Navio holandês à deriva e resgate dramático

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Navio holandês à deriva e resgate dramático

Desde o início da pandemia os navios têm protagonizado situações terríveis e inusitadas. No começo houve o caso dos passageiros presos em navios de cruzeiro que não tinham onde atracar. Pior. Depois que os turistas desembarcaram, o foco passou a ser o drama dos marinheiros  em navios ao largo de portos mundo afora durante meses. Entre 200 a 400 mil marítimos ainda estavam presos a bordo em outubro de 2020 chamando a atenção mundial. E houve outros casos insólitos durante os mais de 15 meses em que a pandemia restringiu nossas vidas. Mas hoje o tema é o Navio holandês à deriva e resgate dramático.

Imagem de navio holandês a deriva
Imagem, Hovedredningssentralen.

Navios protagonizando o inusitado em tempos de pandemia

Todos sofreram e ainda sofrem com a pandemia. Mas um dos setores da economia que mais sentiu o baque foi o dos transportes marítimos.

O setor de cruzeiros foi arrasado. Perdas monumentais, falências, e aposentadoria forçada para muitos navios, uma vez que ainda vai demorar muito para sua reabertura, enquanto os custos de manutenção são astronômicos, com, ou sem passageiros. Esta tétrica realidade transformou a cidade de Aliaga, na Turquia, num imenso cemitério de navios de cruzeiro.

E houve outros casos que merecem comentário. Quando o mundo finalmente parece disposto a virar o jogo e combater o aquecimento global, ficamos sabendo da fraude de combustível usado por navios, o mais poluente entre todos, com anuência de uma agência da ONU.

A mesma ONU que pede emergência climática e carbono neutro faz vista grossa à fraude dos combustíveis!

Imagem de Navio holandês à deriva
Imagem, Coast Guard Ship Sortland/NTB/via REUTERS.

Mas teve mais. O maior acidente ecológico de 2020 foi protagonizado por um navio que escalou os recifes de corais das Ilhas Maurício, no Índico, em dia claro e mar de almirante.

A tragédia de Maurício

Como é possível?

A prática das bandeiras de conveniência pode estar por trás não só deste, mas de outros acidentes com navios.

Mas cada empresa de navegação tem em sua estrutura, uma infinidade de adovogados ‘para resolver estes pepinos’. Só isso para justificar a decisão dos oficiais que decidiram sair da rota, e acabaram por  provocar a  tragédia das Ilhas Maurício, o maior acidente ecológico de 2020.

Finalmente, em 23 de março de 2021, o mundo é novamente sacudido quando um enorme porta-contêineres ficou entalado no Canal de Suez, provocando prejuízos bilionários e ameaçando o comércio mundial. Era mais um navio com bandeira de conveniência.

Esta malandragem da indústria marítima mundial à procura de regras frouxas e custo mais baixo de operação precisa acabar. O navio era japonês, operado por uma empresa taiwanesa, com bandeira do Panamá sua tripulação indiana.

Mas agora, quem viraliza nas redes sociais é o…

Navio holandês à deriva e resgate dramático

Trata-se de um cargueiro que transporta outros barcos. O navio emitiu sinal de socorro na manhã de 5 de abril, no Mar do Norte, famoso por suas tempestades, ventos fortes, e ondas altas. O navio, com 12 tripulantes a bordo, estava a 60 milhas de Olesund, Noruega.

Mapa com a localização do navio holandês à deriva
O ponto onde estava o navio quando houve os resgates. Ilustração,https://gcaptain.com/

Segundo o site gcaptain  a embarcação em apuros  é o MV Eemslift Hendrika, pertencente à Starclass Yacht Transport, que opera dois navios, e oferece transporte regular de iates entre a Noruega e a Turquia.

O Joint Rescue Coordination Centre da Noruega reporta que recebeu o sinal de socorro quando enviou 3 helicópteros e 2 embarcações para auxiliar.
Assista ao primeiro vídeo e veja as condições do navio avariado antes do início do resgate

O mar estava tempestuoso, ventos fortes,  ondas altas, período curto; o navio adernou perigosamente depois que a carga em seus porões se deslocou. Havia risco iminente de capotar. O resgate era a única solução. Assim que os helicópteros chegaram, oito tripulantes foram evacuados.

Outros quatro permaneceram a bordo, escoltados por outras embarcações. Imagine o clima, dada a situação instável do navio e as condições meteorológicas severas.

Dois dias depois, em 6 de abril, a situação piorou. Aumentou o adernamento do barco o que obrigou os tripulantes a pararem as máquinas. Ficar a bordo seria loucura. Num espaço de apenas dois dias, novo e dramático resgate estava prestes a começar.

Com ventos de 50 nós (cerca de 80 km/hora) e ondas de até 10 metros, os quatro tripulantes tiveram que pular na água, sempre gelada naquela região, para em seguida serem içados para helicópteros. E tudo foi registrado pelas equipes que resgate, daí a comoção que as imagens têm provocado.

Conheça o MV Eemslift Hendrika

Construído em 2015, é administrado pela Amasus Shipping B.V. Está registrado na Holanda. Os dados  mostram que o navio partiu de Bremerhaven, Alemanha, em 4 de março, com destino a Kolvereid, na Noruega. A embarcação permanece à deriva na costa oeste da Noruega com aproximadamente 350 toneladas de óleo pesado e 50 toneladas de diesel.

Qual será o fim desta história? O MV Eemslift Hendrika resistirá?

Atualização:

Este site apurou que neste momento o navio está sendo rebocado para um porto. Na noite do dia 7 de abril uma equipe desembarcou de um helicóptero e conseguiu passar um cabo para rebocar o navio adernado. Ele segue agora para o porto de Ålesund.

O segundo vídeo mostra o dramático resgate dos tripulantes

Imagem de abertura: Hovedredningssentralen

Fontes: https://gcaptain.com/yacht-transport-ship-in-trouble-off-norway/?fbclid=IwAR32md48AB-IKL6xOHGZHcLDjB9xcHBk9cX6wPcKIbyXUnAF0dVaUXO6NSo; https://maremarinheiros.blogspot.com/2021/04/navio-holandes-em-perigo-de-se-virar.html?spref=fb&fbclid=IwAR2-71QNHqtWD7Qf_BU5tYRa1ahwwSQ-gMNhe1_C8DxkyE3PHd1PYV3sMoI.

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