Litoral Sul de São Paulo: ameaças no horizonte

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Litoral Sul de São Paulo: construção de termoelétrica e gasoduto marítimo são  ameaças à várias e importantes unidades de conservação

Litoral Sul de São Paulo: Atualizado em 15 de Março, 2017

Agora já temos como efetivamente começar uma campanha popular pelo fim da construção da Termoelétrica de Peruíbe. Um dos internautas que reagiu ao post enviou um link para um abaixo- assinado dirigido ao Ministério Público pedindo o fim  da termoelétrica. Todo mundo sabe que nestes momentos a internet ajuda. Vide a Primavera Árabe e, mais perto da gente, o impedimento da Dilma. Ambos os movimentos são filhos da rede mundial de computadores. Vamos lá: ASSINE O ABAIXO- ASSINADO PELO FIM DA TERMOELÉTRICA DE PERUÍBE.

Leia também os comentários feitos por internautas abaixo da matéria. Chegaram muitos. Alguns, como os de Plinio Melo, da ONG Mongue Proteção ao Sistema Costeiro, ajudam a entender o problema.

Matéria original:

O Diário do Litoral de 7 de março traz notícia preocupante: a reportagem do jornal  obteve cópia do parecer técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), emitido em setembro do ano ­passado informando sobre a construção de uma usina termoelétrica com 180 hectares- equivalente a 180 campos de futebol- que deve ocupar áreas de amortecimento do parque estadual da Serra do Mar e Xixová-Japuí.

Litoral Sul de São Paulo: projeto foi feito na surdina

Estranhamente, mesmo sendo em área de amortecimento de dois parques estaduais do litoral Sul de São Paulo, a notícia só veio à tona agora, sem prévio aviso das autoridades envolvidas. Diz o jornal que o assunto “sequer foi tema da reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) de Peruíbe, ocorrida na última sexta-feira (10)”.

Terminal do gasoduto ficará no entorno de unidades de conservação, a Estação Ecológica Tupiniquins (Ilha Queimada Pequena)

A ONG Mongue Proteção ao Sistema Costeiro que atua há 15 anos na região confirmou o projeto. Para seu presidente, Plinio Melo,

Um grande navio ficará fundeado no entorno da Estação Ecológica Tupiniquins (Ilha Queimada Pequena) para armazenar o gás natural e fornecer suprimento de combustível à usina

Quanto à Usina, com capacidade de 170 megawatts, diz Melo:

Essa obra trará um imenso impacto ambiental e pouca gente está sabendo. Peruíbe possui sete áreas de conservação ambiental. A Mongue vai continuar acompanhando o projeto, exigir audiências públicas, manifestação do Condema e das autoridades municipais. O empreendimento vai, inclusive, atingir a área destinada ao novo aterro sanitário do Município. Então, vamos resistir, pois a obra trará impactos para a pesca, comércio e turismo

Litoral Sul de São Paulo, ilustração de usina termelétrica em Peruíbe, SP
Ilusttração: G1

Apesar dos impactos, e tamanho da obra no Litoral Sul de São Paulo, sociedade não foi consultada ou avisada

O Diário de Santos confirma que o projeto está adiantado apesar de, até o momento, a sociedade e órgãos locais não terem sido avisados. “Também tem cópia de um informe da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da Cetesb que diz que já foi emitido o Termo de Referência (TR) para elaboração de Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para o empreendimento intitulado “Projeto Atlântico Energias”.

Obra no litoral Sul de São Paulo é avaliada em R$ 4 bilhões

A obra será feita pela empresa GasTrading, do Grupo Léros. O Diário de Santos entrou em contato com o responsável, Alexandre Chiofetti, diretor-presidente da GasTrading, que confirmou que a consultoria ambiental está concluindo o EIA-RIMA, que será submetido à Cetesb. Segundo ele, depois disso

haverá a audiência pública para a apresentação do projeto à sociedade e aos órgãos públicos. A próxima etapa é a licença prévia

Litoral Sul de São Paulo ainda é relativamente bem preservado, mas usina e terminal ameaçam unidades de conservação

Seja pela dificuldade de acesso, ou o problema de uma economia mais atrasada, o litoral sul de São Paulo ainda é uma das joias da zona costeira brasileira. Além das unidades de conservação acima citadas, é ali que fica A APA Cananéia – Iguape – Peruíbe, além do Mosaico Itatins- Juréia, com uma área de cerca de 80 mil hectares.

Litoral Sul de São Paulo, imagem da -praia-cambriu- São Paulo
O litoral sul de São Paulo ainda guarda paisagens como a da praia de Camburiu, em Cananéia. Mata Atlântica desde o topo do morro que se transforma em restinga quando chega na baixada, e segue assim até a praia. É isso que está em risco.

Esta unidade de conservação foi resultado de uma tremenda disputa entre o setor imobiliário (Gomes de Almeida Fernandes), que queria retalha-la em condomínios e loteamentos, enquanto  os militares queriam construir duas usinas nucleares na Juréia. Felizmente, daquela vez ganhou o bom senso. Nem especulação imobiliária, muito menos usinas nucleares, que acabaram em Angra dos Reis. Ali foi criada uma das mais espetaculares unidades de conservação da costa brasileira: o Mosaico Itatins- Juréia. Sem falar na enorme importância do lagamar, considerado um dos mais importantes berçários de vida marinha do Atlântico Sul.

Litoral-Sul-de-São-Paulo

Vão conseguir estragar o Litoral Sul de São Paulo?

A briga pela criação da Juréia foi forte, contou com grande apoio da opinião pública, e um governador sensível à causa, Franco Montoro. Será que agora vão conseguir estragar mais este microcosmo da biodiversidade brasileira? Vai depender de cada um de nós. Se não houver  pressão da opinião pública o que era doce pode se tornar amargo.

litoral sul de São Paulo, imagem de praias desertas no litoral sul de SP
Paisagem, espetacular e virgem, vista de cima do Farol do Bom Abrigo: é disso que se trata.

Saiba como foi a luta pela criação do Mosaico Itatins- Juréia.

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14 COMENTÁRIOS

  1. Eu sou paulistano e peruibano. Há mais de 40 anos conheço Peruíbe e tenho imóvel em Peruíbe e portanto esta cidade é minha também. Considero um absurdo que uma empresa tão séria quanto a Cetesb aprove este projeto, trabalhei durante oito anos nesta empresa e me recordo do esforço técnico desta importante instituição para retirar Cubatão do mapa nacional das cidades poluídas. Este quadro mudou, se não o suficiente mas mudou o necessário – e as empresas passaram apresentar projetos de controle de suas emissões atmosféricas e ocorreu uma maior preocupação no controle de seu materal líquido e poluído que era despejado no Rio Cubatão.
    Este passado de respeito ao meio ambiente é que os técnicos atuais da Cetesb devem levar em consideração em suas decisões.
    Quanto a questão do Litoral Sul ser uma região pobre ; existem ações que poderiam melhorar esta situação. Existe um projeto na Assembléia Legislativa desde de 1.995 aguardando ser discutido e aprovado quanto a construção de uma terceira Imigrantes que desembocaria em Itanhaém próximo da divisa de Peruíbe e desde houvesse um controle para evitar uma especulação imobiliária desenfreada, poderia melhorar o fluxo de pessoas para o Litoral Sul. A informação oficiosa que circula é que esta obra sairia de Parelheiros(anel rodoviário sul).
    O atual Prefeito que é do mesmo partido do Governador poderia envidar esforços para trazer uma Universidade Pública para Peruíbe – de preferência – MEDICINA – e com isto melhoraria substancialmente as condições de saúde da região, não só de Peruíbe, mas Pedro de Toledo, Itariri e outras; além de trazer novos habitantes para a cidade.
    Existem idéias que devem ser discutidas antes desta tomada de decisões que podem colocar em risco este santuário ecológico.
    Outro aspecto importante, para gerar energia um navio ficará em Peruíbe com gás.De onde vem este navio, da área do Pré-sal no Rio de Janeiro? Se positiva a resposta, inicia-se o absurdo pois o navio que contém o gás “vai passear” do Rio de Janeiro até o litoral sul de São Paulo e a partir daí, através de tubulações alimentar a região de Santos, Qual a lógica econômica desta ação???? NENHUMA.
    Este projeto deve ser discutido publicamente e não apenas entre gabinetes de representantes eleitos democraticamente pelo povo.O país precisa mudar e está mudando e portanto este tipo de ação sorrateira não deve ser o “modus operandi” de políticos que se dizem a favor dos interesses da população.
    O nosso Governador poderia ter um gesto de grande amplitude política, discutir no estado todo este tipo de ação e seus prováveis efeitos econômicos e ecológicos, pois Peruíbe tem peruibanos oriundos da região metropolitana(Campo Limpo) como eu e outros tantos, tem peruibanos de Araraquara, Campinas, Nova Odessa,Indaiatuba, Registro, Santa Catarina, Paraná, e outras cidades de nosso estado.Vamos praticar a discussão democrática que é um dos pilares do estado moderno.

    • Olá, Antônio, muito obrigado por seu correio tão lúcido. Concordo plenamente. E, de fato, Cubatão melhorou muito. É só uma questão de querer fazer. Agradeço suas informações sobre a região de Peruíbe, elas vão completar a matéria do site. Acredito na democracia e na força da opinião púbica. Se todos permanecermos unidos em torno de uma ideia nós vamos conseguir. Se pudesse dar uma sugestão, diria para vc ficar em permanente contato com este site, e com a ONG mencionada no post. A qualquer novidade nos avise. Vamos dar a visibilidade possível. Grande abraço e até a próxima!

  2. [email protected],
    Fiz uma apresentação na reunião do Conselho de meio ambiente de Peruíbe para que (acredite) Conselheiros e Vereadores conhecessem o projeto. As manifestações foram, a exceção de uma pessoa, foram contrárias ao projeto.
    Nosso grande inimigo é o Governo Paulista. A Fundação Florestal bateu todos os recordes de tempo para se manifestar. No MESMO DIA o Diretor Executivo recebeu e enviou o parecer do Gestor da APA Litoral NORTE. Isso mesmo: Apesar do empreendimento ser na APA Centro, a manifestação foi da APA Norte….
    Vídeos da Reunião do Conselho estão disponíveis no endereço http://bocaderua.com.br/?p=26371

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