Pesquisas do Brasil na Antártica podem parar por cortes

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Pesquisas do Brasil na Antártica podem parar por motivos de cortes no orçamento

O orçamento nacional para pesquisas sempre foi pra lá de mixuruca. Mas agora está pior. As pesquisas do Brasil na Antártica podem parar. Os motivos são cortes no orçamento. Isso acontece no ano que precede a inauguração da nova Base Comandante Ferraz. O consagrado glaciologista brasileiro, “Jefferson Simões, vice-presidente do Scientific Committee on Antarctic Research (SCAR) declarou:

Levamos 15 anos para adquirir a liderança latino-americana na pesquisa antártica. Se pararmos nossos investimentos – mínimos, em média cerca de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões por ano – em dois ou três anos perderemos a liderança

imagem do local onde fica a nova base brasileira na antártica
Imagem, Alan Arrais / Agência Brasil.

Nova base brasileira a ser inaugurada durante a 38 Operação Antártica, em 2019/2020

Em janeiro de 2020 será lançada a nova Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) (saiba mais sobre a nova base). A estrutura substitui a antiga base destruída por incêndio em 25 de fevereiro de 2012. Na ocasião, dois militares morreram ao tentarem apagar o fogo. A nova Estação foi construída em uma área de 4,5 mil metros quadrados. É uma das mais modernas da Antártica. Ela terá 17 laboratórios, ultrafreezers para armazenamento de amostras coletadas pelos pesquisadores, além de alojamentos e espaços de convivência para abrigar até 65 pessoas. Saiba por que existe tanto interesse na Antártica.

Pesquisas do Brasil na Antártica e suas ameaças

Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do projeto MycoAntar do Proantar, que estuda fungos com possíveis propriedades medicinais declarou à BBC:

Em 12 anos de pesquisas, nosso grupo já descobriu espécies selvagens de fungos produtores de substâncias antimicrobianas, antivirais (contra o vírus da dengue), tripanossomicida (que atuam contra o Trypanossoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas) e pesticidas (capazes de inibir outros fungos e ervas daninhas para a agricultura). Ou seja, as atividades científicas do Proantar têm grande potencial para contribuir com o setor produtivo do Brasil e na medicina, por exemplo.

E, lamentou o pesquisador:

O Proantar terá suas atividades científicas comprometidas, o que pode gerar prejuízos imensuráveis em termos da participação do Brasil no Tratado Antártico. O País tem direito a voto sobre o futuro de cerca de 10% do mundo, a Antártida. Vale ressaltar que em nenhum outro fórum mundial o Brasil tem tal prestígio e poder de voto, com o mesmo peso dos Estados Unidos, da Rússia e da China por exemplo

Os cortes que podem inviabilizar as pesquisas brasileiras na Antártica

Em 2018, foi aberto um edital do governo. Isso disponibilizou R$ 18 milhões para as pesquisas científicas dos próximos quatro anos realizadas no âmbito Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Esse valor deveria bancar as atividades por quatros anos. Dividindo, daria cerca de R$ 4,5 milhões por ano”, disse o biólogo Paulo Câmara, da Universidade de Brasília (UnB), que realiza pesquisa no continente há 6 anos. O Mar Sem Fim acrescenta que 4,5 milhões por ano, para pesquisas tão importantes como as da Antártica, é valor próximo da miséria. Entretanto, o pequeno montante sofre contingenciamento do governo federal. E coloca em risco o papel do Brasil no Tratado da Antártica. “Com a mudança de governo imediatamente R$ 2 milhões não foram aplicados, disse Paulo Câmara.

‘O alardeado orçamento de 2018′ para as pesquisas brasileiras na Antártica’

“O alardeado orçamento de R$ 18 milhões de reais agora está em cerca de R$ 12 milhões, o que dá cerca de R$ 3 milhões por ano para apoiar 17 projetos. Ou seja, estamos novamente em situação de penúria, na qual há o risco de paralisação das pesquisas antárticas por falta de recursos”, disse Paulo Câmara.

Para que serve o dinheiro

A Gazeta do Povo diz que, “De acordo com Jefferson Simões, o dinheiro serve basicamente para pagar insumos, manutenção de laboratórios, taxas de publicações, diárias de pesquisadores, bolsas de mestrandos, doutorandos e de pós-doutorado. E passagens aéreas até o Sul do Chile, na cidade de Punta Arenas. O Proantar realiza o translado via FAB ou Marinha a partir da cidade chilena.”

Conheça as recentes pesquisas brasileiras na Antártica

Jefferson Simões lembra que “o continente tem papel fundamental nas correntes marinhas e no clima de todo o mundo, que por sua vez, influenciam a riqueza marinha e o desempenho agrícola. Simões garante que ‘as regiões polares são tão importantes quanto os trópicos no sistema ambiental global’. E segue o pesquisador, ‘as frentes frias que podem chegar até o sul da Amazônia, são geradas no oceano austral. Graças às pesquisas antárticas, vamos melhorar a previsão de tempo no Brasil, essencial se quisermos aumentar nossa produtividade agrícola e diminuir o custo social de desastres climáticos (saiba quais são os custos dos eventos extremos).

Pesquisas na Antártica e doenças no Brasil

Além disso, “As pesquisas brasileiras na Antártica contemplam os mais variados temas de prospecção de micro-organismos, biotecnologias, oceânicos e atmosféricos que afetam diretamente o Brasil. Pode estar em cheque “a fabricação de novos antibióticos contra doenças tropicais negligenciadas (dengue, zika, leishmaniose, doença de chagas).”

‘Aspecto geopolítico que o Brasil não pode menosprezar’

A BBC, acertadamente, diz que “Além da importância científica, há um aspecto geopolítico que o Brasil não pode menosprezar. A Antártida tem a maior reserva de água potável do mundo e certamente pode ter riquezas minerais embaixo do manto de gelo, que em alguns lugares pode chegar até 6 km de espessura. Hoje, é o único continente que não pertence a nenhum país.

Tratado da Antártida

Para que nações no futuro tenham o direito de explorar essas riquezas, foi assinado em 1959, o Tratado da Antártida, que regulamenta todas as atividades no continente e estabelece que ele deve ser usado apenas para fins pacíficos e de cooperação internacional para o desenvolvimento de pesquisas científicas. O documento, que entrou em vigor em 1961, foi assinado pelo Brasil em 1975, inicialmente como membro aderente. O país só iniciou suas pesquisas no continente gelado, no entanto, no verão austral de 1982/1983, com a Operação Antártica I.” E, agora, como ficamos?

Mar Sem Fim na Antártica

Os atuais problemas da pesquisa na Antártica não são novos como já disse. Em 2018 fizemos matéria alertando que ‘o PROANTAR estava seriamente ameaçado‘. Entretanto, uma das coisas que mais me fascinou na primeira viagem à Antártica, foi a extrema dedicação dos pesquisadores brasileiros, sempre às voltas com problemas de verbas. Posso assegurar, pelo que vi e pelos cientistas que entrevistei, que as pesquisas brasileiras são, de longe, as mais importantes da América Latina a despeito de termos apenas uma base na ilha rei George, contra diversas bases chilenas e argentinas espalhadas no continente. E sem falar na base uruguaia. Será lamentável se pararem. Assista um documentário que mostra parte destas pesquisas.

Imagem de abertura: Alan Arrais / Agência Brasil

Fontes: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49887243; https://jornalggn.com.br/politica/cortes-do-governo-bolsonaro-colocam-em-risco-programa-antartico-brasileiro/; https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/pesquisas-brasileiras-na-antartida-a-beira-de-um-colapso-4d0kye3u9zs4t5iun0anei847/; https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/10/como-cortes-do-governo-podem-paralisar-pesquisas-do-brasil-na-antartida.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR3GwgmwCgCPKRI45uxJH-5RW2SXy_U8azWXJo590dmq_BrasTMO4nYPmYg.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Bastou pairar a hipótese de que o óleo que surgiu nas praias brasileiras seria de origem venezuelana que o mar sem fim silenciou. Até matéria sobre pesquisa na Antártida aparece. Fica claro que o objetivo do MSM no momento é criticar a atual gestão.

  2. Será que os custos das missões brasileiras são proporcionalmente equivalentes a um país com nosso PIB, nossas necessidades do povo…. ou será que gastamos pensando que dinheiro jorra dos céus e de forma irresponsáveis????? Quantas bases na Antártida sofreram incêndios?????

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