Fórmula 1: guerra contra emissões de gases estufa

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Crise climática, Fórmula 1 entra na guerra contra as emissões de gases de efeito estufa

A corrida de Fórmula 1 (F1) em São Paulo bateu recorde de público em 2019. Mas o que vai ficar marcado nessa semana da competição no País não será o fato de Lewis Hamilton ter perdido o pódio em um campeonato que já é dele.  Depois da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do Comitê Olímpico Internacional (COI), que há alguns anos tentam reduzir ou neutralizar a pegada de carbono das competições, agora foi a vez da F1 anunciar que quer se tornar um esporte sustentável. Na semana do Grande Prêmio de Fórmula 1 no Brasil, em 2019, os organizadores anunciaram um primeiro e ambicioso plano. Ele visa neutralizar as emissões líquidas de gás carbônico equivalente (CO2e, mistura de todos os gases que causam o efeito estufa) até 2030.

Imagem de carro de formula 1

Fórmula 1, no combate ao plástico descartável

Anunciaram também que pretendem utilizar apenas materiais sustentáveis. E eliminar plásticos descartáveis até 2025. Bem como pretendem reutilizar, reciclar e levar à compostagem 100% do lixo gerado em eventos ligados à F1. Tanto nas corridas  corridas como operações.  “Nos seus 70 anos de história, a F1 foi pioneira em inúmeras tecnologias e inovações que contribuíram positivamente para a sociedade. Elas ajudaram a combater as emissões de carbono. Desde aerodinâmica inovadora até projetos de freio aprimorados. O progresso liderado pelas equipes de F1 beneficiou centenas de milhões de carros na estrada hoje”, disse o CEO da Fórmula 1, Chase Carey, ao comunicar detalhes do plano de carbono zero.

Fórmula 1, em busca do motor de corridas carbono zero

“Poucas pessoas sabem que a atual unidade de potência híbrida da F1 é a mais eficiente do mundo. Elas fornecem mais energia usando menos combustível. E, portanto, CO2, do que qualquer outro carro. Acreditamos que a F1 pode continuar a ser líder na indústria automobilística. E trabalhar com o setor automotivo e de energia para fornecer o primeiro motor de combustão interna híbrido com carbono zero do mundo, o que reduz enormemente as emissões de carbono em todo o mundo”, prosseguiu Carey. Os organizadores também querem engajar os torcedores que vão aos autódromos. E as sociedades que fazem parte do circuito.

Fórmula 1 sustentável quer engajar a torcida

A meta é estimular, por exemplo, que os torcedores utilizem transporte público, entre outros meios menos poluentes ou zero de emissões, como bicicletas e caminhadas, para chegar à corridas. “Forneceremos incentivos e ferramentas para oferecer a todos os fãs uma maneira mais verde de chegar à corrida e garantir que os circuitos e instalações melhorem o bem-estar dos fãs. Além de oferecer oportunidades para que as pessoas, empresas e causas locais se envolvam mais na ação durante uma corrida. Aproveitando o imenso talento, paixão e desejo de inovação de todos os membros da comunidade F1, esperamos causar um impacto positivo significativo no meio ambiente e nas comunidades em que operamos.”

Zero carbono na logística, nas corridas e nos eventos

Qualquer iniciativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa é bem-vinda. Como Mar Sem Fim sempre alerta, são eles, principalmente, que estão causando o aquecimento global e a crise climática. As águas mais aquecidas dos mares e oceanos, que colocam em risco a vida marinha, são decorrentes do aquecimento global.  Segundo a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o plano anunciado é resultado de um ano de trabalho em busca de uma F1 sustentável. A ideia é reduzir sistematicamente as emissões de CO geradas nas operações em geral. Mas também na logística, nos eventos e nas corridas.

cartas da formula 1 dizendo que vai cortar emissões

Fórmula 1, emissão de 256.551 toneladas de CO2e

“O plano vem após doze meses de intenso trabalho com a FIA, especialistas em sustentabilidade, equipes de Fórmula 1, promotores e parceiros, resultando em um plano de entrega ambicioso, porém viável. Os projetos de redução de carbono começarão imediatamente para iniciar a jornada de se tornar um esporte mais sustentável”, declarou a FIA. Estimativas da FIA apontam que as emissões de CO2e da Fórmula 1 devem totalizar 256.551 toneladas ao final da temporada de 2019. A maior responsável, com 45%, é a área de logística. Nela estão incluídos os transportes rodoviários, marítimos e aéreos de equipes, equipamentos, entre outros itens.

Energia 100% renovável em escritórios e fábricas

Em seguida, com 27,7% do total de emissões, estão as viagens de negócios feitas por diversos meios, especialmente o aéreo. São viagens realizadas diretamente pelos organizadores e equipes de construtores da F1. Além de parceiros e apoiadores. Fábricas, instalações e escritórios da F1 e dos construtores respondem por 19,3% do total de emissões. “Além dos planos para eliminar a pegada de carbono do carro de F1 e as atividades na pista, nossas iniciativas incluirão ações para garantir que passemos a uma logística e viagens ultra eficientes e a escritórios, instalações e fábricas com energia 100% renovável.”

Fórmula 1, queima de combustível é a menor das emissões

Os eventos como um todo respondem por 7,3% do total das emissões da temporada. Neles, estão incluídas as transmissões das corridas, as operações nos boxes, as corridas de apoio e o uso de geradores, entre os principais. Já as emissões associadas à queima de combustível durante as 21 disputas de 2019 são as responsáveis por 0,7% do total, explicam os organizadores. “Ao lançar a primeira estratégia de sustentabilidade da F1, com um objetivo ambicioso de ser um esporte líquido de carbono zero até 2030, reconhecemos o papel crítico que todas as organizações devem desempenhar para resolver esse problema global”, afirmou Carey. O presidente da FIA, Jean Todt ,disse que o compromisso com a proteção ambiental global é crucial. “Não é apenas muito encorajador para o futuro do automobilismo. Mas também pode trazer fortes benefícios para a sociedade como um todo.”

Fontes: https://corp.formula1.com/wp-content/uploads/2019/11/Environmental-sustainability-Corp-website-vFINAL.pdf; https://corp.formula1.com/formula-1-announces-plan-to-be-net-zero-carbon-by-2030/; https://www.youtube.com/watch?v=6sriIlkri3o; https://motorsport.uol.com.br/f1/news/formula-1-revela-plano-para-ter-emissao-zero-de-carbono-em-2030/4596018/; https://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/gp-do-brasil-verstappen-vence-prova-em-interlagos-com-batida-entre-ferraris-e-segundo-lugar-de-gasly.ghtml.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Engraçado esses metidos a intelectual se considerarem aptos a impor como os outros devam viver. O blog Mar sem fim segue essa visão de aparente superioridade intelectual, técnica e moral para justificar seu cientificismo. Pregam apenas para a classe média assalariada que os sustentam via impostos e doações. Carvoarias geram muito mais carbono que qualquer prova de F1, assim como os barcos da pesca ‘artesanal’. Da mesma forma, qualquer favela e invasão de mata Atlântica no litoral gera mais esgoto que qualquer transatlântico. O mesmo se vale para derrubada de árvores em bairros centrais das cidades e assim por diante. Mas, MTST, MST e afins, bem como índios, quilombolas e miseráveis ficam sempre de fora. Como se a responsabilidade fosse de uns ignorando outros.

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