Peixes de laboratórios, startups avançam nesta área

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Peixes de laboratórios, startups avançam nesta área

“Em 2013, o professor Mark Post da Universidade de Maastricht, padrinho do que também é conhecido como carne cultivada ou in vitro, apresentou o primeiro hambúrguer de carne já cultivado – nenhum gado é necessário. Era seco e anêmico, mas, diz Post, ‘mostrou que poderia ser feito’. Três anos depois, a startup de San Francisco, Memphis Meats, entregou uma suculenta almôndega de carne, e este ano (a matéria é de 2017) vieram o frango frito e pato em um tom de laranja.” Assim começa uma matéria do jornal inglês The Guardian, dando conta dos avanços da tecnologia nesta área promissora.” A sobrepesca, subsídios insustentáveis para a atividade, a destruição da habitats, e a tecnologia embarcada nos grandes pesqueiros estão provocando a escassez de peixes nos mares do planeta. A resposta? Peixes de laboratórios produzidos por muitas empresas visionárias.

ilustração relativa a peixes de laboratórios
Ilustração, Jasper Rietman.

Peixes de laboratórios, empresas avançam nesta área

A BBC também abordou o tema.” Os peixes sintéticos poderiam ser as melhores capturas do dia?”, pergunta a rede. E ela mesma responde: “A sobrepesca diminuiu o número de peixes selvagens, e as fazendas de peixes atendem grande parte da demanda crescente. Poderíamos um dia estar comendo “peixe” cultivado a partir de células em uma fábrica, ou peixes de laboratórios, como várias startups estão planejando?”

Parece ficção científica, mas é apenas o retrato da época que vivemos. A BBC reforça os problemas que abriram a mente de donos de startups: “A pesca excessiva e o aquecimento global causaram estragos nos estoques de peixes, e um terço dos estoques de peixes marinhos ainda estão sendo pescados em níveis biologicamente insustentáveis, segundo a ONU.”

Foi a senha que faltava. “Um punhado de empresas iniciantes acha que pode ter a resposta. Elas estão experimentando o cultivo de “carne” de peixe no laboratório.”

Peixes de laboratórios no Vale do Silício

BBC: “Baseados principalmente no Vale do Silício, com um par delas na Europa e na Ásia, empresas desenvolveram técnicas para extrair células-tronco de peixes e transformá-las em quantidades comerciais de carne comestível.”

“As células-tronco são um tipo de célula encontrada em embriões ou criaturas adultas – que podem se transformar em várias células especializadas diferentes. Elas podem crescer nas células musculares que compõem a maioria das partes dos peixes que as pessoas gostam de comer. Os peixes de laboratórios sairão das empresas como peixes moídos em oposição a filetes inteiros. Porque o desenvolvimento, a partir do zero, pele e ossos e sangue ainda não é viável.”

Peixes de laboratórios ainda precisam de alguns anos para estarem no mercado

BBC: “A Finless Foods e empresas similares ainda não comercializaram seus produtos e ainda precisam da aprovação dos órgãos reguladores; portanto, seus peixes podem não estar no mercado por dois ou três anos.”

Mas a Finless Foods não está sozinha, como reforça a BBC. “A Wild Type, com sede em San Francisco, tem ambições semelhantes, mas está focada no salmão do Pacífico. Produzir peixes em um laboratório pode parecer caro tanto para o produtor quanto para o consumidor, mas o executivo-chefe Justin Kolbeck espera tornar o peixe acessível em algum momento. Nosso objetivo é reduzir o preço do salmão para que o preço seja menor do que o salmão colhido convencionalmente.”

Em Cingapura, o foco é o camarão

BBC: “A Shiok Meats, em Cingapura, treinou seus olhos em crustáceos cultivados em laboratório, como o camarão. A empresa cria peixes cultivados em laboratório, colhendo uma pequena amostra de células-tronco de um camarão real e cultivando-as em grandes quantidades em uma grande câmara de biorreator, semelhante aos enormes tanques de aço inoxidável que os fabricantes de cerveja usam para fabricar a bebida. Os tanques mantêm pressão e temperatura constantes e banham as células em gases e em um líquido rico em nutrientes. Depois de algumas semanas, a carne está pronta.”

“É a mesma carne que teria vindo de um animal abatido, mas sem abate de animais neste caso”, diz Sandhya Sriram, diretor executivo e co-fundador da Shiok Meats. A empresa planeja lançar seu produto de camarão picado em 2021, distribuindo-o primeiro em Cingapura e depois no leste da Ásia.”

Pesquisadores mostram algumas barreira ainda a serem transpostas

BBC: “Simon Somogyi, professor da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, diz que ‘embora as carnes baseadas em células tenham uma pegada de carbono menor do que as fontes tradicionais de proteínas, elas ainda exigirão muita eletricidade’.

“De onde vem essa energia? Eles estão usando energia carbonizada ou renovável?”, pergunta.

Ainda assim, Somogyi acha que o peixe cultivado em laboratório é talvez um mercado ainda mais promissor do que a carne cultivada em laboratório.

Como alimentar a crescente população mundial?

Esta é uma pergunta frequente dos estudiosos. Apesar dos ganhos em produtividade, a agricultura e a pecuária tradicionais parece que teriam dificuldades para alimentar a população em razão de problemas como a desertificação, degradação ambiental, e outros. Mais uma vez, a tecnologia entrou em campo para não mais sair.

The Guardian aponta que “o maior desafio está em tornar o processo acessível o suficiente para aumentar a produção e ter preços competitivos.”

O futuro dos alimentos

A prestigiosa revista Forbes é outra publicação que aborda frequentemente o assunto. Pinçamos algumas questões levantadas. “O futuro dos alimentos pode ser muito diferente do que temos agora com carne e frutos do mar produzidos em laboratórios ou por impressoras 3D e até mesmo nutricionalmente otimizados para cada indivíduo.”

imagem de impressora em 3 D
Imagem, Forbes.

“Como a população mundial deverá atingir 9 bilhões em 2050, há um foco renovado em como criar um suprimento de alimentos que possa sustentar essa quantidade de pessoas sem destruir nosso planeta..Cultivar alimentos nos laboratórios é uma solução que cria mais alimentos com menos espaço e danos ao meio ambiente, se pudermos encontrar uma maneira de produzi-los de maneira econômica em escala.”

Alguém duvida que em muito pouco tempo elas conseguirão ‘encontrar uma maneira de produzi-los de maneira econômica em escala?’

Os alimentos inteligentes

Ainda da Forbes: “Com um foco contínuo na melhoria da saúde e nutrição, um novo setor está crescendo na indústria de alimentos – alimentos inteligentes. A comida inteligente não é apenas pré-embalada e conveniente, mas também é nutricionalmente otimizada. Empresas de todo o mundo, incluindo Soylent (EUA), Huel (Reino Unido) e Vitaline (França) estão focadas neste serviço. Não parece que será em um futuro muito distante, até 2169, de acordo com um relatório da Sainsbury, quando poderíamos implantar alimentos por meio de microchips desenvolvidos especificamente para nossas necessidades individuais.”

Quando chegar o tempo dos alimentos inteligentes este escriba estará acompanhando os progressos humanos em outra dimensão. Até lá, ainda quero comer um bom peixe fresco, saído do mar para a frigideira.

Imagem de abertura: Jasper Rietman

Fontes: https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2017/sep/20/lab-grown-meat-fish-feed-the-world-frankenmeat-startups; https://www.bbc.com/news/business-51657573?fbclid=IwAR3hDSH7JRcUbY4cPNJCmVf4C18FzDSRRrIetlqb1n3aIpTMoUPbVqN_4BE; https://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2019/06/28/the-future-of-food-amazing-lab-grown-and-3d-printed-meat-and-fish/#3521466c46f6.

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1 COMENTÁRIO

  1. Espero não precisar de vegetar as custas destes artifícios. Felizmente já estou no outono de minha vida sem nunca ter colocado em meu corpo coisas de origens duvidosas e valores nutritivos abjetas. O futuro me encanta pelas tecnologias que virão, mas seguramente em alimentação eu espero não ter de vegetar desta foma.

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