Óleo vaza na baía de Guanabara mais uma vez

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Óleo vaza na baía de Guanabara mais uma vez

O problema é recorrente. E aconteceu mais uma vez neste início de ano. O movimento Baía Viva denunciou em 20 de janeiro mais um vazamento, desta vez na Praia da Bandeira, Ilha do Governador, Zona Norte, do Rio, em plena maltratada baía de Guanabara. Óleo vaza na baía de Guanabara mais uma vez (Atualizado em 2026).

Óleo na baía de Guanabara
Imagem, Reprodução.

Baía de Guanabara: 15 mil litros de esgotos por segundo

A omissão de sucessivos governos explica o drama da baía de Guanabara. Além disso, o poder público permitiu o crescimento desordenado ao seu redor. Afinal, a população elege governantes para administrar as cidades, não para enriquecer à custa delas, como acontece há anos.

A baía ocupa aproximadamente 400 km² e contém cerca de 3 bilhões de m³ de água. Dos 55 rios que nela deságuam, 50 se tornaram esgotos a céu aberto.

Como resultado desse descaso, a baía recebe 15 mil litros de esgoto sem tratamento por segundo. A falta de saneamento básico contamina diariamente esse cartão-postal do Brasil. Enquanto isso, o poder público nega à população um serviço essencial.

No entanto, acredite, a qualidade da água da Baía de Guanabara está melhorando. Primeiro veio o novo marco regulatório do saneamento, aprovado no Senado em 2020. Um ano depois, o Rio de Janeiro foi pioneiro ao privatizar estes serviços, alimentando os cofres públicos com R$ 22,7 bilhões de reais. Desde então a responsabilidade passou a ser da empresa Águas do Rio.

Privatização do Cedae

Graças ao novo marco regulatório do saneamento, aprovado em julho de 2020, cerca de 100 milhões de brasileiros que não têm acesso ao serviço, agora poderão tê-lo. Para se ter uma ideia, em 2017, de acordo com o Trata Brasil uma referência no tema, ‘o Brasil lançou aproximadamente 5.622 piscinas olímpicas de esgoto não tratado na natureza’.

O Rio de Janeiro foi um dos primeiros Estados a privatizar os serviços. O leilão da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro) rendeu R$ 22,7 bilhões de reais, nada mau para um Estado falido com uma dívida impagável com a União.

Não vai ser fácil, nem rápido. Mas especialistas acreditam que com o novo marco legal, aprovado mesmo com a cínica omissão  da maioria dos ‘ambientalistas‘,  será possível universalizar os serviços em 15 anos, ou menos.

Antes da aprovação do novo marco não havia sequer esperança já que o custo para universalizar os serviços estavam estimados em R$ 600 bilhões de reais. E o Brasil, como é sabido, mal tem dinheiro para pagar o funcionalismo público.

Por isso, recentemente escrevemos que, com a privatização avançando no Rio, e com muito trabalho de educação infantil, já que esperar mudança de comportamento em marmanjos é quase utopia, do tipo do Projeto Esse Rio é Meu recém-lançado, acreditamos que finalmente há esperanças para a baía de Guanabara, e nossos rios, cuja maioria está na UTI.

Mas agora, mais uma vez, um balde de água fria é jogado com o…

Óleo vaza mais uma vez

Parece até uma efeméride macabra. Este novo vazamento aconteceu quase exatos 20 anos depois do maior deles, em 18 de janeiro de 2000, com o rompimento de um duto da Petrobras que despejou na baía de Guanabara 1,3 milhão de litros de petróleo, no maior acidente do gênero no Estado.

Felizmente o vazamento atual não é deste porte, ao contrário, ainda assim, é mais um. Até quando?

O movimento Baía Viva recebeu também um denúncia de que haveria outro vazamento na   Praia de Engenhoca, ao lado da Praia da Bandeira.

Plano de Emergência da Baía de Guanabara

O Baía Viva pediu que seja acionado o Plano de Emergência da Baía de Guanabara para verificar a origem do problema que parece ser constante. Segundo o site eurio.com.br  as suspeitas recaem sobre ‘o terminal da Ilha D’Água da Transpetro/Petrobras’.

Segundo o Diário do Rio, o projeto Olho Verde flagrou manchas de óleo no rio Iguaçu, que deságua na baía de Guanabara. O biólogo Mário Moscatelli coordena o projeto. As fotos mostram a contaminação em um trecho de manguezais de Duque de Caxias. Além disso, o óleo atingiu diretamente os mangues e provocou a morte de caranguejos.

A ONG Baía Viva lembra que outro vazamento ocorreu na região em dezembro de 2021. Na ocasião, o óleo atingiu o rio Iguaçu, os manguezais e os territórios pesqueiros próximos à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras. Até aquele momento, porém, as autoridades não haviam identificado a fonte da poluição.

Diante disso, o Baía Viva cobrou mais fiscalização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Também propôs que Inea, Ibama e Capitania dos Portos criassem canais em seus sites para receber denúncias. Assim, pescadores, banhistas e moradores poderiam enviar fotos e vídeos pelo celular. O objetivo é permitir uma resposta imediata do poder público.

A baía de Guanabara, apesar de um futuro mais promissor, começa mal o ano.

Imagem de abertura: Reprodução

Fontes: https://eurio.com.br/noticia/30095/baia-de-guanabara-tem-dois-vazamento-de-oleo-praia-da-bandeira-e-rio-iguacu.html; https://diariodorio.com/baia-de-guanabara-registra-mais-um-vazamento-de-oleo/.

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