Corais ameaçados, perigo iminente para a vida marinha

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Corais ameaçados

Corais ameaçados: Atualizado em 3/03/16

Na segunda semana de fevereiro  The Economist, provavelmente a mais prestigiosa revista do mundo, publicou uma matéria alarmante sobre as ameaças aos corais, o mais importante ecossistema marinho.

De onde vem o colorido dos corais?

O texto explica que o colorido dos corais, que fascina mergulhadores, é formado por microalgas unicelulares que crescem em simbiose com o tecido dos corais. No processo de fotossíntese as algas transformam o dióxido de carbono em oxigênio e carboidratos, dando às estruturas dos corais a energia que precisam para formar seus esqueletos. Mas este delicado equilíbrio está ameaçado pelo ser humano em prazo curto e longo.

Corais ameaçados, foto de coral colorido
Corais ameaçados. Foto: revistapgn.globo.com

Turismo e poluição: corais ameaçados do Havaí

Segundo a Economist, os corais da ilha de Oahu, Havaí, estão ameaçados no curto prazo pela sobrepesa, turismo, e poluição. No longo prazo a ameaça são os gases do efeito estufa. As algas, através da fotossíntese,  fazem os oceanos absorver cerca de 30% do dióxido de carbono que emitimos, tornando suas águas mais ácidas, dificultando o processo de calcificação das estruturas dos corais.

Corais ameaçados, foto de turistas mergulhando entre corais
Corais ameaçados. Foto: viagem.uol.com.br

Branqueamento dos corais

Outro problema é o aumento da temperatura dos oceanos que  prejudica as algas. Quando isso acontece há uma diminuição das espécies (de algas) presentes no tecido dos corais. O exuberante colorido das estruturas, sinal de biodiversidade, empobrece, ocorrendo o branqueamento dos corais, tornando-os vulneráveis a doenças.

corais ameaçados, foto do branqueamento de corais
Foto:ecodebate.com.br

El Ninho e corais não se dão bem

Segundo a Economist, só duas vezes ocorreu semelhante branqueamento. A primeira coincidiu com o El Ninho  (1997-98), o maior fenômeno climático mundial, responsável pelo aquecimento da superfície do Pacífico. A segunda vez aconteceu em 2010. Uma terceira está acontecendo neste momento. No desastre de 1997- 98, cerca de 16% dos corais morreram. O atual branqueamento, mais uma vez coincidindo com o El Ninho, pode ter afetado 38% dos corais de todo o mundo.

Corais cobrem menos de 0.1% do assoalho marítimo mas são o suporte para um quarto das espécies marinhas

Os corais são encontrados desde o Oriente Médio até a Austrália, passando pelas Américas. Eles cobrem menos 0.1% do assoalho marinho. Mas sua importância é muito maior. Eles protegem 150 mil quilômetros de litorais (contra a maresia), em mais de 100 países, agindo como uma antepara especialmente com mau tempo.

Corais também são o suporte para um quarto das espécies marinhas, e agem como berçário para inúmeras outras. No sudeste asiático os corais mais ricos ficam no que os pesquisadores chamam de “triângulo de corais”, área com 86.500 Km2, que contém dois terços da espécies de corais, e 3 mil espécies de peixes recifais.

Corais ameaçados, mapa mostra o triângulo dos corais
Mapa mostra o ‘triângulo de corais’

Nos últimos 50 anos estas lindas estruturas sofreram a pressão da ação humana. Cerca de 1/4 dos corais morreram. Os que estão em pior situação são os corais que ficam mais próximos das praias. Um dos problemas é causado por protetores solares, e loções. As pessoas passam os cremes e, antes mesmo de secarem, entram nágua. São milhares de pessoas, milhares de corpos besuntados por produtos químicos. O prejuízo para a vida marinha é certo.

Fertilizantes: inimigos dos corais

Mas o pior estrago é feito por fertilizantes usados na agricultura. Ao chegarem ao mar, inexorável destino final, estes implementos tornam-se alimento para algas nocivas que se proliferam de modo desproporcional, muitas vezes bloqueando a luz solar que os corais precisam para crescerem e se fortalecerem. A pesca, próxima aos recifes de coral, também contribui ao diminuir a população de peixes herbívoros,  fazendo com que haja crescimento descontrolado da vegetação marinha.

Ilhas artificias no sul da China

A matéria traz dados sobre os corais do sul da China, ameaçados pela construção de ilhas artificiais, e a pesca de moluscos gigantes. Os danos  vão além da capacidade de regeneração destes animais.

corais ameaçados, foto de ilhas artificiais na China
Foto: AP

Os corais como chamariz de turistas: problema ou solução?

O turismo na Grande Barreira de Corais, Austrália, movimenta US$ 4.6 bilhões de dólares apenas para a província de Queensland, um dos seis estados australianos, onde se localiza a Grande Barreira. Mesmo com estes recursos a ONU inclui mais este Patrimônio Mundial da Humanidade na lista dos que estão “em perigo”.

corais ameaçados, foto de um coral amarelo
Corais ameaçados. Foto:ultradownloads.com.br

Um Km2 de corais valem 50 mil dólares

Em todo o mundo os corais são atrativos ao turismo. Estimativas sugerem que o valor dos corais de Martinica, e Santa Lucia, atingem a cifra de 50.000 mil dólares por Km2, ao ano, graças ao turismo. Mas o turismo desordenado é também uma séria ameaça. A construção de enormes hotéis perto da praia podem ser uma atração para tantos visitantes, mas o processo de construção pode matar a galinha dos ovos de ouro. Os sedimentos das obras acabam no mar, mais uma vez bloqueando a luz solar, essencial para a vida destes organismos.

Políticas ‘taylor made’ para cada situação

O mix de problemas varia de lugar para lugar, exigindo políticas “taylor made” para cada um. A revista diz que os 3 países com mais pescadores de recifes de coral estão na região do triângulo dos corais: Papua Nova Guiné, Indonésia, e as Filipinas. Nos dois últimos, mais  de um milhão de pessoas dependem dela para sobreviver. Evitar uma tragédia, diz a Economist, significa concordar que a pesca deve ser regulada e restrita.

Metas de Aichi: até agora só 3% do espaço marítimo esta protegido

A matéria cita as metas de Aichi, acordo internacional do qual o Brasil, e a maioria dos países membros da ONU são fiadores, que propõe entre outras , que 10% do litoral, e mar territorial de cada país, sejam transformados em áreas protegidas. Até agora, diz Economist, os objetivos estão longe de serem alcançados. Só 3% do espaço marítimo recebe proteção.

A tecnologia a serviço da preservação: vem aí os drones à vela

Corais ameaçados, gráficos mostram os drones à vela
Corais ameaçados

Criar áreas protegidas no papel não é a melhor estratégia. A revista cita George W. Bush que, em 2009, criou três  monumentos marinhos no Pacífico, incluindo cerca de 518 mil Km2 de áreas recifais. A área é tão remota que fica difícil controlar a entrada de navios pesqueiros em seu interior. Algumas vezes são usados satélites para o controle, mas eles não são suficientes para barrar a pesca. Reconhecendo a dificuldade, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência norte- americana cujo alcance, como eles próprios dizem, “vai da superfície solar até as mais profundas áreas marinhas”, está trabalhando no aperfeiçoamento de ‘sailing robots’, espécie de drones à vela, com a empresa privada Saildrone . Seu custo é de menos de US$ 500.00 mil dólares. Estes drones  fiscalizarão áreas remotas por meses seguidos, barateando o custo da operação. Eles ainda podem fotografar os navios pesqueiros, evidenciando o crime ao mesmo tempo em que monitoram a acidificação das águas pelas quais navegam.

Corais ameaçados, foto de um drone à vela
Corais ameaçados. Sail drone sendo testado

Países pobres e estratégias com menos tecnologia

Nos países mais pobres, entretanto, técnicas menos modernas de vigilância são necessárias. Na Malásia, por exemplo, apenas 0.09% de seu mar territorial está protegido. Mas o programa nacional de pesca do país exige que os barcos de pesca sejam pintados com cores que determinam até que distância eles podem pescar. Como os pesqueiros precisam ser repintados anualmente, não houve grande aumento de custo, ao mesmo tempo em que qualquer barco privado pode reconhece-los de longe, e avisar as autoridades caso estejam em áreas proibidas.

As parcerias público privadas podem ser parte da solução

Parecerias público privadas também ajudam. Um projeto piloto em Barbados, financiado em parte pelos hoteleiros locais e organizações de turismo, vai passar cobrar entrada de turistas em áreas protegidas geridas pelo Blue Finance, um fundo de investimentos alternativo, apoiado pelo programa ambiental da ONU, UNEP. O custo da criação da área protegida, MPA em inglês, é de um milhão de dólares, e sua manutenção anual custará metade deste valor. De acordo com Nicolas Pascal, um ambientalista/economista, “os investidores não se incomodam se as taxas de retorno forem um pouco abaixo da média do mercado, desde que estejam beneficiando Barbados”.

corais ameaçados, foto de um coral
Foto: ninha.bio.br

Ambientalistas brasileiros: reféns de dogmas da esquerda

Infelizmente um país atrasado, como o Brasil, pouco pode aproveitar destes mecanismos. Parte significativa de nossos ambientalistas, ainda presos a dogmas da esquerda, não aceitariam. Senti na pele a força deste atraso intelectual. Recentemente fui convidado a palestrar na FURG, Fundação Universidade do Rio Grande, RS, que, ao lado da USP, é uma das mais importantes Universidades brasileiras com cursos de oceanografia,  oceanologia, e diversos trabalhos de cientistas e pesquisadores no litoral, mar territorial, e Antártica. Ao sugerir que as falidas Unidades de Conservação federais do bioma marinho fizessem acordos com a iniciativa privada quase apanhei dos mais radicais  estudantes que, com celulares na mão, recusaram-se a continuar assistindo a palestra, retirando-se do recinto depois de atacarem minha sugestão com os surrados jargões da velha e atrasada esquerda brasileira: “de novo você quer entregar o Brasil à incitava privada”, bradavam, sempre com celulares na mão…Coitados, ignorantes, não se dão conta que só conseguem se comunicar com os “companheiros”, ou com a tigrada do PT, devido justamente à entrada da iniciativa privada no até então feudo estatal das comunicações. Como manter uma discussão de alto nível com gente de tão baixo nível?

Este ano também palestrei no oitavo Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, VIII CBU, promovido pela Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza, em Curitiba. Fiz a mesma palestra, que gerou o mesmo barulho entre os mais retrógrados. Três estudantes presentes vieram para cima de mim, ao final, babando de ódio. Fazer o quê?

Conclusão: otimista apesar de tudo?

A conclusão da matéria  é que a biodiversidade global dos corais pode ser a chave da salvação. O mesmo coral cresce de forma diversa em diferentes condições. As características que contribuem para que certos corais sobrevivam em condições pouco usuais, pode ajudar outros a enfrentar as duras mudanças climáticas. Segue a íntegra da matéria original.

Novidades ruins para  Grande Barreira da Austrália

Nova matéria, compartilhada por ninguém menos que Sylvia Earle em 24 de fevereiro de 2016, minha Guru, dá conta que um estudo recente mostra que os problemas causados pela acidificação na Grande Barreira de Corais, descrita como a Sétima Maravilha do Mundo, podem ser muito maiores que se imagina. Mais de 3.000 mil tipos de corais foram estudados na região nordeste da Grande Barreira. A matéria diz que, depois disso,

fica comprovado que algumas partes (da Grande Barreira) já estão enfrentando condições que cientistas previram anos atrás.

Segundo pesquisadores do Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), na Austrália; e a King Abdullah University of Science and Technology, na Arábia Saudita,

Isto significa que o declínio do icônico sistema seja mais acentuado que os cientistas temiam

Corais ameaçados, imagem aérea de corais

Corais ameaçados: causas da acidificação

Desde a Revolução Industrial, portanto desde 1850- 1900, os oceanos absorvem cerca de 30% dos gases do efeito estufa. Isso transformou o pH, antes alcalino em torno de 8, em mais ácido. Cientistas calculam que, neste período, a alcalinidade caiu 0,1 unidade; de 8,2 para 8,1. Parece pouco, conclui, “mas mesmo esse tanto já esta sendo sentido pelos corais”.

mais CO2 na água do mar significa mais dificuldade para os corais, e outras estruturas marinhas, construírem seus casulos de proteção. Com a queda da taxa, os casulos se dissolvem mais rápido do que podem ser construídos

Outro estudo demonstra que a cobertura dos corais, ao longo da Grande Barreira, esta de 20%, à 30% mais baixa, que em 1960. Isso mostra os principais problemas causados pela acidificação.

Espetacular trailer de ‘Journey to South Pacific’ mostra o triângulo de corais

O canal de Suez, uma obra monumental feita em 10 anos

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