Palmeira Juçara ameaçada por sua espécie híbrida

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Palmeira Juçara ameaçada por sua espécie híbrida

Para cientistas a Palmeira Juçara, ameaçada por sua espécie híbrida, agora pode perder espaço na Mata Atlântica.

imagem palmeira juçara

A espécie híbrida

A espécie híbrida surgiu da mistura entre a Juçara e o Açaí da Amazônia, justamente como uma estratégia para salvar a planta da extinção. Mas agora a híbrida é sua nova ameaça.

Décadas de extração ilegal

A extinção da Palmeira Juçara começou principalmente por causa das décadas de extração ilegal de palmito. Ela foi alvo de uma exploração predatória intensa por pelo menos 50 anos.

Agora cientistas temem que a nova palmeira invada o espaço da Juçara na Mata Atlântica. A concorrência desigual contribuiria com o desaparecimento da palmeira nativa. Os dados reais e atuais indicam que a Palmeira Juçara, que no passado já dominou toda a paisagem da Mata Atlântica, hoje só é encontrada com relativa abundância no interior de unidades de conservação.

Várias estratégias foram imaginadas para diminuir a pressão sobre a Juçara. Mas nenhuma  parece ter sido capaz de reduzir a ação ilegal dos palmiteiros.

Uma das opções para preservação, colocada em prática há mais de 30 anos, é considerada por cientistas como uma potencial ameaça à própria planta que pretendia salvar: a criação de uma espécie híbrida entre a Juçara e o Açaí.

Para Dalva Matos, professora de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar),

Se o híbrido for difundido, os inúmeros animais que se alimentam da fruta da palmeira juçara – e dispersam suas sementes pela floresta – passam a se alimentar do híbrido também. Isso diminui a dispersão da juçara, que nesse caso ficaria cada vez mais escassa. Além disso, o híbrido rebrota e tem vários caules, produzindo muito mais. A competição com a Juçara pode ser desigual

Incertezas sobre impactos na floresta

Segundo a professora, ninguém confirmou que o híbrido seja de fato estéril. E há grandes incertezas sobre seus impactos na floresta. Dalva Matos participou dos estágios iniciais de um  estudo sobre os riscos ecológicos da hibridação entre Juçara e Açaí, coordenada pela cientista Marilene Leão Alves Bovi, do Instituto Agronômico (IAC).

O IAC abandonou as pesquisas com Juçara e híbridos e concentrou os esforços nos trabalhos com pupunha.

Para Pedro Brancalion, professor de silvicultura e espécies nativas da USP, a exploração ilegal do Juçara é feita por pessoas em condição social extremamente desfavorecida – em especial no Vale do Ribeira, região mais pobre do estado de São Paulo.

Em uma semana de trabalho, essas pessoas ganham um bom dinheiro ilegal, apesar dos riscos. É uma combinação de problema social, vulnerabilidade da planta e leniência do Estado

Fonte: Fabio de Castro- O Estado de S. Paulo

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