Viagem da Kika, a Noruega e suas belezas

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Viagem da Kika, a Noruega e suas belezas, relato Nº 19

Privilegiada por um litoral recortado com 25.000 km de extensão, a história da Noruega é voltada para o mar. Noruegueses de todas as idades curtem a vida ao ar livre e preservam seu patrimônio natural. A riqueza advinda do petróleo é usufruída pela população como um todo e aplicada para o benefício das futuras gerações. O investimento na valorização de sua cultura é visível desde os mais remotos lugares até os centros urbanos.

Imagem de montanhas em Lofoten
Paisagem de Lofoten.

Chegamos em Ålesund no final de junho após a travessia do Mar do Norte e seguimos navegando para o norte através de canais bem sinalizados entre incontáveis ilhas. Cruzamos embarcações de todo tipo e ferries transportando pessoas e veículos, a vida aqui acontece na água. Até renas do povo lapão são levadas em balsas até campos mais verdes no inverno. Tínhamos data para chegar em Bodø, nossa base para embarcar passageiros com destino a Lofoten.

O arquipélago de Lofoten

O arquipélago de Lofoten fica ao norte do Círculo Polar Ártico entre os paralelos 67˚ e 68˚. Graças à quente Corrente do Golfo, Lofoten tem um clima mais ameno que outras partes do mundo na mesma latitude, como Alasca e Groenlândia. As ilhas são rodeadas por fortes correntes devido à maré, sendo a mais famosa chamada Moskstraumen.

imagem de Brettesnes, Lofoten
Brettesnes, Lofoten.

Majestosas montanhas com perfil escarpado e cumes pontudos foram formadas na última Idade do Gelo apenas 10.000 anos atrás. Os primeiros povoadores chegaram há 6.000 anos e sobreviveram da pesca e da caça.

Era Viking

Na Era Viking vários chefes se estabeleceram no arquipélago, em Borg foram encontrados os restos da maior sala cerimonial conhecida, medindo 83 mt de comprimento por 8,5 de largura. O edifício foi reconstruído e faz parte do fascinante museu Viking LOFOTR.

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Monasterio, Selja, Noruega
Monasterio, Selja.

A pesca

A pesca em Lofoten ganhou importância desde cedo e o bacalhau salgado foi a mercadoria de comércio mais importante, os mercados de exportação compreendiam praticamente todos os países da Europa.

Desde a Era Viking até hoje o processo de secagem do bacalhau permanece o mesmo, em fevereiro/março o peixe eviscerado e salgado é pendurado sem cabeça em varais de madeira, em junho está seco. Em seguida as cabeças são penduradas para secagem e enviadas para a Nigéria, onde são usadas na culinária tradicional.

imagem de casa Viking
Casa de barcos viking, Avaldnes.

Desde Bodø fizemos uma travessia de 50 milhas até Reine, na ponta do arquipélago em forma de longa península. De lá começamos a percorrer as ilhas com uma navegação costeira até retornar a Bodø. Georges conhece bem as ancoragens e passeios pois fez charters na região durante cinco temporadas.

Trilhas para caminhadas

Existem várias trilhas para caminhadas de diferentes níveis de dificuldade e extensão. Outras atividades amplamente praticadas são escalada, ciclismo e caiaque. A infraestrutura de banheiros e áreas para camping é notável, em alguns lugares distantes é possível pernoitar gratuitamente em cabanas rústicas e charmosas.

Landegode, Noruega.
Landegode, Noruega.

Por toda parte há placas com informações sobre história, cultura e geografia, infelizmente muitas delas estão escritas apenas em norueguês. O turismo em Lofoten é basicamente de eco-aventura, no entanto encontramos galerias de arte e ótimos museus temáticos nos pequenos vilarejos.

Nusfjord

No vilarejo pesqueiro de Nusfjord cruzamos uma reduzida comitiva liderada por uma senhora muito distinta, nada menos que a rainha Sonia prestigiando a antiga comunidade através de um projeto de estampas e sua presença. Ela e o rei estavam embarcados no elegante iate Norge.

O sol da meia noite

Até a segunda quinzena de julho pudemos apreciar o sol da meia noite, ao longo do dia as luzes vão mudando e criam um espetáculo à parte sobre a paisagem de grandiosa beleza. No outono e inverno o show fica por conta da aurora boreal, será preciso retornar para observar este fenômeno extraordinário.

Navegadores noruegueses

Dedico algumas linhas aos exímios navegadores noruegueses que sempre me inspiraram, começando pela Era Viking que nos remete ao espírito de aventura.

Por 300 anos, desde um pouco antes de 800 DC até a maior parte do século XI, os vikings afetaram praticamente todas regiões acessíveis aos seus magníficos barcos. Longe de serem apenas piratas bárbaros e selvagens, criaram instituições sociais complexas e desempenharam um papel importante na história da Europa através do comércio, viagens, assentamentos e colonização distantes.

Roald Amundsen

Roald Amundsen descobriu a Passagem Noroeste sendo portanto o primeiro a navegar entre a Groenlândia e o Alasca por cima do Canadá (1903-1905).

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imagem do barco FRAM
O Fram, o barco mais forte de Roald Amundsen.

Para isso precisou invernar dois anos no gelo, quando fez medições científicas que demonstraram que o Polo Norte Magnético não tem uma posição permanente. Conviveu com o povo inuit e aprendeu importantes lições que usou para sua conquista do Polo Sul em 14/12/1911.

Thor Heyerdahl

Thor Heyerdahl foi um cientista e explorador que dedicou a vida para comprovar que o mar não era um impedimento mas sim uma oportunidade de expansão para civilizações antigas. A mais conhecida foi a expedição do Kon-Tiki em 1947, a qual buscava demonstrar que as ilhas do Pacífico poderiam ter sido povoadas a partir da América do Sul.

Construiu no Peru uma jangada de pau-de-balsa que depois de 101 dias chegou na Polinésia empurrada pelos ventos alísios e correntes marinhas, percorrendo 8.000 km.

Rumo sul ao longo do litoral norueguês

No final de agosto começamos a navegar rumo sul ao longo do litoral norueguês, com intenção de retornar à França via as Ilhas Shetland e o Canal Caledoniano na Escócia.

arquipélago Vega, Noruega
Arquipélago Vega.

A meteorologia no Mar do Norte não deu trégua por duas semanas portanto decidimos fazer a travessia pelo sul da Inglaterra. Pelo caminho atravessamos um mar de plataformas de petróleo, extensos paliteiros de geradores eólicos e avenidas de navios no Canal da Mancha.

As marés no litoral norte da França podem chegar a 14 metros de desnível, sendo necessário pensar como peixe para se beneficiar da maré favorável e se abrigar atrás das barreiras naturais para enfrentar a maré contra, a cada seis horas.

Viagem da Kika, do Golfo de Biscaia até os fiordes noruegueses

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