Paul Watson, da Sea Shepherd, apeado do cargo

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Paul Watson, da Sea Shepherd, apeado do cargo

Em 1969, para protestar contra testes nucleares da Comissão de Energia Atômica na ilha de Amchitka, engaja-se na ONG Greenpeace e organiza uma viagem-protesto pela costa canadense. Em 1971, começa a viagem do  Greenpeace I,  ex-navio de pesca.  Os testes  foram suspensos e a embarcação volta para Vancouver. Foi o primeiro sucesso. Paul Watson foi um dos fundadores e diretores do Greenpeace. Mas, o controverso ambientalista acabou expulso do Conselho do Greenpeace em 1977. Sua estratégia de ação contrastava com a interpretação da ONG de não violência. No mesmo ano fundou a  mitológica Sea Shepherd, ou ‘Pastores do Mar’.

Paul Watson
Imagem, Divulgação.

Paul Watson, minibiografia

Ele nasceu no Canadá, em 1950. Dez anos depois, no início de sua carreira como ambientalista, filia-se ao Kindeness Club em prol da vida selvagem. Em 1967 trabalha na Expo 67 em Montreal. Contudo, depois do evento vai para Vancouver, onde se engaja como bombeiro no navio Canadian Pacific Princess Marguerite.

No ano de 1969 Watson entrou para a tripulação do cargueiro norueguês Bris, em uma viagem pela Ásia e África. Em seguida, junta-se ao Greenpeace onde, entre outras, luta contra testes nucleares no mar e, pouco depois, junto com David Garrick organiza a primeira campanha do Greenpeace para proteger as focas-da-groenlândia.

Em risco de vida desde o início

No post sobre a Sea Shepherd contamos um fato que passou a ser corriqueiro na vida de Watson, e das ONGs das quais tomou parte. Ou seja, a vontade, acima de tudo, de correr riscos de vida.

Em 1977 Paul Watson liderou a segunda campanha do Greenpeace contra a caça às focas, com apoio de  Brigitte Bardot. Durante a ação, Watson algemou-se a uma pilha de peles de focas anexadas ao guincho do navio num esforço para que este parasse. Quando os caçadores perceberam, arrastaram a pilha, com Watson preso, através do gelo.

Em seguida balançavam-nos no ar, batendo contra o casco do navio. Ao mesmo tempo, mergulhavam a massa nas águas frias.  Watson perde a consciência.  Mas teve mais. Ele foi amarrado a uma maca e içado a bordo, onde os caçadores quase o sufocaram, pressionando gordura de foca em seu rosto e arrastando-o através do deck,  chutando seu corpo.

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A saga de Paul Watson na Sea Shepherd

Em  1978, com a ajuda de Cleveland Amory e do Fundo para Animais, Watson adquiriu um navio-arrastão da Grã-Bretanha e o modificou.

A primeira viagem foi em março de 1979. Destino:  o Golfo de St. Lawrence. Objetivo: divulgar a caça de focas bebês canadenses.

A Sea Shepherd Conservation Society foi formalmente incorporada nos Estados Unidos em 1981 no  Oregon. De lá para cá, a ONG protagonizou mais de 200 viagens cobrindo muitos dos oceanos do mundo e defendendo a vida marinha ao longo do caminho.

Porém, sempre do mesmo modo. Voluntarioso, Watson agia à revelia de leis internacionais e colocava em risco a própria vida e a dos que o acompanhavam.

Casos controversos em que se meteu

As campanhas prosseguiram e não foram poucos os casos controversos em que se meteu. Segundo o Wikipedia, Watson e seus companheiros chegaram a afundar oito navios entre baleeiros de vários países. No mesmo site há uma declaração emblemática sobre o afundamento de embarcações mundo afora…

Em 1986, afundamos metade da frota baleeira islandesa. Desde então, eles não mataram uma só baleia. Levaram todo esse tempo para se recuperar do prejuízo de 10 milhões de dólares que provocamos. Por nossa causa, os noruegueses tiveram que fazer um seguro de guerra, que é caríssimo. Assim, tornamos a pesca da baleia uma atividade pouco lucrativa. Como é o comércio que move o mundo, esse tipo de argumento é mais convincente do que falar de biodiversidade.

Problemas legais internacionais

Por seu modo de agir não foram poucos os processos em que se meteu em países como Estados Unidos, Canadá, Noruega, Costa Rica e Japão. Segundo o seafood.media ‘Ele foi detido na Alemanha por solicitação de extradição da Costa Rica em maio de 2012. 

Renúncia de Watson em 27 de julho de 2022

É óbvio que atuando desta forma Paul Watson ganhou o respeito de alguns mas, igualmente, a repulsa por parte de outros. De um lado foi agraciado como Ambientalista do ano, em 1990. Ganhou ainda o Prêmio Genesis (1998), e foi escolhido pela revista Time como um dos heróis ambientalistas do século XX no ano de 2000.

Por outro lado foi ‘saído’ do Greenpeace e, agora, acabou obrigado a renunciar à qualquer posição na Sea Shepherd Conservation Society. Watson já vinha perdendo força na ONG há certo tempo. Mas a pressão foi maior do que esperava, até que veio sua renúncia no final de julho. Sobre ela, escreveu (segundo o site www.all.creatures.org)

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‘É com grande alívio que, em 27 de julho de 2022, deixei meu emprego e cortei todos os laços com a Sea Shepherd Conservation Society (EUA).’

Desde 1977, quando fundei a Sea Shepherd há quase meio século, tenho dedicado toda a minha vida à preservação e proteção agressiva e determinada da biodiversidade da vida marinha e do nosso oceano.’

‘Nos últimos anos, fui lentamente marginalizado da organização que criei nos EUA…’ Watson não se contentou em ser apenas uma figura decorativa. Não aceitou perder a liberdade de organizar campanhas, ou expressar ‘as opiniões fortes que mantenho há décadas’.

‘Opiniões e campanhas’, diz, ‘que moldaram a Sea Shepherd dentro e fora das fronteiras do Estados Unidos.’

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Comentários

5 COMENTÁRIOS

  1. Paul Watson mostrou que na questão ambiental as coisas só acontecem quando se age radicalmente. Lamentavel-mente é assim que a “banda toca”. Para aqueles que acreditam nas promessas de governantes (políticos) basta olhar para os compromissos que as nações assumiram na ECO-92 (realizada no Rio de Janeiro), os quais, até hoje, 30 anos depois, em sua quase totalidade não foram cumpridos. Paul Watson está errado? Ele, com o apoio de sua pequena equipe, conseguiu muito mais resultados práticos que vários países juntos e somados. É uma pena a sua aposentadoria forçada.

  2. Ví um documentário dele fugindo da Costa Rica com a polícia marítima atirando no barco dele até que chegaram em águas internacionais. Aterrorizante. Dou o maior valor.

  3. Talvez tenha sido o mais radical ambientalista da atualidade.
    Seus documentários tinham e ainda devem ter, muito impacto e não era só um poeta…

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