Vikings colonizaram os Açores: é a nova tese

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Vikings colonizaram os Açores: é a nova tese

Oficialmente, a descoberta do arquipélago dos Açores, composto por nove ilhas dispostas em três grupos, é atribuída ao nauta lusitano Diogo de Silves em 1427. Mas, mesmo alguns titãs da historiografia lusitana têm dúvidas a respeito. O historiador português Armando Cortesão (1891-1977), por exemplo, admitia a hipótese de que as ilhas teriam sido descobertas pelos Fenícios, grandes navegadores do passado. Outros estudiosos dizem que as ilhas já apareciam em cartas de Soligo, desenhadas entre 1475 e 1482. Agora, para embaralhar mais o tema, surge uma nova tese: os Vikings colonizaram os Açores.

Gravura de barcos Vikings
Ilustração usada pela science.org com a legenda: Navios vikings, como os retratados aqui em uma aquarela de 1889 de Hans Gude, podem ter transportado exploradores nórdicos para os Açores.

Vikings colonizaram os Açores: é a nova tese

A tese tem como base os tipos de ratos encontrados nas ilhas. Como assim? Jeremy Searle, biólogo evolucionista da Universidade Cornell propôs, em artigo publicado na revista Journal of Evolutionary Biology, em 2015 (que só agora descobrimos), uma ligação nórdica das ilhas baseada nas semelhanças genéticas entre ratos açorianos, e os do norte da Europa. 

É curioso, a tecnologia avança e permite ao ser humano sonhos inimagináveis, como colonizar Marte, por exemplo, ao mesmo tempo em que nos ajuda a compreender o nosso próprio passado.

É o que nos mostra a matéria do site sicence.org  de outubro de 2021. O novo estudo, de testemunhos de sedimentos lacustres, mostra que os Vikings, outro povo navegador por excelência, podem ter chegado 700 anos antes de Silves e sua tripulação.

Todos os vikings já tinham partido quando os marinheiros portugueses chegaram, observam os autores, mas alguns roedores clandestinos nórdicos podem ter deixado uma marca genética duradoura na ilha’.

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Um pouco de história  dos Vikings

Os vikings conseguiram um tremendo avanço na engenharia náutica de seu tempo. Como outros povos dominantes, antes de qualquer ousadia era preciso descobrir um meio seguro, mais avançado, para então se lançar ao mar. Este ‘meio’ dos vikings foi o drakkar, o mais famoso navio de guerra que construíram.

Ilustração do barco Viking Drakkar
Ilustração do Drakkar. Imagem, Pinterest.

O Drakkar  surgiu no século 9. Tinha um comprimento médio de 28 m. Largura, 3m. Velocidade de até 12 nós (22 Km), excelente para a época e os tempestuosos mares do Norte em que navegavam. Eram feitos de toras de carvalho e podiam levar até 40 tripulantes. Seu nome deriva das cabeças de dragão esculpidas em madeira, colocadas na proa da embarcação para aterrorizar os inimigos.

Os Vikings estavam distribuídos no que se convencionou chamar de ‘terras Vikings’: Dinamarca, Noruega e Suécia, que não eram unidades políticas distintas e bem definidas durante o período Viking.

Imagem e um Drakkar
Drakkar reconstruído. (Imagem, http://www.dailymail.co.uk/.

E com estes fantásticos barcos os navegadores vikings saíram de suas terras  e colonizaram a Islândia, para em seguida chegarem sem grandes dificuldades à Inglaterra, e França, além do Canadá, do outro lado do Atlântico. Se chegaram nestes locais, como hoje está provado, por que não ao arquipélago que fica ao largo de Portugal?

Vikings colonizaram os Açores: conheça o novo estudo

Há cerca de 10 anos, Pedro Raposeiro, ecologista da Universidade dos Açores, Ponta Delgada, e colegas começaram a coletar núcleos cilíndricos de sedimentos de cinco leitos de lagos ao redor do arquipélago como parte de um esforço para detalhar a história climática da região.

Conforme as partículas no ar se acomodam no fundo do lago, elas formam camadas datáveis. Os pesquisadores suspeitaram que encontrariam sinais de distúrbios humanos – pólen de colheitas não nativas, esporos de fungos que crescem em esterco de gado – datando do início do século 15.

A surpresa

Mas os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que esses sinais se estendiam ainda mais no tempo. Numa camada sedimentar datada entre 700 e 850 e retirada do Lago Peixinho, na Ilha do Pico, nos Açores, os investigadores observaram um aumento repentino de um composto orgânico denominado 5-beta-estigmastanol, que se encontra nas fezes de ruminantes como vacas e ovelhas.

Segundo Pedro Raposeiro, eles também viram um aumento nas partículas de carvão e uma queda na abundância de pólens de árvores nativas, talvez apontando para humanos cortando e queimando árvores para abrir espaço para o gado pastar.

Em conjunto, os resultados sugerem que os humanos ocupavam e exploravam os recursos naturais dos Açores pelo menos 700 anos antes do que os historiadores tradicionalmente acreditavam. Não está claro quando esses primeiros colonos humanos dos Açores desapareceram, mas os marinheiros portugueses que exploraram as ilhas em 1400 as descreveram como intocadas.

Quem foram os primeiros a chegar aos Açores?

“Nosso melhor palpite são os nórdicos”, que eram marinheiros talentosos e aventureiros, diz Raposeiro. Já em 789, há registros de vikings navegando e saqueando para cima e para baixo nas costas do norte e oeste da Europa.

Ilustração de rotas marítimas dos Vikings
Algumas das rotas Vikings. Ilustração, www.discovermagazine.com.

Em segundo lugar, as simulações climáticas para esta época sugerem que os ventos dominantes no Oceano Atlântico Norte sopraram do nordeste. Esses ventos teriam colocado os navios vikings rumo ao sudoeste de suas terras natais escandinavas mais ou menos diretamente no caminho dos Açores, diz Raposeiro.

Os ratos entram na história

Finalmente, como Searle e seus colegas documentaram em 2015, os ratos domésticos açorianos compartilham uma quantidade substancial de DNA com as populações de ratos domésticos que se originaram no norte da Europa.

Os ratos poderiam ter pegado uma carona nos navios vikings e encontrado uma ilha com muitos recursos e poucos concorrentes ou predadores, diz Searle, que não esteve envolvido no último estudo. Os ratos são como “artefatos vivos” da presença viking, diz ele.

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Pesquisa portuguesa de 2013

Ao pesquisarmos mais, demos com outras matérias ainda mais antigas, dizendo a mesma coisa. Uma delas do jornal português Expresso, de 2013, comenta investigações que envolveram a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e as universidades de York (Reino Unido) e de Cornell (EUA).

Eles usaram a mesma técnica e estudaram as sequências de DNA de 380 roedores da Madeira, Açores e continente, que foram comparadas com mais de mil sequências de toda a Europa Ocidental.

Os cientistas descobriram que não havia nenhuma identidade entre a Madeira e o continente, mas há sequências obtidas naquele arquipélago 100% idênticas a sequências encontradas na Alemanha, Dinamarca, Suécia e Finlândia. E em três ilhas dos Açores há semelhanças com a Noruega, Islândia, Escócia e Irlanda.

Vikings chegaram às Américas antes que Colombo

Poucos dias depois deste post ser publicado um novo estudo provou  o que já se sabia: que estes grandes navegadores chegaram às Américas, no que é hoje o Canadá, em 1021 d.C. Mas, como dissemos, já era sabido que eles por lá estiveram.

A conclusão do estudo saiu na revista Nature, e foi possível devido à análise de artefatos de madeira do sítio arqueológico L’Anse aux Meadow, na região da Terra Nova e Labrador.

Aliás, eles não foram os únicos navegadores a atingirem a América antes de Colombo. Os bascos também o fizeram de acordo com vários historiadores. Entretanto, esta tese ainda carece de provas.

Fontes: https://www.science.org/content/article/vikings-paradise-were-norse-first-settle-azores?utm_campaign=ScienceNow&utm_source=Social&utm_medium=Facebook; https://expresso.pt/sociedade/vikings-chegaram-a-madeira-e-aos-acores-antes-dos-portugueses=f841293.

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