Fracassa acordo global sobre poluição de plástico

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Fracassa acordo global sobre poluição de plástico

A crescente ideia de um tratado internacional sobre plásticos, semelhante ao Acordo de Paris, tem ganhado ímpeto, como demonstrado em matérias anteriores, e entrou na agenda da ONU desde 2012. No entanto, a última reunião, ocorrida no Quênia de 13 a 19 de novembro, fracassou novamente. Durante uma semana, negociadores se reuniram na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em Nairóbi, tentando acordar um projeto de tratado para combater o crescente problema da poluição plástica, presente em locais variados, desde as profundezas do oceano até o topo das montanhas, e até no sangue humano. De acordo com a France24, as discussões nunca abordaram realmente os termos do tratado. Um pequeno grupo de nações produtoras de petróleo, especialmente Irã, Arábia Saudita e Rússia, enfrenta acusações de usar táticas de obstrução, já vistas em negociações anteriores, para barrar o progresso. Fracassa acordo global sobre poluição de plástico.

baleia morta por poluição de plástico
Imagem, www.plasticpollutioncoalition.org.

A reunião em Nairóbi

Em Nairóbi, os participantes visavam avançar no tratado. Queriam ajustá-lo e discutir como combater a poluição do plástico, proveniente de combustíveis fósseis.

Graham Forbes, do Greenpeace, classificou a reunião como um ‘fracasso’. Ele destacou que, para um tratado bem-sucedido, é necessário mais liderança e coragem dos países grandes e ambiciosos. Ele observa que isso ainda não aconteceu.

Antes das negociações, a France24 informou que cerca de 60 nações ‘altamente ambiciosas’ queriam que o tratado proibisse certos plásticos. Elas defendiam regras para cortar produção e consumo

Nas sessões abertas, alguns países mostraram hesitação em reduzir a produção de plástico. Além disso, houve divisões sobre se o tratado deve ser obrigatório ou voluntário

A produção de plástico dobrou em 20 anos

Enquanto o mundo não se entende, a produção de plástico dobrou em 20 anos. Nas taxas atuais, pode triplicar até 2060. Em 2022 a produção mundial atingiu mais de 430 milhões de toneladas. O problema, como já explicamos, é que cerca de 90% do material não são reciclados.

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A Associated Press reportou que, na terceira rodada de negociações, os delegados debateriam um rascunho de setembro. Esse documento reflete as conclusões das duas primeiras reuniões e visa reduzir as opções.

Porém, os Estados-Membros optaram por revisar o projeto. Com novas propostas, o texto ficou mais extenso. Segundo os participantes, isso dificulta o avanço das negociações.

A AP acrescenta que alguns países produtores de petróleo propuseram alterações. Eles sugeriram focar mais na gestão de resíduos do que no ciclo de vida do plástico. Também defendem medidas voluntárias nacionais contra a poluição, em vez de ações globais.

‘Cortar maciçamente a produção de plástico’

“A ciência é muito clara, os dados são muito claros e o imperativo moral é muito claro”, disse Graham Forbes, líder da campanha do Greenpeace. “Você não pode resolver a crise da poluição se não cortarmos maciçamente a produção de plástico.”

A AP destacou as palavras de outra ambientalista, Ana Lê Rocha, diretora do programa  da Aliança Global para Alternativas Incineradoras:  “os valentões das negociações dispararam, apesar da maioria dos países, com a liderança do Bloco Africano e de outras nações do Sul Global, em apoio a um tratado ambicioso”.

O Greenpeace, segundo a Reuters, afirma que um acordo eficaz sobre plásticos precisa de mais liderança dos EUA e da UE. Atualmente, a África lidera a luta contra o plástico, mas sua influência global é limitada.

“A dura verdade é que esta terceira reunião não cumpriu seu objetivo principal. Assim, não entregou um mandato para preparar um primeiro rascunho de um texto do tratado”, disse Graham Forbes, do Greenpeace.

A Reuters  informou que Canadá, Quênia e UE querem limitar a produção de plástico. Por outro lado, uma coalizão incluindo Rússia e Arábia Saudita foca na reciclagem.

Agora, uma nova chance só em 2024.

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Cinco gramas de plástico por pessoa todas as semanas

Enquanto isso o Euronews relata um estudo recente da Universidade Médica de Viena. Ele revela que as pessoas ingerem cerca de cinco gramas de micro e nanoplásticos por semana. Os resultados foram publicados na revista Exposure & Health.

As partículas de plástico já fazem parte da cadeia alimentar humana há bastante tempo. Até mesmo o sal de cozinha contém microplásticos.

Parece que a ingestão do material continuará sendo uma realidade por longo tempo.

A fantástica habilidade dos golfinhos nariz de garrafa

Comentários

2 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto a palavra “Desenvolvimento” só estiver atrelada a aumento populacional, de produção, de destruição e de especulação, não conseguiremos passar do final desse século, só isso…

  2. Fracassou porque esse e outros encontros sobre o clima, são eventos onde todos vão sinalizar virtudes. Enquanto não houver entendimento de que a melhor forma de ação é a de realização de pequenos progressos contínuos, e não de atitudes revolucionárias, vai haver muita gastança de dinheiro, queima de combustível de jatinhos, discursos vazios e pouco resultado.

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