Rio São Francisco e o mexilhão- dourado

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Rio São Francisco, moribundo, enfrenta novo problema: agora suas águas sofrem invasão do mexilhão- dourado

“A extinção inexorável do rio São Francisco”. Este é o título de um dos capítulos do livro “Flora das caatingas do Rio São Francisco: história natural e conservação” (Andrea Jakobsson Estúdio),  considerado o mais profundo estudo sobre a Caatinga, único bioma exclusivo do Brasil. Agora temos outro problema: Rio São Francisco e o mexilhão- dourado.

Rio São Francisco e o mexilhão- dourado, imagem de canoa do rio São Francisco
Deus é Fiel mas não ajuda o São Francisco

212 expedições ao longo do rio São Francisco

Entre 2008 e 2012 uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor José Alves Siqueira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, Pernambuco, promoveu 212 expedições ao longo e no entorno do São Francisco. Era o tempo da divulgação da transposição do rio…

O professor explica:

Mostro os elementos de fauna e da flora que já foram perdidos. É como uma bicicleta sem corrente, como anda? E se ela estiver sem pneu? E se na roda estiver faltando um raio, e quando a quantidade de raios perdidos é tão grande que inviabiliza a bicicleta? Não sobrou nada no Rio São Francisco. Sinceramente, não sei o que vai acontecer comigo depois do livro, mas precisava dizer isso. Queremos que o livro sirva como um marco teórico para as próximas décadas. Vou provar daqui a dez anos o que está acontecendo.

Rio São Francisco e o mexilhão- dourado e sua coleção de problemas

Segundo o trabalho os problemas são inúmeros. Mas, talvez, os mais graves sejam as grandes barragens para a produção de energia. Há cinco delas (em Três Marias, Sobradinho, Itaparica, Paulo Afonso e Xingó). Elas geram 15% da energia produzida no país. Depois, a megalômana obra  de Lula, a transposição de suas águas  orçada inicialmente em 4,5 bilhões de reais número que  já supera os 8 bilhões!

Rio São Francisco e o mexilhão- dourado, imagem do farol do Cabeço, foz do São Francisco
Rio São Francisco e o mexilhão- dourado: as barragens assorearam a foz do São Francisco. No passado o Farol do Cabeço ficava em terra firme

O rio São Francisco tem outros problemas graves

Entre eles a quantidade imensa de esgotos não tratados jogados no leito do Velho Chico ao longo de seus quase três mil quilômetros da nascente até a foz. As barragens impedem a piracema. Como os peixes não podem mais subir o rio para se reproduzirem o declínio das espécies e cardumes é evidente. Para encerrar o professor confirma os problemas gerados pela introdução de espécies exóticas como o tucunaré, o bagre – africano, e a carpa. De acordo com o estudo estes peixes tronaram-se

pragas sem oferecer lucro aos pescadores.

A última descoberta: Rio São Francisco e o mexilhão- dourado

A Folha de S. Paulo de sábado, 3 de dezembro, traz a matéria “Molusco Invasor”, e explica:

Vindo da Ásia, e já encontrado no centro- sul, o mexilhão- dourado invade agora o rio São Francisco, onde ameaça abastecimento e usinas

A matéria diz que

há um ano e  meio o moluscos de de 5 cm têm se espalhado pelo rio São Francisco onde estão as usinas de Sobradinho (BA), e Luiz Gonzaga (PE).

A situação é alarmante. O jornal destaca:

pesquisadores estimam que na área de Sobradinho a população do mexilhão- dourado esteja em 40% do máximo de 200 mil indivíduos por metro quadrado.

Morte do Rio São Francisco e prejuízos para os cofres públicos

O Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras de Hidrelétricas (CBEIH),  criado a partir do P&D ANEEL GT-343: Controle Do Mexilhão-Dourado já investiu 8,2 milhões no combate ao mexilhão-dourado.

O Boletim de Alerta Nº 3, de novembro de 2015, confirma a presença do mexilhão- dourado na bacia do Rio São Francisco e no canal de transposição (eixo Norte). O boletim traz sérias advertências:

A presença de populações de mexilhões- dourados pode afetar a cadeia trófica das áreas afetadas, podendo desencadear florações de cianobactérias e o deslocamento de espécies nativas de peixes e outros organismos. As comunidades de pescadores serão impactadas e a captação de água em pequenas comunidades e em pivôs de irrigação podem ser seriamente afetadas devido a presença de incrustações de mexilhões que poderão entupir as tubulações.

Rio São Francisco e o mexilhão- dourado, imagem da margem-do-rio s-francisco
Rio São Francisco e o mexilhão- dourado: a mata ciliar foi pro brejo contribuindo para a a erosão e assoreamento do leito

O Mar Sem Fim alertou sobre os problemas

Em nossa última série de documentários estivemos mais uma vez na foz do São Francisco. A situação já era crítica. Assista nosso documentário.

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