Navio de Cousteau: a um passo do fim

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Navio de Cousteau: uma petição online tenta salva-lo do abandono. O famoso Calypso está jogado em um porto francês

Navio de Cousteau, atualizado em junho de 2017

O navio oceanográfico “Calypso”, que por 40 anos serviu para os estudos do comandante francês, pode virar “patrimônio nacional”. O navio de Cousteau está no famoso estaleiro Piriou, no noroeste da França. Apesar da embarcação ter sido recuperada em 2006, um conflito entre os proprietários, a equipe Cousteau, comandada pela segunda esposa do navegador dificulta os reparos desde 2009.

navio do cousteau, imagem do navio Calypso

Navio de Cousteau: petição online tenta salva-lo

Uma petição foi enviada pelo oceanógrafo Bruno Bombled ao ministro francês da Cultura, Aurélie Filippetti. De acordo com o texto, segue o pedido:

Hora de dizer que não aceitamos que esse orgulho da França em todo o mundo durante décadas morra em Concarneau, já que é possível salvá-lo.

Navio de Cousteau: tesouro nacional francês

Os defensores da iniciativa acreditam que se o navio for considerado tesouro nacional poderá receber fundos públicos para ser recuperado.  Assim, serviria de exemplo para as futuras gerações.

Adquirido em 1950 pelo milionário irlandês Loel Guinness, o “Calypso”, foi alugado por Cousteau para pesquisa oceanográfica. E também para as filmagens dos documentários.

Em 1996 navio de Cousteau afunda

Durante décadas ele navegou os mares ao redor do mundo equipado com material sofisticado oceanográfica. Em 1996, um ano antes da morte de Cousteau, o navio afundou no porto de Cingapura depois de colidir com uma barca.

Reflutuado, foi repatriado para a França, onde passou vários anos no porto de Marselha. A propriedade da embarcação foi reivindicada tanto pela associação da segunda e última esposa do marinheiro, como por uma companhia oceanográfica francesa que pertence a um dos filhos de Cousteau, Jean-Michel.

 Calypso um museu itinerante de ciência

Finalmente a justiça decidiu tornar o Calypso um museu itinerante de ciência. Ele foi enviado para estaleiros em Concarneau, em 2007. Desde 2009, os “Cousteau” mantém esse confronto legal. As obras de restauração estão paralisadas e o barco está abandonado em um dos cais do estaleiro, em estado lamentável.

Atualização, junho, 2017

E chegou a boa notícia. O Calypso está sendo recuperado na Turquia. A boa nova veio pelo site cousteau.org. Ele informa que “a Equipe Cousteau esteve na Conferência dos Oceanos em Nova York para defender sua visão e mostrar seu trabalho, na Turquia, para reconstruir o Calypso”.

navio de Cousteau, imagem de guindaste levantando o Calypso
O calypso, ou o que sobrou dele, é levado para o estaleiro

Calypso vai navegar outra vez


“Depois de 20 anos difíceis, o Calypso irá navegar novamente, hoje o seu casco está fechado. Após tempos tórridos, agora temos um barco novamente e estamos muito orgulhosos por ter alcançado esse estágio”.

navio de Cousteau, imagem do Calypso sendo reformado
O Calypso por dentro.

A Equipe Cousteau diz que “ ainda recebemos mensagens todos os dias de pessoas que nos dizem que é o nosso trabalho que os inspirou a fazer o que fazem agora. De cineastas a biólogos; marinheiros,  mergulhadores, e pessoas de muitos outros campos. Os documentários da Cousteau permanecem incomparáveis, como pode ser visto pela quantidade de pessoas que participam da série #CousteauWeekend, durante a qual compartilhamos um filme por semana”. 

navio de Cousteau, imagem do Calypso no estaleiro
Calypso no estaleiro.

Reforma do Calypso

Foi uma das melhores notícias dos últimos tempos. Um barco icônico como este, que tantos serviços prestou, não poderia ir à pique. Ele merece voltar ao seu estado natural e continuar inspirando pessoas  irem para o mar.

navio de Cousteau, imagem do calypso navegando
Em breve ele estará assim outra vez.

É isso que o Mar Sem Fim defende para o Navio Prof. W. Besnard. Não podemos jogar no lixo nossa história náutica.

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16 COMENTÁRIOS

  1. Puxa, lembro dos documentários do Cousteau durante minha infância, era um mundo incrível (Zodiac, Aqualung…) que certamente fascinou muitos durante uma época… Fico muito feliz em saber que o Calypso voltará a navegar, só torço para que o Besnard tenha a mesma sorte!!!

    • Pois é, Andrea, ninguém fez mais pelos mares que o grande Jacques Cousteau. E o Calypso é um ícone. Merece navegar outra vez. Abraços

  2. Enquanto isso, por aqui, se discute o que fazer com nosso navio de pesquisas oceanográficas, ” Professor W. Besnard” que era da USP e foi doado para a Prefeitura de Ilhabela. Museu ou afundamento para se formar um arrecife artificial.

    • Olá, Walter, obrigado pela contribuição. Quanto ao Besnard, seu destino já foi decidido. Vão afunda-lo e transforma-lo em atração turística para mergulhadores. O Mar Sem Fim torce que ele seja o mais belo e rico recife artificial de nossas águas.Abraços

  3. As descobertas do Comte. Cousteau também foram muito importantes. Recentemente provou-se que navios chineses estiveram na Ilha de Páscoa, antes dos navegadores portugueses e espanhóis, ainda no século XV. Tem todo sentido relacionar com um episódio de Cousteau naquela ilha, onde a equipe levantou misteriosas placas com inscrições em uma escrita estranha e músicas também exoticas de que os habitantes ainda tinham lembrança. Cousteau já especulava sobre essas navegações chinesas.

  4. O barco JURUENA, irmão gêmeo do Calypso, está abandonado numa marina na Baia da Guanabara. Foi mandado para lá pelo proprietário, também ex-dono da TV Manchete, que não teve recursos para a restauração depois de ir à falência.

  5. Como el ser humano es mesquino,ambicioso y egoista pensando siempre en dinero sin importase con la descubierta,el hallasgo o la naturaleza;el calypso asi J.Cousteau y su grupo hicieron parte de mi juventud con todos los documentarios en su epoca y ahora solo se piensa en dinero.
    El govierno frances deberia tomar las riendas del proceso judicial y hacerce cargo.

  6. Durante boa parte de minha vida, a imagem do Mestre Cousteau esteve associada a este navio.Os “braços e pernas” do Comandante, que o possibilitou percorrer oceanos em busca de conhecimento necessário para preservá-lo, chamava-se CALYPSO. Mais do que isso, era seu lar. Quantas vezes sonhei em ser oceanógrafo e trabalhar neste navio! Ao ler esta nota, fui acometido por uma tristeza muito grande causando-me um emoção profunda. Espero que a França o preserve de forma digna e honrada, assim como sempre o tratou o imortal Comandante Cousteau.

    • Concordo plenamente, Ricardo. O Comandante Cousteau é um mito, um ícone do ambientalismo mundial. Obrigado pelo correio. Abraços e volte sempre!

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