do problema.

Apenas um de cada 500 navios são revisados para comprovar que cumprem com os requisitos de emissões de sulfureto e, entre os que passam pela revisão, somente 50% cumprem com as normas.

Por sua parte, Michael Lodge, diretor legal da Autoridade Internacional do Leito Submarino, comentou que na atualidade uma superfície equivalente ao tamanho do México está sendo analisada para determinar seu potencial interesse para a mineração e o possível estabelecimento de minas submarinas.

Nesse sentido, Kerry anunciou que o Departamento de Estado organizará ainda este ano uma conferência internacional sobre os oceanos em Washington para conseguir progressos na agenda global de proteção oceânica.

 

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