Tamara Klink, velejadora solitária, volta ao Brasil

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Tamara Klink, velejadora solitária, volta ao Brasil

Ela é a mais nova representante da galeria das navegadoras brasileiras com ‘N’ maiúsculo. Filha de peixe, peixinho é, diz a máxima. E Tamara provou sua filiação. Ela é filha da também velejadora Marina Bandeira Klink, e do mais renomado navegador brasileiro, Amyr Klink. Segundo uma postagem de Marina no Instagram, ‘dois anos atrás Tamara pediu emprestado o barco do pai para fazer uma viagem. Amyr negou. Tamara então pediu se o pai poderia ajudá-la com algum dinheiro para que comprasse o próprio barco para fazer uma viagem sozinha. Nova negativa. Amyr disse que poderia ajudá-la na orientação. Mas, se ela quisesse mesmo fazer a viagem’, disse, ‘primeiro teria que construir sua própria história’.  E assim foi. Tamara construiu a dela. Dois anos depois, Tamara Klink, velejadora solitária, volta ao Brasil.

Imagem de Tamara Klink
Tamara no seu pequeno Sardinha, de apenas 26 pés! Imagem, Reprodução/Instagram.

Tamara Klink, velejadora solitária, de volta ao Brasil

Cursando arquitetura na USP, ela foi para Nantes, França, fazer um intercâmbio na École Supérieure d’Archiecture, onde se especializou em arquitetura naval.

De lá viajou para a Noruega, onde achou o veleiro que queria. O barco  recebeu o nome de Sardinha em razão do pequeno tamanho. Comprou-o com suas próprias economias, e a ajuda de um amigo. Um pequeno veleiro com apenas oito metros de comprimento, ou 26 pés (um Maxi Magic, fabricado em 1984 pelo projetista sueco Pelle Petterson)!

O inicio da grande navegada

Deixou a Noruega, passou pela Dinamarca; depois a França, em agosto; em seguida arribou em Portugal. De lá se preparou para a grande travessia do Atlântico em solitário. Da Torre de Belém, de onde partiu, fez escala em Cabo Verde, e então…1.700 milhas a esperavam. Tudo isso aos 24 anos!

E antes dos estudos no exterior…

Em 2019 este site saudou outra faceta da navegadora que agora nos seduz com sua capacidade e coragem. Ela estreava na TV um programa sobre o mar, o Mar Brasil. O programa era semanal, e na BandNews TV, onde a pequena falava de suas preocupações com poluição, vida marinha, etc.

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A grande travessia

Desde a saída, na Noruega, até a chegada, em Pernambuco em 1º de novembro, foram percorridas cerca de 5.600 milhas.

Imagem de Tamara Klink a bordo do sardinha
A viagem teve momentos de calmaria…

A última etapa, a travessia do Atlântico, foi a mais longa e cansativa. Durante este período Tamara contou com a ajuda do velejador Murilo Novaes que, de terra, enviava informações sobre o tempo, a previsão da travessia, e outras.

Tamara deixou Cabo Verde, no litoral africano, dia 15 de outubro. Foram 17 dias em alto-mar. Agora, segundo o g1, ela pretende lançar dois livros. Um deles terá como nome ‘Mil Milhas’, distância completada por ela ao percorrer o Mar do Norte, para sair da Noruega para a França, em 2020.

O segundo é ‘Um mundo em poucas linhas’, que terá poemas, desenhos (como o pai, ela é boa desenhista), e textos escritos durante as navegações.

Ao chegar, uma de suas primeiras declarações foi “estou bem feliz de ter chegado aqui e contente que o barco está agora em segurança e que eu vou finalmente poder dormir numa cama que não se mexe, sem ter que me preocupar com o tamanho das ondas ou a força do vento. Eu só tenho a agradecer a recepção.”

‘Meu Deus do céu, como esta menina fez um negócio tão extraordinário?’, pergunta Amyr

Toda a família estava à sua espera em Pernambuco na chegada. Segundo  Amyr, ‘o barco é precário’, disse ao ver o pequeno veleiro de perto.

Acostumado a construir barcos super resistentes para suas navegações, Amyr ficou impressionado: ‘Meu Deus do céu, como esta menina fez um negócio tão extraordinário com recursos tão mínimos! O barquinho é muito valente, e a Tamara foi muito valente porque esta precariedade faz com que o navegador tenha que colocar em prática todas as suas habilidades.”

Imagem de Tamara Klink a bordo
E outros quando as ondas subiam…

Para finalizar, disse Amyr ao canal 13 do YouTube: ‘Ela saiu relativamente ignorante, como eu fui no começo, e voltou uma expert. Fico muito feliz por este processo de aprendizado, que é um processo que não tem como cortar o caminho.”

Quebra dos pilotos automáticos

Segundo relato ao g1, “não sei se te disse, mas os dois pilotos automáticos queimaram. E o leme de vento não funciona sem vento. Ontem, brisa fraca e instável, tive que passar a noite e o dia todo de castigo, colocada na barra. Fiquei me sentindo naquelas provas de resistência de programa de auditório pra ver quem fica mais tempo com a mão no carro.”

Este foi um dos relatos que Tamara mandava via telefone satelital, através de mensagens de SMS para sua mãe, que as publicava em seguida nas redes sociais.

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Uma hora pendurada no mastro

Segundo a matéria do g1, ‘em outro momento a jovem precisou passar mais de uma hora pendurada no mastro, tentando tirar os nós formados pelo cabo de aço de uma das velas enquanto ela dormia’.

“Tentei de tudo. Não houve jeito de desfazer os nós apertados daqui de baixo. Eu não posso ir até o Brasil assim. O caminho ainda é longo. Era assustador, mas a única opção era subir. Enquanto escalava o mastro, o barco adernava e os pés balançavam em cima d’água, o corpo suspenso num fio. Me estico pra alcançar a borda do pano e desfazer uma volta por uma. Pouco mais de uma hora depois, desço com a vela no braço. Solta, inteira.”

A viagem ainda não terminou

Os planos de lançamento dos livros terão que esperar. Segundo matéria da revista Náutica, depois de descansar Tamara pretende trazer o veleiro até Paraty, o refúgio da família Klink no litoral do Rio de Janeiro. Só então começará o processo dos livros.

Parabéns à jovem e testada marinheira!

Imagem e abertura: Reprodução/Instagram

Fontes: Instagram; Canal 13, You Tube; e https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2021/11/02/velejadora-solitaria-tamara-klink-chega-ao-recife-apos-tres-meses-atravessando-o-atlantico-em-barco-de-8-metros-foi-muito-emocionante-diz.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1pe&fbclid=IwAR2vS28js8WhmGkoad6KJu0TJk8VmOHq5azWx8wd331usJJEr1Z1_qbvZKM; https://www.nautica.com.br/tamara-klink-atlantico-veleiro-sardinha/?fbclid=IwAR1s7lex5I3vyYOeh0uRWGTZrcr1IKGqPVEsy21ch3hW8j9F7r_8CBPflX4.

Cápsulas flutuantes no mar, assim viverão habitantes de Tóquio?

Comentários

15 COMENTÁRIOS

  1. É a terceira vez que leio o relato desta aventura emocionante. Emocionante pela determinação de uma jovem consciente, idealista, estudiosa e destemida. Emocionante porque nos leva a acreditar que é, sim, possível ter esperança a partir desse exemplo de juventude. Emocionante, sobretudo, pelas lições que os pais de Tamara transmitiram à filha – ajudando-a a construir o caráter que nos é revelado, agora, de forma extraordinária.

  2. Parabéns Tamara! Foi demais o seu feito, sem palavras, mesmo que seu pai não tenha dado tanto apoio, sei que ele te inspira em cada milha percorrida.
    Bravo!!

    • Muito legal esse texto mas, conhecendo o Amyr como conhecemos pode ter certeza de que ele esteve 110% por trás desse projeto pois jamais viraria as costas para a filha num momento desses. Mas, isso não tira, em absoluto, o mérito da menina numa empreitada tão arrojada e arriscada. Como muito bem disse ela, “filha de peixe…”

  3. Parabéns Tamara, embora eu ache que o Amir poderia ter colaborado mais com ela, coisa que eu faria
    se fosse minha filha, serviu muito como educação e aprendizado. Parabéns aos dois pela coragem!!

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