Navio Prof. W. Besnard, afundando história

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Navio Prof. W. Besnard- Indecisão pode levar o navio  para o fundo das águas de Ilhabela. E foi esta a decisão: afunda-lo

Navio Prof. W. Besnard, afundando história: Atualizado em julho, 2017.  

Nunca naveguei no navio Prof. W. Besnard, bem que gostaria. Aquilo não é um barco, é uma lenda náutica. O navio oceanográfico Prof. W. Besnard, foi batizado em homenagem ao russo- francês, Wladimir Besnard, cientista trazido ao Brasil pelos fundadores da USP para organizar e dirigir o Instituto Oceanográfico da USP em seus primeiros 14 anos. Tarefa que executou com muito brilho.

Besnard desde sempre não abriu mão de um navio de pesquisas. Para dar forma ao modelo escolhido pela Universidade de São Paulo, definiram o  estaleiro  A/S Mjellem Karlsen, em Bergen, Noruega, a quem coube o projeto final da embarcação.

Navio Prof W Besnard, afundando nossa história, imagem do navio Prof W Besnard
O desbravador da Antártica

Navio foi entregue em 1967

Em 1967, já batizado em homenagem ao seu idealizador morto pouco antes, ele foi entregue e trazido para Santos.

23 anos navegando ininterruptamente, mais de 150 viagens, e 50 mil amostras de organismos marinhos

O Prof W Besnard navegou mais de 3.000 dias. Durante os primeiros 23 anos, o navio navegou sem interrupções! Só de Antártica ele acumula seis expedições. Ao todo, foram mais de 150 viagens! 68 diários de bordo para contar a história, ou mais de 50 mil amostras de organismos marinhos coletados, algumas não catalogadas até hoje.

Navio Prof W Besnard, afundando nossa história, imagem do navio Prof Besnard no porto de Santos
navio Prof. W. Besnard: pequeno e bravo

Carreira coroada de sucessos

A carreira do pequeno Prof. W. Besnard foi aquela com que todo mundo sonha: uma carreira de sonhos. Repleta de aventura, expedição, pesquisa  e muito sucesso.

Quantas teorias e descobertas científicas não foram gestadas em seus porões?

Navio Prof. W. Besnard escreveu lindos capítulos das história náutica brasileira

Com a aproximação da aposentadoria, anunciada no início de 2016, o Prof. W. Besnard deixa de ser um simples navio. Torna-se  um nostálgico capítulo, dos mais bonitos e importantes, de nossa história náutica.

Navio Prof. W. Besnard, afundando história
navio Prof. W. Besnard. O comando

O final, indigno de sua importância foi decidido: afundamento

Numa  tarde de novembro de 2008, um incêndio irrompeu num dos camarotes do navio  fundeado na Baía de Guanabara. Não houve vítimas, e os próprios tripulantes controlaram a situação. Mas o incêndio, no navio que por mais de 45 anos serviu a Universidade de S. Paulo, pôs o ponto final em sua história. Mesmo assim ele continua vivo. De acordo com informações, e fotos de amigos que visitaram o Besnard recentemente,

a casa de máquinas está em perfeito estado. Motores, geradores, tudo funcionando. E nem uma gota de água nos porões do navio.

Navio Prof. W. Besnard, afundando nossa história, imagem do motor do navio Prof W Besnard
navio Prof. W. Besnard. Casa de máquinas com equipamentos em bom estado

O Besnard está na UTI, à espera que desliguem os aparelhos que o mantém vivo

Navio Prof. W. Besnard, afundando história
Aspecto interno

Como demonstram as fotos, apesar da idade o “coração do Besnard”, a casa de máquinas,  parece em bom estado apesar de, externamente, ele estar mal tratado.

Navio Prof. W. Besnard, afundando nossa história, imagem do porão do navio Prof W Besnard
navio Prof. W. Besnard

Possibilidades do destino

Uma, era que o navio virasse atração no Museu Marítimo do Valongo, um acanhado museu de Santos. A ideia não teria vingado pela “dificuldade de tirar o Besnard da água e coloca-lo num berço em terra firme”. Um valor ridículo, que bem poderia ser coberto pela prefeitura de Santos.

Outra, mais exótica, foi doa-lo ao Uruguai, onde seria remodelado e voltaria à pesquisa. Ainda não foi desta vez. Leva-lo ao Amazonas? Até isso foi cogitado, além da possibilidade de retalha-lo e vende-lo aos pedaços.

Decisão adotada pela prefeitura de Ilhabela: afundar o Besnard

Mas a solução mais votada parece ser afunda-lo na região da Ponta da Sela, litoral sul de Ilhabela. E ali, numa profundidade entre 20 e 25 metros, esperar que seu casco seja colonizado para, aos poucos, se transformar em um novo habitat marinho. Seria um destino menos cruel que o retalhamento mas, na opinião do Mar Sem Fim, ainda assim seria um duro golpe final para o icônico barco.

Porque não deixa-lo seguir sua linda história de pesquisa e ensino, tornando-o um museu?

E esta, por acaso, não seria a melhor oportunidade para contar nossa bonita história na Antártica? Transformando o Besnard em museu flutuante o navio continuaria vivo, servindo o Brasil, ensinando às futuras gerações como foram nossos primeiros passos no ‘Continente Gelado’. Mas, para isso, é preciso uma mobilização pública, negociação com o prefeito de Ilhabela, e montagem de um grupo capaz do necessário financiamento para a  transformação.

Não basta afundar de qualquer jeito

Para aqueles que não se conformam com o destino do Besnard ainda há tempo para transforma-lo em Museu. Projeto mais caro que o afundamento, que também demanda custos consideráveis. Para afundar, é preciso preparar o navio, limpa-lo por dentro, retirar uma série de peças, fazer um projeto, ter aprovação do EIA RIMA, etc. Não se trata de um simples afundamento. Há um protocolo internacional a ser seguido, providências que ainda não foram tomadas pela Prefeitura de Ilhabela.

Atualização, Julho, 2017 – Bernard será afundado

Site ilhabela.sp.gov.br: “em reunião realizada nesta quarta-feira, 5, o COMTUR (Conselho Municipal de Turismo de Ilhabela) decidiu, por 16 votos e três abstenções, pelo afundamento do navio oceanográfico Professor W. Besnard”.

Navio foi doado à prefeitura da Ilhabela

Ainda durante o mandato do antigo prefeito, Toninho Colucci (2009 – 2016) o Prof. W. Besnard foi doado à prefeitura de Ilhabela. Mas nada aconteceu. Agora a bola está com o novo prefeito, Márcio Tenório, que assumiu em 2017.

Consulta pública em Ilhabela

Segundo nossas informações já houve uma “consulta pública” na ilha para a decisão de naufragar, ou transforma-lo em centro cultural de visitação contínua e escola. O atual prefeito parece gostar da ideia mas, indeciso por “querer agradar” a todos, hesita entre um Museu flutuante, ou afunda-lo para prestigiar os  operadores de mergulho autônomo.

Ilhabela tem 23 naufrágios naturais

Ilhabela já tem vários naufrágios naturais. Ao todos  23 navios afundaram na região. O mais famoso  é o Príncipe de Asturias que naufragou em 1916, na Ponta do Boi. É um dos naufrágios mais emblemáticos do Brasil. Constantemente visitado por mergulhadores. Precisa mais um? Acreditamos que não.

Entrevista do Professor da USP Michel Mahiques

Assista oa entrevista do Professor Michel Mahiques, que diz: .. “O Besnard é história e mais que história da oceanografia, ele é história da ciência brasileira e ele merece um destino digno de sua história”.

COMTUR decide pelo afundamento do navio oceanográfico W. Besnard

Ainda o ilhabela.sp.gov.br::

“Estavam em pauta duas propostas para o destino do navio: a primeira, apresentada pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), defendia que a embarcação fosse afundada para se tornar um recife artificial para exploração da atividade de mergulho; a outra, apresentada pelo Instituto do Mar, queria transformar a embarcação em um museu”.

“Presente na reunião, o Secretário de Meio Ambiente, Mauro de Oliveira, apresentou um resumo das propostas aos conselheiros. “Foi uma boa oportunidade e gerou um bom debate ao esclarecer dúvidas sobre a proposta, solicitado pelos membros do conselho”.

“O conselho também pediu mais informações referentes às propostas, como o detalhamento de custos, para que estejam disponíveis antes da audiência”.

“A decisão tomada hoje em plenária será encaminhada ao prefeito e levada à audiência do dia 10 de agosto”, afirmou Ricardo Fazzini, presidente da COMTUR e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo.

A audiência pública para decisão do destino do navio está prevista para ocorrer no dia 10 de agosto.

O Mar Sem Fim lamenta

O Mar Sem Fim lamenta a decisão. Mas entende os motivos que levaram à ela, especialmente os altos custos para manter um museu flutuante. Que o Besnard seja o mais lindo recife artificial da costa brasileira.

Saiba porque o Mar Sem Fim é portuguez…(com ‘z’ mesmo, na publicação original).

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31 COMENTÁRIOS

  1. O fundo do mar é o destino mais acertado. Em primeiro lugar, lá ele continuará vivo, não só sendo incorporado à fauna, mas enriquecendo-a profundamente. Em segundo, será como foi dito acima, a solução de mais baixo custo. Por fim, em terceiro, a solução de maior lucro para a comunidade da Ilhabela. Serão dezenas ou centenas de mergulhadores visitando Ilhabela todas as semanas atrás de visitar o navio, o que não aconteceria se ele fosse apenas um museu. Mergulhadores são turistas diferenciados, de poder aquisitivo e conscientização ecológica bem acima da média. Podem movimentar o comércio da Ilha, como hotéis, restaurantes e escolas de mergulho. Mas não irão danificá-la.

  2. Caro João:

    Faço aqui algumas considerações e caso seja do seu interesse posso encaminhar-lhe o laudo do Eng. Naval condenando o navio.

    MUSEU
    O Navio NÃO serve para museu. Existe um laudo pericial de um Engenheiro Naval, datado de 2014 que já naquela época, condenava toda a estrutura e casco (obras vivas) do navio, imagine hoje três anos depois sem nenhuma intervenção preventiva no casco? Como museu, os custos de preparo para receber visitação seriam estratosféricos tanto para mantê-lo flutuando, como para mantê-lo em terra firme e ainda após abertura para visitação, os custos de administração e manutenções periódicas ao longo do tempo inviabilizaria o projeto levando seu administrador à bancarrota, tanto é verdade que, o próprio Instituto Oceanográfico da USP, tratou de desfazer-se dele.

    SUCATA
    Em termos de mercado, para ser cortado como sucata (peso do ferro) estima-se que o prof. Besnard valeria hoje algo entre R$ 200 à R$ 500 mil reais, porém, se levado a leilão, e arrematado por empresas do setor náutico, considerando que vários equipamentos poderiam ser reaproveitados em outras embarcações esse valor poderia chegar até R$ 1,5 milhão.

    DOAÇÃO
    Fala-se em doar o navio para uma ONG para transformá-lo em museu? Há de se verificar quais os reais interesses nessa transação, pois além do valor histórico, há valor patrimonial envolvido, ou seja, pode o poder público doar um bem que lhe foi doado para uma finalidade específica a bel-prazer, a uma entidade privada? Quem é essa ONG? Qual são os projetos de sucesso que ela já desenvolveu? Quais são as garantias de que ela tem recursos suficientes para levar adiante esse oneroso projeto de museu? Falar em investidores? Quais são eles explicitamente? Onde será esse museu? Quais seriam os benefícios para a população de Ilhabela? E se após a doação concluir-se o que já é sabido, notório e documentado que a estrutura do navio não oferece segurança para a visitação? Seria um “presente” e tanto hein?

    NAUFRÁGIO
    O navio foi doado ao Município de Ilhabela com a finalidade de tornar-se um recife artificial, e nesse sentido o ex-prefeito vinha tocando o projeto, para tanto havia contratado uma empresa para elaborar o licenciamento ambiental, com a nova gestão a Prefeitura parou o processo e agora, já há meio-caminho andado, lança ao público uma consulta pública para transformá-lo em museu, parecendo-nos mais pura picuinha com a gestão anterior e quem perderá? Senão vejamos:

    A Ilhabela já tem o Museu Náutico, qual a taxa de visitação à esse museu? Quanto a Prefeitura arrecada com ele? Quanto a Prefeitura gasta para mantê-lo?

    O projeto de naufrágios artificiais, é sucesso no mundo todo, e também aqui no Brasil no Recife, apoiado pela empresa Wilson Sons e a UFRN. Tais afundamentos são base de estudos de Mestrado e Doutorado de vários alunos de diversas universidades pelo País, além de criar um importante bioma artificial o que poderá resultar em produto para a comunidade pesqueira, preserva a biodiversidade marinha e ainda fomenta todo o trade turístico, uma vez que o mergulho contemplativo atrai turistas das classes A e B, para a rede hoteleira, restaurantes, meios de transporte, postos de abastecimento de combustíveis, logo, empresas que arrecadam impostos ao município de Ilhabela, portanto, falar em vantagens apenas para o setor de operadores de mergulho é desconhecer a cadeia produtiva do turismo. O Dr. Besnard foi assíduo frequentador de Ilhabela, nada melhor do que os Ilhéus para contar sua história.

    Portanto o destino menos oneroso e mais nobre é o afundamento. Mesmo como recife artificial, sua história de nobreza será eternizada e visitada por milhares de mergulhadores.

    • Olá, Andreoli, obrigado por sua mensagem. Que naufrágios são bons para serem transformados em recifes artificiais, caso o protocolo de preparação seja cumprido, não temos dúvida. Apenas quisemos dar visibilidade a outra opção, a do Museu, por vermos que não temos nenhum em forma de navio, e porque o Besnard tem a lida história que tem. Quando às questões da ONG, concordo que devem ser cuidadosamente verificadas pela prefeitura de Ilhabela. E, se forem bons, e viável economicamente, por que não?
      Em todo o caso agradeço pela participação. É mais uma consideração que enriquece a matéria. abraços

  3. Bom dia,me chamo Davi sou neto de ilha bela,meus pais naceram na ilha ,faço reformas navais no q precisarem caso conseguirmos transformá-lo em museu,minha empresa estará a disposição ,com baixos custos .

    • Olá, Davi, obrigado pela mensagem. A decisão não é minha, mas do prefeito. De qualquer modo fica aí sua sugestão. Sempre com minha torcida para que o Besnard não vá pro fundo. Abraços

  4. Muitas propostas interessantes, porém é necessário analise de viabilidade de cada uma das principais. Sem projeto fica dificil a decisão.

    • Oi, Irineu, isso é com a prefeitura de Ilhabela que já recebeu o navio. Ele foi doado à prefeitura da Ilha. Mas obrigado pela mensagem. Volte sempre, abraços

  5. Caro Comandante João Lara Mesquita.
    Muito prazer, meu nome é Alberto, sou filho de caiçara de Ilhabela. Me interessei muito pelo destino do navio Prof. W. Besnard, até pelo fato de eu ser professor e pesquisador. Então, estou incentivando outras pessoas a pressionar a prefeitura para aceitar a proposta para museu.
    Ano passado estive em Key West (FL), nos EUA e vi um navio-museu da Guarda Costeira lá, o USCGC Ingham. Escrevi para o responsável sobre o museu, perguntando sobre custos e manutenção e ele me enviou a resposta hoje. Gostaria de compartilhar com o senhor, o que talvez possa esclarecer ao público um pouco mais de quais seriam os custos de manter o navio como museu. Obrigado e parabéns por todos os seus projetos.

    Greetings Alberto.

    I believe the museum idea is quite a noble one. Here in the United States we have roughly 85 museums ships. Our biggest issue is getting enough money to do the things we would like to do. Some ships have benefactors that give large sums of money every year to help maintain them. As you can imagine, trying to keep up with the maintenance on a steel ship in salt water can become challenging over time. If the ship is received in good shape you can more easily keep her that way. If you choose to keep her operational, there are other considerations that must addressed with your country’s regulatory agency.

    As a museum you will need to make the ship easy for tourists to walk though interesting parts of the ship. Advertising will have to be part of your budget considerations.
    If not for the tourists, the museum will have a difficult time staying open.The money to keep her going will have to come from somewhere. Tourism accounts for about 1/3 of our operating budget. We also rent the ship out to individuals and organizations and constantly campaign for tax deductible contributions. We spend over $250,000.00 US per year just to open the ship as a museum. This does not include emergency repairs, such as water line breakage or toilet issues in the public restrooms, or burned out lights or welding patches in the steel deck to keep it dry below.

    It takes many people to maintain a live steel ship in salt water. The electrical system must be operating properly. If not, you may experience a very rapid rate of corrosion of the hull. Someone should check the bilges every day to check for water leakage below the water line. Any rust above decks should be taken care of as soon as possible since it will result in a hole allowing water below possible damaging equipment and artifacts. The size of your ship will make all these tasks a bit easier to handle. I’m sure you can find responsible people for the tasks. It is best to have someone, as head of maintenance, that has knowledge of ships.

    We like to take readings on the speed of hull corrosion every month. This can be done by your own people and the proper equipment needed is available. We also will begin to take audio gauge soundings of the hull, in this way we may find thin places in the hull plating before they become a problem. Make sure to keep sacrificial anodes, below the waterline, free of paint and change when necessary. This will require a team of divers. Through hull fittings for the engines and, water intakes or exits, must be monitored for leaks.

    Our countries have different laws governing things like museums and ships. In the United States there are several things that need to be addressed.
    we have liability insurance that must be carried to safe guard against tourists falling on ladders or decks. We also carry insurance to help pay for any possible environmental damage such as oil spills into the harbor. Fire suppression must addressed in case of fire. Mooring lines must be properly installed and of sufficient strength to insure the ship does not break loose and cause damage to the surrounding area, or other ships at that location. We have gasoline powered pumps and generators in case of power failures. We currently do not have water in our bilges, but in a storm situation, or being pushed against the pier, it is possible to damage the hull and take water.

    I hope this gives you a bit of insight into some of the things you will face, I also hope it will not deter you from going ahead with the museum project.

    Wishing you success.

  6. boa tarde tenho uma epresa em santos de reparo naval na area de mecanica, solda, usinagem. a embarcação ja fiz serviços no passado precisando de orçamento estamos pronto para atendre. marcus v. guimaraes. tel.3233-2545 – cvel. 99104-6493

  7. Tomei contato a pouco com esta publicação e fiquei feliz em saber que João Lara está por trás dessa iniciativa.
    Ocorre o seguinte; estou encarregado pelo Instituto de Ciências de São Paulo, o ICASP de representá-los no próximo dia 31 de março, em Ilhabela, na reunião que definirá o destino do Navio Prof. Besnard. A proposta do Instituto é torná-lo um Navio Escola para os cursos voltado as ciências do mar em nível técnico e, com alguma sorte, utilizar suas instalações para preparar novos aquaviários além de condutores nos níveis Arrais, Mestre e Capitão. Nosso Instituto ainda vê a possibilidade de estruturar projetos sociais voltados à educação de jovens carentes dos municípios circunvizinhos. Enfim, estaremos lá pra tentar garantir a continuação da história do Navio Prof Besnard. A propósito, além de ser oceanógrafo e de ter navegado no Besnard, fui o mergulhador que mergulhou no Tietê quando você, João Lara, era o Presidente do SOS Mata Atlântica. Um abraço, Luiz Roberto

  8. Olá.

    Assim como o Vilberto, fui aluno de oceanografia da segunda turma do bacharelado. A situação que o navio se encontra é de muita tristeza realmente.
    Participei de algumas expedições, pela costa brasileira. Infelizmente nas expedições Antartica o prof. Besnard ja estava aposentado.Passamos por excelentes momentos nele e também por momentos que foram bastante preocupantes para nós, mas que não vem ao caso.
    Bem como a opinião do Vilberto e do Roberto Ávila (que também tive o prazer em trabalhar com ele) acredito sim que a melhor opção seria a de afundamento.
    O prof Besnard nos serviu para o registro de tantos dados, tantas coletas! E porque não ele agora fazer parte de novos estudos, novas pesquisas.
    Fizemos parte de uma pequena página da história desse grande navio. Mas talvez recuperá-lo para novas expedições traria muito custo para o empreendimento.
    De fato, acho sim que agregaria mais valor e daria um final mais digno ao navio prof. Besnard se ele fosse afundado. Ao mar, com certeza, retornarás…

    • Olá, Thiago, muito obrigado pelo correio. Pelo visto todos concordamos. Se é muito caro transforma-lo em museu, que seja afundado e colonizado. abraços

  9. De museus vazios e à beira da insolvência o Brasil está cheio. Eu proporia atracá-lo em algum pier da Ilhabela, aproveitando algum dos existentes (no do Perequê talvez) ou fazendo-lhe um exclusivo (em algum lugar a ser escolhido entre Barra Velha e Vila), mantendo-lhe o aspecto externo, reformando o interior e adaptando os conveses de maneira a torná-lo um local de lazer, com restaurantes, cinema, café (não excluo a possibilidade de lojas). Até um ambiente para “convenções de bolso” talvez pudesse abrigar. O interesse histórico, sem que a embarcação fosse transformada num museu exclusivo, desenvolver-se-ia em meio à ambientação das atividades propostas.

  10. Realmente esta situação de abandono não é nem um pouco digna para um navio que tanto nos serviu.
    Como aluno da terceira turma de graduação do IO USP tive o prazer de participar de um de seus últimos cruzeiros de pesquisa ao longo da costa paulista.
    Assim como o Roberto Avila também acredito que seu afundamento também seria uma maneira deste pequeno grande guerreiro continuar contribuindo para a ciência marinha brasileira. Seria um marco na discussão sobre implementação de recifes artificiais no estado de São Paulo, já que não se tem tanta noticia de recifes de colonização e turismo subaquático.
    Entretanto, também gostaria de vê-lo soberano, flutuando, e de porto em porto levar esta importante história que tão poucos conhecem.
    E não digo apenas as historias de desbravamento do continente gelado, mas também a historia da ciência marinha do Brasil.
    Enfim, seja qual for o final deste Navio, que este final seja melhor do que ficar a exposto a corrosão e abandono.

    • Olá, Vilberto, pelo visto todos somos admiradores do Besnard e o tanto que ele nos serviu. Concordo com vc que o navio não pode ficar simplesmente apodrecendo no cais até afundar. Seria indigno demais. Vamos pedir à USP que seja breve no encaminhamento da questão. E tomara que um dia o Besnard esteja repleto de corais, descansando no fundo do mar, e visitado por mergulhadores. Grande abraço e volte sempre!

  11. Pessoal, eu também embarquei diversas vezes no Besnard, incluindo a IV Expedição à Antártica. Soube que condições do casco do Besnard estão bem precárias. Acredito que qualquer tentativa de colocá-lo no seco para transformá-lo em museu pode danificá-lo ainda mais. Acho que o melhor seria retirar partes importantes como a sala de comando e outras, e junto com documentos, registros e fotografias das expedições realizadas com ele, colocar num espaço onde possa ser visitado pelo público. Sou a favor do afundamento do casco para transformá-lo num grande recife artificial que seria um laboratório vivo para pesquisa científica, tema para educação ambiental e turismo ecológico. Assim a história deste belo navio teria continuidade contribuindo ainda mais para o aumento do conhecimento sobre a vida marinha, além de gerar empregos diretos e indiretos através do turismo, como é feito em diversos países com absoluto sucesso.

    • Olá, Roberto, seja bem- vindo a bordo do Mar Sem Fim! E muito obrigado por sua colaboração. De fato, a transformação do Besnard em recife artificial é uma das possibilidades ainda que eu, particularmente, prefira a opção do museu. É muita história, muitas viagens para relembrar. Abraços

      • Caro João, acho que as duas opções são bem possíveis desta forma. E vejo que muitos trabalhos científicos – dissertações de mestrado e teses de doutorado, poderão ser realizados sendo ele um laboratório vivo tão próximo das instituições de ensino e pesquisa. Será o primeiro naufrágio controlado do Estado de SP. Nesse “espaço” poderá ser mostrado também a evolução da colonização do navio pela biota marinha, e mostrar os resultados das pesquisas. Todo mundo ganha com isso.

  12. trabalhei embarcado na embarcação veliger 2, 1980 que tbm faz parte do instituto oceanagráfico e recebi uma medalha de tripulante honorario da expidição proantar primeira pesquisa da antartica com esse navio,pra mim o prof.w.bernades é e sempre serar o um navio de grande importançia para ser ocupado por novos biologos do brasil pois fazendo um museu dele daria para mostrar aos novos biologos oque esse navio de pesquisa foi na déca de 1980 e importançia em mante-lo flutuando ok abrs.

    • Olá, Marcelino, seja muito bem- vindo a bordo do Mar Sem Fim.Parabéns pela medalha, e vamos engajar mais pessoas. Compartilhe o post nas suas redes sociais, isso ajuda bastante. E tomara que seja possível o Museu Prof. W. Besnard. Seria lindo, abraços

  13. Mar Sem Fim poderia encabeçar um abaixo assinado virtual e com isso encaminhar aos parlamentares para a ideia do museu se concretizar. Sugestão.

    • Olá, Alcione, bem- vinda a bordo. Mas não, o máximo que o Mar Sem Fim pode fazer é apoiar alguma iniciativa concreta, bem- feita, envolvendo a iniciativa privada, etc. Neste momento em que a economia derrete, não dá pra contar com dinheiro público. Mas obrigado de qualquer jeito. Saudades de vc e suas incríveis histórias. Mulher guerreira!

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