Economia circular: porque é preciso entrar nessa “onda”

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Economia circular: conheça e entenda porque é preciso entrar nessa “onda”

Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 76,4% das indústrias adotam alguma prática de economia circular no país. A notícia é bem-vinda, diante do aquecimento global. A crise climática está intimamente ligada com exploração de recursos naturais e industrialização. O que espanta é que a maioria dos entrevistados (70%) nada ouviu sobre “economia circular”, antes de participar da pesquisa da CNI. Embora pouco difundido na sociedade em geral, o conceito não é novo. Alguns estudos apontam ter surgido na década de 1970, na Europa. Outros afirmam que foi em 1989, em um artigo dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. Ou seja, já está aí há décadas. O bom é que é colocado cada vez mais em prática. Mesmo que em “doses homeopáticas”, como aponta a pesquisa CNI. E em baixa escala, como se verá adiante.

infográfico ilustra economia circular
Ilustração: https://eco.nomia.pt.

Economia circular, em benefício do desenvolvimento sustentável

Por isso, até parece “modismo”. Mas não é. Tem base científica. E sua aplicação poderia ser muito maior, em benefício de um desenvolvimento econômico sustentável. O conceito é amplo. Não se aplica apenas à indústria. A economia circular prega maneiras sustentáveis de exploração dos recursos naturais, processamento e produção de bens e serviços. Além de consumo responsável. Ela defende o compartilhamento, a manutenção, a reutilização, a remanufatura e a reciclagem de materiais e produtos. Nessa última etapa, o circulo se fecha e se renova. Produtos e materiais recicláveis voltam à linha de produção. Podem ser ainda transformados em novos produtos. Evita-se, assim, mais extração e consumo de matérias-primas.

Dia da Sobrecarga da Terra e a importância da economia circular

Nos tempos atuais, em que o ser humano consome muito mais do que a natureza pode oferecer, é preciso direcionar todos os holofotes para a economia circular. A fim de que seja cada vez mais aplicada. Neste ano, o Dia da Sobrecarga da Terra chegou ainda mais cedo, como vem acontecendo há 20 anos. Esse dia marca a data em que a demanda dos seres humanos pelos recursos da natureza extrapola o que os ecossistemas podem repor em um ano. Em 2019, foi em 29 de julho. Ou seja, em apenas sete meses o ser humano consumiu tudo o que deveria em um ano. Com isso, coloca em risco o abastecimento das gerações futuras.

Economia linear: gera mais poluição e lixões

Em relação à produção fabril, a economia circular muda o modelo convencional, que já perdura há mais de 200 anos. Está aí desde a revolução industrial. Esse modelo, que deveria estar ultrapassado, é conhecido como linear. É baseado na exploração de recursos, processamento e industrialização, consumo e descarte. Isto é, extrai, processa, consome e joga fora. É modelo que não se preocupa com a finitude dos recursos. Também gera poluição em suas diversas formas. Entre as quais, os lixões, que contaminam o meio ambiente, animais, além dos próprios seres humanos. E colocam a vida marinha em risco. Oceanos e áreas costeiras estão cada vez mais entupidos de lixo, especialmente plásticos.

Modelo convencional é responsável por 62% das emissões de gases 

Relatório da Circle Economy, divulgado em 2019, informa que as mudanças climáticas e o uso de materiais estão intrinsecamente ligados. A entidade calcula que “62% das emissões de gases do efeito estufa (excluindo-se as emissões geradas pelo uso da terra e pela silvicultura) são liberadas na atmosfera durante a extração, processamento e fabricação de bens para atender às necessidades da sociedade. Apenas 38% das emissões são dispersas na entrega e no uso dos produtos e serviços”. A Circle Economy é um grupo que trabalha para acelerar a implantação da economia circular nas organizações. Tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente.

Circle Economy: apenas 9,2% da economia mundial é circular

A ONU diz ser crescente a utilização de matérias-primas. “Mais do que triplicou desde 1970 e poderia dobrar novamente até 2050 sem ações para conter o fenômeno.” No entanto, informa pesquisa da Circle Economy, menos de 10% da economia mundial hoje é circular: “O planeta reutiliza 9,2% das 92,8 bilhões de toneladas de minerais, combustíveis fósseis, metais e biomassa usados todos os anos em processos produtivos”. “Um mundo (mais quente em) 1,5 º C só pode ser um mundo circular. A reciclagem, uma maior eficiência de recursos e modelos de negócios circulares oferecem uma enorme janela para reduzir emissões, ainda que a reciclagem do plástico seja um problema. Uma abordagem sistemática para a aplicação dessas estratégias viraria a balança na batalha contra o aquecimento global”, afirma Harald Friedl, CEO da Circle Economy.

Modelo circular torna economias mais eficientes

Friedl explica que “as estratégias para as mudanças climáticas dos governos focaram em energia renovável, em eficiência energética e em evitar o desmatamento. Mas elas ignoraram o vasto potencial da economia circular. Eles deveriam reprojetar as cadeias de suprimentos lá atrás, nos poços, campos, minas e pedreiras, onde está a origem dos nossos recursos. De modo que nós consumamos menos matérias-primas. Isso não apenas reduzirá emissões, como também impulsionará o crescimento, tornando as economias mais eficientes”.

Benefícios econômicos da reciclagem no Brasil

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima que apenas 13% do total dos resíduos urbanos gerados no Brasil são encaminhados à reciclagem. Publicado em 2017, ele diz “que os benefícios econômicos auferidos com o setor poderiam ser no mínimo seis vezes maiores com relação ao que se tem registrado atualmente”. Em outras palavras, o país despeja riqueza no lixo. “Do total de resíduo sólido no Brasil, estima-se que sua composição seja: 57,41% de matéria orgânica (sobras de alimentos, alimentos deteriorados, lixo de banheiro), 16,49% de plástico, 13,16% de papel e papelão, 2,34% de vidro, 1,56% de material ferroso, 0,51% de alumínio, 0,46% de inertes e 8,1% de outros materiais.”

Reciclagem: redução no consumo de energia

“Os benefícios ambientais associados à reciclagem podem se dar em diferentes dimensões, uma vez que ela evita uma série de externalidades negativas próprias do processo produtivo, tais como: perda de recursos madeireiros e não madeireiros, danos ao ciclo hidrológico, perda de biodiversidade, impactos sobre a saúde ocupacional. E danos à saúde humana oriundos de emissões atmosféricas. Outra questão de enorme relevância refere-se à redução do consumo de energia que ela permite”, prossegue o IPEA.  “Sob tal perspectiva, a atividade de reciclagem possibilita um duplo efeito de redução das externalidades negativas sobre o meio ambiente, uma vez que contribui para a melhoria da qualidade ambiental urbana. E reduz as pressões sobre os ecossistemas naturais de onde provêm aquelas matérias-primas virgens e demais insumos potencialmente substituíveis por materiais reciclados”, diz o IPEA.

IPEA: índice de coleta seletiva é baixo no Brasil

“Para potencializar os ganhos referentes a essa atividade, um dos principais instrumentos a serem considerados é a instalação de programas de coleta seletiva nos municípios brasileiros, envolvendo as etapas de coleta, transporte, tratamento e triagem do lixo gerado por famílias e empresas.” Mas o estudo do IPEA estima que “apenas 2,4% de todo o serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos no Brasil é executado de forma seletiva, sendo todo o restante realizado como coleta regular, sem a separação na fonte geradora”.

Reúso de água, reciclagem de materiais e logística reversa

De volta à pesquisa da CNI, ela mostra que parte da indústria brasileira tem adotado práticas como reúso de água, reciclagem de materiais e logística reversa. Robson Braga de Andrade, presidente da entidade, acredita, e com razão, “que ainda há muito potencial a ser explorado no uso eficiente de recursos naturais”. “Esse é o caminho para a inserção do país na economia de baixo carbono. Para isso, é imprescindível que haja uma ação articulada entre iniciativa privada, governo, academia e sociedade no sentido de criar novas formas de produzir e consumir.” Entre as razões para adotar a economia circular informadas pelos entrevistados da pesquisa CNI, estão redução de custos e novas oportunidades de negócios, com 47,3% e 22,6%, respectivamente.

Transição para a economia circular deve ser partilhada

O estudo da CNI mostra ainda que “60% das indústrias entendem que as práticas de economia circular podem contribuir para a geração de empregos na própria empresa. Ou na cadeia produtiva do setor. No entanto, 73% consideram que a transição para a economia circular deve ser uma responsabilidade compartilhada entre governo, consumidores e iniciativa privada. ‘No Brasil, para que a lógica circular se realize será necessário maior investimento em educação e inovação. Em um primeiro momento, as empresas terão de investir. Mas, em uma etapa seguinte, será possível diminuir custos operacionais por meio de processos mais eficientes e voltados para o reaproveitamento de resíduos e utilização de bens reciclados’”, diz o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcelo Thomé.

Economia Circular: oportunidades e desafios para a indústria brasileira”

Essa pesquisa da CNI entrevistou 1.261 indústrias escolhidas de forma aleatória. Em outra publicação, realizada um ano antes, a entidade traz diversos exemplos de economia circular aplicada no país. Denominada Economia Circular: oportunidades e desafios para a indústria brasileira”, ela aponta que a “economia circular é vista como oportunidade para o uso mais eficiente dos recursos e aumento da competitividade da indústria” nacional. “Para replicar o modelo de economia circular em larga escala, é necessário oferecer estímulos à reciclagem, à remanufatura, à reutilização, ao compartilhamento, à manutenção e ao redesenho de produtos.”

Negócios baseados em compartilhamento, digitalização e conhecimento

Segundo esse estudo, economia circular exige “uma visão sistêmica dos negócios, que terão de estar mais integrados aos diversos públicos de relacionamento das empresas, como clientes, fornecedores e comunidades. ‘Soluções pontuais para aumentar a eficiência dos processos e reduzir o consumo de recursos naturais devem ser ampliadas. No entanto, é preciso buscar soluções sistêmicas, que envolvem a criação de novos modelos de negócios, baseados em compartilhamento, digitalização e conhecimento’, afirma o coordenador do Programa de Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP), Aldo Ometto. Ele é um dos responsáveis pela elaboração do estudo da CNI”.

Fundação Ellen MacArthur e USP: estudos e disseminação da economia circular

A USP faz parte do “grupo de oito universidades pioneiras em projetos de economia circular no mundo. A universidade é parceira da Fundação Ellen MacArthur, responsável por disseminar o conceito para governos e empresas”, diz a CNI. “A universidade foi reconhecida no Fórum Econômico Mundial como uma das seis principais em estímulos a esse modelo de negócio. ‘Estamos desenvolvendo pilotos com os setores têxtil, eletroeletrônico e plástico’, conta Ometto. ‘O Brasil tem plenas condições de ser um dos líderes mundiais em economia circular por ter um capital natural abundante e riqueza social e cultural’, ressalta. No entanto, ele pondera que o país precisa solucionar problemas básicos. Entre eles,  universalizar o saneamento básico e melhorar a qualidade da educação e da infraestrutura”.

Programa Mineiro de Simbiose Industrial é exemplo

Entre os exemplos práticos de economia circular no país abordados no estudo da CNI, está o Programa Mineiro de Simbiose Industrial. Criado em 2009, ele vem sendo implementando desde então no município de Sete Lagoas, embora esteja em fase de expansão para outras cidades. “O programa identifica oportunidades para indústrias negociarem recursos e resíduos por meio de processos de interação que envolvem encontros empresariais e preenchimento de formulários para possibilitar que ofertantes de resíduos encontrem compradores para esses materiais. Ao longo de oito anos, o Simbiose Industrial beneficiou 760 empresas. Juntas, elas conseguiram reduzir em quase R$ 9 milhões os custos com aquisição de matéria-prima e materiais. No aspecto ambiental, o programa possibilitou reutilização de quase 140 mil toneladas de resíduos. Uma economia de 195 mil toneladas de matérias-primas e reúso de 14 mil metros cúbicos de água.”

Raspas de salgados transformadas em ração

Entre os exemplos do Simbiose Industrial, está a Granja Barreirinho, de Sete Lagoas. Ela “recolhe raspas de salgados da indústria PepsiCo que não passam no controle de qualidade para comercialização”, explica a CNI. E transforma esse material em ração para porcos e compostagem. “As raspas de salgados aceleram o desenvolvimento dos animais por possuir maior valor energético que outras rações”, diz José Arnaldo Penna, proprietário da Granja. “O processo de comercialização de resíduos e outros recursos que sobram de uma empresa para outra se torna cada vez mais comum. ‘Já estamos negociando para receber outros tipos de resíduos, como de poda de árvores e lodo, para usar em hortas comunitárias’, destaca Penna, que planeja expansão dos negócios.”

Redução de desperdícios gera ganhos

“No distrito industrial de Sete Lagoas, desde setembro de 2018, 19 empresas se uniram para desenvolver de forma sistemática um modelo de negócio coletivo de prestação de serviços para reaproveitamento e intercâmbio de recursos. As negociações envolvem desde serviços laboratoriais e cessão de horas de profissionais até venda de resíduos e água. A iniciativa, que reduz desperdícios e custos das empresas e gera ganhos sociais, ambientais e econômicos, é pioneira em economia circular no setor industrial brasileiro. O modelo envolve os setores alimentício, automotivo e de autopeças, metalmecânico e têxtil.”

Programa Circular Economy

Outras boas iniciativas de práticas de economia circular no país estão no estudo “Uma Economia Circular no Brasil: Uma abordagem exploratória Inicial”. Ele foi produzido pelo Programa Circular Economy, ou CE100 Brasil, criado em 2015 e ligado a Fundação Ellen MacArthur.  Conforme o documento, “o estudo se concentra em três setores importantes para a economia brasileira: agricultura e ativos da biodiversidade, edifícios e construção e equipamentos eletroeletrônicos. O trabalho se baseia na reunião de conclusões extraídas de entrevistas aprofundadas com mais de 25 representante de negócios, acadêmicos e formuladores de políticas no Brasil”.

Cases brasileiros de economia circular

O estudo relata cases da economia circular no Brasil. Entre os quais, alguns do setor de construção. “Como ocorre em outros países, o setor de construção brasileiro atualmente se baseia em grande parte no modelo linear. Isso traz um nível significativo de perdas estruturais. Atividades de demolição e construção produzem de 50% a 70% do lixo encaminhado para aterros sanitários nas cidades brasileiras, a um custo cada vez mais alto para os governos municipais e as próprias construtoras. Como 85% da população do país atualmente se concentra em áreas urbanas, um índice que deve atingir 91% até 2050, é importante que as cidades desempenhem papel central nas vias de desenvolvimento econômico.”

Conceito aplicado no setor da construção

“Os princípios da economia circular, tal qual aplicados no setor de edifícios e construção, incorporam todos os aspectos da criação de um edifício. Entre eles, estão um projeto que leve em conta aspectos de modularidade e flexibilidade. E o suprimento de materiais eficazes, processos construtivos eficientes, o compartilhamento de espaço e a operação eficaz dos edifícios. Isso inclui serviços de edificação e a infraestrutura do entorno que podem ser projetados para apoiar a recuperação de resíduos orgânicos e não orgânicos. E, por fim, reforma, requalificação e desmontagem de edifícios.”

Nossa Casa Planejada, Precon Engenharia, Goma e Vitacon

Dentro desse conceito, o estudo cita como exemplo a Nossa Casa Planejada, a Precon Engenharia, a Goma e a Vitacon, entre as principais. A Nossa Casa Planejada é uma startup do Tocantins. Ela  desenvolveu uma tecnologia de recuperação de materiais a partir de resíduos de construção e mineração. E produz blocos modulares que funcionam “como peças de lego”. Ainda “possibilitam a construção de edifícios modulares a baixo custo. Sua estratégia de suprimento elimina a necessidade de uso de cimento. E, devido à estrutura modular, os edifícios podem ser reformados e reconstruídos sob demanda”.

Eliminação de resíduos dos processos construtivos

Já a Precon Engenharia, “fornecedora de pré-fabricados de concreto, criou uma unidade de pré-fabricação que produz peças para a montagem de edifícios. A empresa reduziu o tempo de construção à metade. E eliminou 90% dos resíduos do processo, comparativamente aos métodos de construção tradicionais. A Vitacon, por sua vez, “está lançando prédios residenciais com uma nova proposta de valor: apartamentos pequenos projetados para integrar o espaço residencial à mobilidade urbana”. A incorporadora imobiliária oferece planos de locação de automóveis, motocicletas e bicicletas compartilhados para os residentes de alguns de seus edifícios em São Paulo. Alguns prédios também contam com serviços compartilhados. Entre eles  áreas de co-working, lavanderia, serviços de limpeza, espaço para ferramentas e armazenamento”.

Economia circular e os espaços de co-working

Como se vê, a economia circular vai além da produção industrial. “O surgimento de espaços de co-working e casas colaborativas em cidades brasileiras está criando novas formas de utilização do espaço no ambiente urbano”. A Goma, “um ecossistema de empresas e empreendedores, ocupa edifícios que estavam abandonados e degradados. A Goma não só revitalizou esses prédios, conforme princípios da economia circular no que diz respeito ao uso de recursos e integração ao ambiente natural da cidade. A empresa também criou uma atmosfera vibrante que revigorou a região”.

UberAirbnb e o aluguel de bikes e patinetes

“Economia circular é você fazer mais com menos. Serviços como os oferecidos por UberAirbnb e até lavanderias vão nessa linha”. Foi o que disse à Veja o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo. E nessa pegada se encaixam iniciativas como o aluguel de bikes e patinetes elétricos que tomaram as ruas da capital paulista nos últimos anos. E também a plataforma Tem Açúcar. Ela foi criada para estimular a camaradagem. As trocas e a cultura do compartilhamento entre vizinhos. “As trocas ocorrem em modelo não monetizado. Ou seja, na base do empréstimo entre os usuários.”

Tem Açúcar, mais de 150 mil pessoas compartilhando

Lançado em 2014, o aplicativo Tem Açúcar “foi um sucesso imediato. Conseguiu  30 mil usuários em apenas um mês de operação. Hoje, são mais de 150 mil pessoas compartilhando qualquer objeto em mais de 10 mil bairros em todos os estados do Brasil”. Metade dos objetos solicitados é conseguida, sendo 25% deles dentro de meia hora. “Esse modelo de empréstimo ajudou os usuários a economizar um total de 7,8 milhões de reais. Uma estimativa que se baseou no preço médio de cada objeto transacionado desde o lançamento da plataforma.”

Sabesp premiada por projeto de economia circular

Recentemente, a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo conquistou o primeiro lugar no Prêmio Ideias em Ação 2019. O prêmio é concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto que levou a empresa à premiação é pura economia circular. Foi implantado na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de Franca, interior paulista. Ele utiliza “a estação não só para o tratamento de esgoto, mas também para geração de energia elétrica e fotovoltaica. Geração de biometano conhecido como biogás. E, ainda, de fertilizantes para agricultura. O objetivo é extrair recursos úteis dos quais se espera apenas resíduos indesejáveis”, diz o governo do Estado de São Paulo.

Otimização, reutilização, reaproveitamento e reciclagem

“A economia circular abrange a otimização, reutilização, reaproveitamento e reciclagem de materiais. É um novo conceito que a companhia está utilizando. Ele proporciona uma mudança cultural na qual a ETE deixa de ser vista como uma produtora de resíduos e passa a ser considerada uma recuperadora de recursos. Na estação de Franca, foi aplicado o conceito de economia circular via uma parceria de sucesso entre as áreas Operacional e de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação da Sabesp. O efluente líquido tratado produz água de reúso não potável, realimenta o rio. E produzirá energia elétrica para a ETE por meio de uma turbina implantada no canal de saída da planta.”

Resíduos que geram riqueza

“O lodo gerado será usado como fertilizante na agricultura. O biogás gerado do tratamento já é usado como combustível veicular. E também será aproveitado na produção de energias elétrica e térmica e ainda tem potencial para ser injetado em rede de distribuição de gás. A energia solar será aproveitada na geração de energia elétrica fotovoltaica. Trata-se de um exemplo completo do conceito de economia circular. Ele gera riqueza em vez de resíduos para a natureza”, diz Edison Airoldi, diretor de Tecnologia, Empreendedorismo e Meio Ambiente da Sabesp.

Prêmio Ideias em Ação 2019

O Prêmio Ideias em Ação 2019 avaliou 30 trinta projetos de diversos países. “O projeto submetido é complexo e é um grande desafio implantar o conceito de economia circular na Sabesp, pois devemos analisar os vários aspectos, passando por questões tecnológicas, logísticas, administrativas, facilidade de manutenção, vida útil, medição e controle, automação, dentre vários outros.” A Sabesp começou a usar, em abril de 2018, o biogás gerado no tratamento do esgoto para movimentar sua frota de veículos em Franca. “Atualmente, não se tem conhecimento de outro projeto dessa magnitude para produção de biometano para uso veicular, gerado a partir do tratamento de biogás resultante do tratamento de esgotos na América Latina.” O investimento total no projeto é de R$ 7,4 milhões e foi feito pela Sabesp em parceria com o Instituto Fraunhofer IGB, da Alemanha.

Imagem de abertura: https://eco.nomia.pt

Fontes: https://www.circle-economy.com/; https://docs.wixstatic.com/ugd/ad6e59_ba1e4d16c64f44fa94fbd8708eae8e34.pdf;  https://nacoesunidas.org/economia-circular-pode-ajudar-paises-a-combater-mudancas-climaticas-diz-relatorio/; https://nacoesunidas.org/no-dia-de-sobrecarga-da-terra-onu-celebra-estilista-brasileira-que-transforma-lixo-em-luxo/; https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/sustentabilidade/764-das-industrias-desenvolvem-alguma-iniciativa-de-economia-circular-mostra-pesquisa-da-cni/; https://bucket-gw-cni-static-cms-si.s3.amazonaws.com/media/filer_public/a5/ab/a5abebbb-3bc9-4aed-9f2f-8914358d2f00/economia_circular__-_pesquisa_cni_2.pdf;http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/mapa-estrategico-da-industria/reportagem-especial/capitulo-6-economia-circular-traz-oportunidades-para-avanco-da-agenda-da-sustentabilidade-no-brasil/; https://bucket-gw-cni-static-cms-si.s3.amazonaws.com/media/filer_public/2f/45/2f4521b9-d1eb-44f7-b501-cda01254738a/miolo_economia_circular_pt_web.pdf; http://www.saopaulo.sp.gov.br/ultimas-noticias/sabesp-conquista-premio-do-bid-por-projeto-de-economia-circular-em-franca/; https://bluevisionbraskem.com/inteligencia/como-a-economia-circular-muda-a-maneira-que-consumimos/; https://exame.abril.com.br/economia/economia-circular-empresas-praticam-por-sobrevivencia-e-nem-sabem/; http://www.temacucar.com/.

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8 COMENTÁRIOS

  1. A economia circular tem q ser incentivada e implantada no lugar da economia linear responsável pela mudança do clima e esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta. É uma missão de todos nós q temos consciência ecológica e q nos preocupamos c o futuro do planeta e um mundo melhor para nossos filhos e netos

  2. Precisamos de políticos mais preparados para colocar a economia circular em acäo mais rapidamente.
    Poderia-se premiar as idéias e projetos vindos da sociedade. Os investidores têm que ser convencidos dos benefícios. Em resumo, cada um de nós deve fazer sua parte e tentar montar grupos de trabalho.

  3. Periodicamente os economistas lançam uma moda, com frases de efeito atraentes sem muito conteúdo prático, que caem no esquecimento em breve. Já vi inúmeras: 5S, Certificações ISO, Reengenharia, … É para vender assessorias para as empresas.

    • Digo para todos os jovens em dúvidas sobre qual faculdade a fazer: comunicações. Todos as pseudos economias precisam dos delírios verborrágicos para mentirem sem limites para empurrarem produtos cada vez menos duráveis e inúteis. E quem melhor que é pago para delirar impunemente???

    • Concordo c vc. Entretanto, a economia circular terá um impacto extraordinário positivo no meio ambiente e se nada for feito os desastres ambientais q já vêm acontecendo vão se intensificar até q aconteça o caos se instale na Terra.

  4. Não gosto quando um conceito aparece como panaceia. Sou favorável à economia circular, acho esse um processo interessante, mas desconfio quando não aparecem suas desvantagens. Nada é perfeitamente eficaz. Nada é a solução para todos os problemas. Outro ponto negativo do texto é que é tudo muito genérico. Tem que haver estudos sobre a aplicação desse conceito em cada caso, analisar suas reais consequências. Exemplo: o que tem maior custo ambiental e de saúde pública? Plantar árvores, produzir papel, usá-lo e descartá-lo no lixo ou coletá-lo, reciclá-lo e reutilizá-lo, levando em consideração os riscos de contaminação desse material. Isso tem que ser bem analisado. Não dá para aplicar um conceito de forma genérica em todas as situações.

  5. O valor de mercado, o oposto imediato do preço de mercado, resolve todos esses problemas e outros como o das moedas virtuais. Cap. 10 tomo III de O Capital. Para uma visão geral e atual com exemplo concreto, ver Market price To market value: a theoretical bus trip no Journal of US-China Public Administration de agosto de 2011. Vale conferir!

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