Esturjão, história, caviar e extinção

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Esturjão, história, caviar e extinção; conheça um pouco mais sobre o segundo maior peixe de água salgada depois do tubarão-baleia

Ele é imenso, surgiu antes dos dinossauros há 200 milhões de anos, e resiste até hoje embora criticamente ameaçado de extinção. Era conhecido dos povos antigos como os cartagineses, os gregos, romanos e persas. O rei inglês Eduardo II (1307-27)  decretou que todo e qualquer esturjão capturado deveria ser entregue ao senhores feudais.

esturjao, imagem de esturjão com 617 Kg
Esturjão de 617 Kg, pescado num rio chinês em 2012 (Foto: G1)

Pescador chinês não tem coragem de matar o esturjão

O pescador chinês Chen Lin que capturou esta enormidade no rio rio Heilongjiang, Tongjiang, fronteira com a Rússia, não teve coragem de matar o peixe. Ao contrário, levou-o para para um centro local de reprodução do esturjão. De acordo com a emissora chinesa “CCTV”, o esturjão é uma fêmea e estava com cerca de 1,2 milhão de ovas. A equipe recolheu as ovas para realizar inseminação artificial. Depois o peixe foi solto novamente no rio Heilongjiang.

Veja o vídeo:

Ovas do esturjão se transformam na grande paixão: o caviar

Suas ovas se tornaram uma iguaria apreciada em toda parte. Hoje, com o esturjão em perigo de extinção, o caviar branco tornou-se uma rara delicadeza, exclusiva e escassa. Esta variedade vem do esturjão albino beluga que vive no Mar Cáspio, principalmente nas áreas não poluídas perto do Irã. Um quilo pode valer mais de US$ 25 mil dólares.

esturjão, imagem de uma lata de caviar albino
Caviar iraniano Almas pode custar até US$ 25 mil dólares o quilo. (Foto: azuereazure com)

O mar Cáspio é região considerada como produtora dos melhores caviares.

esturjão, imagem de mapa do mar-caspio
Mar Cáspio

Produção e comércio

Em consequência da ameaça de extinção a pesca do esturjão quase desapareceu, e a exportação de caviar  de espécimes selvagens é proibida. A aquicultura tomou o lugar da pesca. A China responde por 85% da produção mundial. A seguir os principais produtores de esturjão são a Rússia e a União Europeia.

A produção do caviar

O processo de transformação das ovas não-fertilizadas e frescas de esturjão em caviar de qualidade (salgadas e não-pasteurizadas) é complexo. Globalmente, as ovas precisam ser retiradas de uma fêmea ainda viva, imediatamente peneiradas, lavadas e escorridas, triadas (segundo a consistência, tamanho e cor) e salgadas num tempo máximo de 15 minutos após extração.

Por causa do processo de extração das ovas ser considerado “complexo e delicado” há quem defenda o boicote ao produto. Dizem os “defensores dos direitos dos animais” que, em razão da fêmea do esturjão ser transportada até uma mesa de metal onde é atordoada e lavada, seu ventre é  aberto com precisão, enquanto ainda viva, sendo o saco de ovas extraído, lavado e imediatamente pesado. Tradicionalmente a fêmea é  morta depois e encaminhada para processamento (com vista nomeadamente à comercialização da carne), embora hoje, particularmente com esturjões de aquacultura, seja cada vez mais comum a remoção cirúrgica das ovas.

No mundo são 25 espécies diferentes de esturjão

Este peixe incomum, seu corpo é formado por placas ósseas, tem 25 espécies diferentes. Eles vivem no mar e se reproduzem em rios. Os mais tradicionais são o rio Ural, que deságua no mar Cáspio; o Volga, na Rússia; e o Kura, no Azerbaijão. A maturidade sexual acontece tarde, entre 6 e 25 anos, o que os tornam vulneráveis à sobrepesca. Eles são nativos de regiões sub-tropicais e temperadas, são encontrados em lagos e no litoral da Eurásia e América do Norte.

Tráfico ilegal de esturjões do Danúbio, um dos problemas da produção e distribuição

Os esturjões altamente ameaçados da bacia do rio Danúbio estão em risco por causa do persistente comércio ilegal de caviar feito pela  Bulgária e Romênia, de acordo com um recém-publicado relatório TRAFFIC do WWF.

imagem de esturjão beluga
Um beluga ou esturjão europeu (Huso huso) capturado em 1922 no estuário do Volga. Ele tinha cerca de sete metros, um dos maiores já capturados. (Foto:ourplnt.com/)

Produção mundial

Estudo da IUCN Species Survival Commission mostra um quadro da produção mundial:

 esturjão, tabela com dados da produção mundial de caviar
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caviar;http://azureazure.com/gastronomy/almas-the-most-expensive-caviar-in-the-world;https://ec.europa.eu/fisheries/sites/fisheries/files/docs/body/sturgeon_pt.pdf; https://defensoresdosanimais.wordpress.com/publicacoes/textos/texto-como-se-produz-caviar/;http://www.oceanconservationscience.org/publications/files/documents/SturgeonEnglish.pdf; http://wwf.panda.org/what_we_do/endangered_species/sturgeon/; http://www.traffic.org/home/2011/11/14/illegal-caviar-trade-poses-major-threat-to-danube-sturgeons.html; https://books.google.com.br/books?id=8g-rfQRqpSYC&pg=PA45&lpg=PA45&dq=the+caviar+industry&source=bl&ots=-7lLPqjs_m&sig=3X2P7KS6Vt82w52o1ZUvPnFpS_c&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwi56ee4i-PQAhWMPpAKHdv5BeQQ6AEIcTAM#v=onepage&q=the%20caviar%20industry&f=false.
Conheça outra espécie marinha considerada um fóssil vivo, como os esturjões: o celacanto, com 400 milhões de anos.
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2 COMENTÁRIOS

  1. Felix não se trata aqui de um direito inalienável seu ou de qualquer outro ser humano, trata-se de bom senso. Nos humanos temos todo tipo de alimento, do mais básico como o pão aos mais sofisticados, como o caviar, mas nem por isso, fazendo uso do nosso direito inalienável, podemos para matar a nossa vontade de pão, matar o padeiro. Este peixe/animal marinho está em extinção, acredito que tanto você quanto eu, apesar de apreciar o que dele é tirado, podemos buscar nos alimentar de outra forma que não provoque a sua extinção, quanto a sermos “comidos” ao morrermos, isso não se trata de extinção mas de decomposição.

  2. Antes do direito de qualquer animal, bem antes, séculos ou milênios, está o meu, inalienável, de comê-lo quando bem entender com fome e no prazer, pouco me importando pela opinião de quem quer que seja, ativista, lá quem for.
    Havendo a oportunidade, o farei, sejam as ovas maravilhosas ou já como caviar, pouco importa.
    Porque uma coisa é certa: quando eu morrer, sejam lá em que condições forem, serei comido sem dó nem piedade por todos os animais macro ou microscópicos, ao meu redor ou se não for antes por eles morto.

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