Cavalo- marinho, mais um peixe ameaçado

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Cavalo- marinho, mais um peixe ameaçado de extinção

A sua forma estranha e incomum fascina, e confunde, as pessoas. O cavalo- marinho é o quê, afinal? Apesar da aparência, trata-se de mais um tipo de peixe.

Três espécies no Brasil

No Brasil existem três espécies: o Hippocampus reidi, o cavalo-marinho do focinho longo; Hippocampus erectus, o cavalo-marinho raiado e Hippocampus patagonicus, o cavalo-marinho do focinho curto. A origem do nome vem do grego antigo, hippos (cavalo) e kampos (monstro marinho).

cavalo-marinho-, imagem de Cavalo- marinho
Cavalo- marinho. Foto: Projectseahorse.org

Cavalo – marinho: no mundo existem cerca de 48 espécies

De acordo com o ISeahorse.org

O número de espécies de cavalos-marinhos  é ponto de conflito para os cientistas, com as relações entre as várias espécies não totalmente resolvidas. O Projeto Seahorse reconhece 48 espécies. No entanto, este número é susceptível de aumentar com mais pesquisas taxonômicas.

Habitat dos Cavalos- marinhos encontrados no Brasil

As três espécies brasileiras estão distribuídas ao logo da costa. Habitam ambientes semelhantes, com a ressalva que o Hippocampus reidi, a mais comum, ocupa tanto os estuários, quanto o mar. Hippocampus erectus e H. patagonicus ocupam o ambiente marinho, sendo raros os registros em estuários.

Ameaças: turismo desordenado e venda de amuletos no Norte…

Além da pesca incidental e desaparecimento de habitats. Em Maracaípe, ao lado da famosa Porto de Galinhas, PE, existe um santuário destes animais. Os curiosos peixes tornaram- se atração para turistas. O Mar Sem Fim visitou o local na primeira viagem pela costa brasileira, entre 2005 – 2007. Causou forte impressão o grande adensamento da região costeira, e a ocupação desordenada.

cavalo-marinho, imagem de um nativo segurando pote com cavalo marinho
Cavalo- marinho. O processo em Maracaípe é este: os nativos pegam os animais, colocam no pote e… (foto: mar sem fim)

O turismo, que poderia ser uma solução para as populações nativas do litoral, já que a pesca apresenta um declínio irreversível, acabou resultando no desaparecimento de 80% da população de cavalos- marinhos de Maracaípe.

Cavalos-marinhos secos, vendidos como amuletos

A outra surpresa que este site encontrou foi a visita ao mercado Ver-o- peso, em Belém. Ali estão à venda pencas de cavalos- marinhos secos. Além de vários outros animais, como cobras por exemplo. E não há fiscalização. Os Cavalos- marinhos secos são vendidos como amuletos, ou afrodisíacos, conforme a crença do freguês.

cavao-marinho, imagem de Cavalo- marinho num vidro sendo mostrado para turista
Cavalo- marinho…e mostram aos turistas. (Foto: mar sem fim)

A camuflagem perfeita dos cavalos- marinhos.

cavalos-marinhos, imagem de Cavalos-marinhos mimetizados
Cavalos-marinhos mimetizados esta é sua única proteção contra predadores

Quando no mangue, podem ser verdes…

imagem de Cavalo- marinho verde

Ou azuis, em mar aberto…

imagem de Cavalo- marinho azul

Cavalos – marinhos tornam-se brincos, pingentes ou chaveiros no Brasil

O Brasil abriga intenso comércio doméstico de animais secos, que são vendidos em feiras-livres, mercados de artesanato, lojas de artigos relacionados a religiões afro-brasileiras ou por vendedores ambulantes que comercializam os exemplares, sobretudo na forma de brincos, pingentes ou chaveiros.

Cavalos- marinhos: 20 milhões  comercializados por ano; panacéia na medicina asiática; eles fazem parte da mitologia

Matéria da Folha de S. Paulo diz que

mais de 20 milhões de peixes são comercializados por ano, envolvendo 40 países e territórios. Eles existem há mais de 40 milhões de anos. Na medicina asiática o cavalo- marinho é quase panacéia, receitado para praticamente todos os males. Por isso os preços altos. Em Hong Kong o quilo pode alcançar US$ 1.200 dólares. Eles também fazem parte da mitologia, atribuindo-lhes os antigos romanos o privilégio de puxar o carro de Netuno.

Brasil: um dos maiores exportadores mundiais de cavalos- marinhos

O mesmo plano do Ibama reconhece que

O Brasil participa ativamente do comércio internacional de cavalos- marinhos, sendo um dos maiores exportadores de indivíduos vivos para fins de aquarismo no mundo, e o maior da América Latina (BAUM; VINCENT, 2005).

Ibama reconhece que os Cavalos- marinhos estão na lista mundial dos peixes ameaçados de extinção. Mas não toma outra providência além do reconhecimento

Um  documento do órgão reconhece o perigo por que passam os peixes desta espécie, não apenas no Brasil, mas no mundo:

Para as duas espécies de cavalos-marinhos da costa brasileira, as cotas foram definidas para manter as capturas e exportações em níveis mínimos, com base nos seguintes relatos de pescadores: (1) as populações já apresentam declínios acentuados nas capturas, (2) as espécies são objeto de extração para múltiplas finalidades, (3) sofrem com a captura acidental em grandes quantidades, (4) que os seus habitats estão submetidos a ações antrópicas negativas e (5) que mundialmente os cavalos-marinhos estão ameaçados de extinção, constando inclusive no Apêndice II da Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora-CITES.

Se, como diz o documento, “as populações já apresentam declínios acentuados” por que permitir sua captura? Só mesmo no país de Macunaíma…

Cavalos-marinhos, imagem de Cavalos-marinhos grávidos
Outra curiosidade: os machos são os que ficam grávidos

Proposta de Plano de Gestão “para uso sustentável” de Cavalos- marinhos do Brasil- 2011 (o Plano é do Ibama, as aspas, deste site)

Depois de tudo que já se sabe, em 2011 o órgão perdeu tempo apresentando um imenso Plano de Gestão para “uso sustentável” Cavalos- Marinhos! Entre outras, o documento reconhece que estes animais estão incluídos

 na Lista Vermelha da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, 2009)

Os principais motivos são:

degradação de seus habitats naturais como bancos de “capim” marinho (seagrass beds), recifes de coral e manguezais, captura incidental em aparelhos de pesca (bycatch), sobre-exploração para uso em medicinas tradicionais como peixes ornamentais, curiosidades ou amuletos

Por que proteger os Cavalos- marinhos

De acordo com o projectseahorse.org, os principais motivos para protege-los são:

Os cavalos-marinhos devem ser protegidos por razões biológicas, ecológicas e econômicas. Sua extraordinária história de vida – apenas o macho fica grávido e algumas espécies são sazonalmente monogâmicas. Eles são predadores importantes de organismos que habitam o fundo; removê-los pode perturbar os ecossistemas costeiros. Eles também são uma importante fonte de renda e segurança alimentar para os pescadores de subsistência em muitas partes do mundo. As proteções para os cavalos-marinhos beneficiam muitas outras espécies e ecossistemas marinhos.

Apesar de lerdo, é importante predador

Só para se ter um a ideia. O índice de capturas do tubarão é de 55%. O dos cavalos- marinhos, 90%. Não é incrível? Assista o vídeo e descubra por que.

A reprodução do cavalo- marinho

A reprodução se inicia quando os ovos da espécie são transferidos da bolsa incubadora da fêmea para a do macho, no momento do acasalamento. … Um cavalo-marinho macho geralmente gera 100 a 500 filhotes por gestação, dependendo da espécie.

E neste sensacional vídeo, a reprodução:

Fontes: ISeahorse.org ; ibama.org; projectseahorse.org; Folha de S. Paulo; http://news.nationalgeographic.com.

Imagem de abertura:http://news.nationalgeographic.com.

No Brasil Cavalos- marinhos tornan-se brincos, ou pingentes. Na China vendem-se animas marinhos plastificados. Quem é pior? Duro saber.

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2 COMENTÁRIOS

    • Desde que foi descrito como “um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum cavalo- marinho.”

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