Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins

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Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia Itatins

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins: entenda

“Arie” significa Área de Relevante Interesse Ecológico. De acordo com a definição do ICMBio são “áreas em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais singulares ou mesmo que abrigam exemplares raros da biota regional. Sua criação visa a manter esses ecossistemas naturais de importância regional ou local, bem como regular o uso admissível destas áreas, compatibilizando-o com os objetivos da conservação da natureza.”

Bioma: marinho costeiro

Características:

Área: 358,88 hectares

Município: Peruíbe.

Diploma legal de criação: decreto 91.889 de 5 de novembro de 1985.

Tipo: uso sustentável.

Plano de Manejo: Apesar da idade da UC federal, 29 anos, a UC não conta com plano de manejo. No momento de minha visita a UC também não tinha um chefe designado. Fomos recebidos por Márcio Barragana, chefe da UC APA Cananéia- Iguape- Peruíbe.

Bioma: Mata Atlântica.

UC FEDEARL ARIE ILHA DO AMEIXAL:

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem de mapa da arie- ilha do ameixal-
A pequena ilha do Ameixal, UC Federeal, é cercada pelo Mosaico Itatins Juréia, UC estadual.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins: caderno de Anotações

Não é nada fácil entender a política do Ministério do Meio Ambiente ao decretar Unidades de Conservação Federais na zona costeira. A ilha do Ameixal, criada  em 1985, é pequena e cercada por manguezal. Ela está inserida numa área de fantástica biodiversidade e grande beleza cênica tanto que em 1986, apenas um ano mais tarde, a região foi transformada em UC  estadual: a Estação Ecológica, hoje conhecida como “Mosaico”, Juréia Itatins.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem de manguezal-juréia- e ilha ameixal-Mosaico Juréia- Itatins.
À direita parte da Ilha Ameixal. Ao fundo a Serra da Juréia.

Ilha do Ameixal UC marinha federal porquê?

É complicado entender porque apenas a ilha do Ameixal foi transformada em UC Federal já que faz parte de um conjunto excepcional do bioma Mata Atlântica.

O que levou o Governo Federal em 1985 a escolher só esta pequena ilha, e não todo o restante (área de cerca de 80 mil hectares), é um mistério como tantos outros que venho descobrindo e que, imagino, só será esclarecidos quando eu tiver tempo para ir até Brasília conversar com as chefias do ICMBio ou MMA. No momento estou em fase de gravação de programas o que impede qualquer outra viagem que não seja para cumprir este objetivo.

No devido tempo pretendo desenrolar este, e os outros nós que a nova série de documentários gera a cada visita.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem de um-tucano-Mosaico Juréia- Itatins.
Habitante do Mosaico Juréia Itatins.

Ameixal é banhada pelo rio UNA e pouco se sabe a respeito dela. Os estudos sobre flora, fauna, e que tais, não foram concluídos apesar dos 29 anos da UC. Não há plano de manejo, muito menos conselho gestor. Na verdade não há quase nada a não ser a própria ilha. No momento Ameixal está sem chefe também, motivo pelo qual fomos gentilmente acompanhados pelo chefe da APA Cananéia- Iguape – Peruíbe, Márcio Barragana, que se deslocou até lá para nos receber.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem do rio-Una,Mosaico Juréia- Itatins.
O rio Una.

Site do ICMBio não esclarece

Antes da viagem procurei informações no site do ICMBio que tem alguns documentos sobre as UCs federais. Infelizmente eles também não esclarecem grande coisa. Na minha opinião trata-se de mais uma falha da autarquia que poderia usar os modernos e democráticos instrumentos de divulgação, como a internet, para esclarecer os donos das UCs, os brasileiros, a respeito das características de cada área, seu histórico e valor, ou divulgar as pesquisas realizadas naquelas dedicadas a este fim. Até meu Labrador sabe que só se valoriza, e preserva, o que se conhece.

 Sempre consulto o site do ICMBio, mas ele tem muitas falhas e inconsistências. Veja este documento específico sobre Ameixal e tente descobrir algo que sirva.

Seja como for cumprimos nosso objetivo ao circunavegar a ilha gravando imagens de todos os seus ângulos. Quanto a esta UC federal, é tudo que posso dizer, infelizmente.

MOSAICO ESTADUAL JURÉIA ITATINS

Bioma: marinho costeiro.

Município: Peruíbe.

Área: 80 mil hectares.

Mosaico entenda:

Reunião de seis UCs superpostas numa mesma região. Uma ESEC, dois Parques Estaduais, duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável e um Refúgio da Vida Silvestre.

Plano de Manejo: Iniciado em março de 2008 com estudos voltados ao Mosaico de Unidades de Conservação Juréia-Itatins, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e o Instituto Socioambiental (ISA), a previsão de conclusão era agosto de 2009. As atividades foram suspensas em junho de 2009 em função de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) contra a criação do mosaico. Estacionado em fases conclusivas (última atividade realizada foi a Oficina de Programas em maio de 2009).

Caderno de Anotações:

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, iamgem de mapa mosaico-itatins-juréia-
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. A área do Mosaico Itatins Juréia compreende também a da ilha do Ameixal.

Em seguida completamos o programa mostrando a Unidade de Conservação Estadual “Mosaico” Juréia Itatins” que, além da beleza e riqueza, tem uma linda história. Ela ocupa uma área de cerca de 80 mil hectares, fica no bioma costeiro e está encravada entre quatro municípios do sul de São Paulo: Iguape, Miracatu, Itariri e Peruíbe.

Histórico da criação do Mosaico Juréia- Itatins

A Unidade de Conservação foi criada num período complicado quando a área era disputada pelo setor imobiliário (Gomes de Almeida Fernandes) e pelos militares. Os primeiros estavam de olho na beleza da região, e suas praias desocupadas, prontos para implantarem os famigerados condomínios e loteamentos que tanto estragam nosso litoral.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem da-praia-do-Una-e-serra-da-juréia,Mosaico Juréia- Itatins.
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. Por pouco a praia do Una não foi detonada por loteamentos e condomínios.

Os segundos, através da NUCLEBRAS, queriam construir duas usinas nucleares na Juréia.  No meio deles, espremidos, os ambientalistas. A beleza da história é que foram estes os ganhadores da peleja.

Franco Montoro, um governador verde

Em 1986, durante o Governo de Franco Montoro, foi decretada a Estação Ecológica que englobou a área da Reserva Estadual Itatins (criada em 1958). Um ano depois, em 87, foi finalmente implantada a Estação Ecológica Juréia- Itatins através da Lei/Estadual 5.649/87.

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Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. A praia, e a fantástica restinga, do Rio Verde.

A UC é deslumbrante. Entre os ecossistemas prevalece a Mata Atlântica e seus associados, mata de restinga e manguezais. Mas há praias, costões rochosos, e alagados.

Os rios que nascem no Serra da Juréia desaguam no mar atravessando a planície costeira dando ainda mais cor e vida ao ambiente. Os mais importantes são o Rio Verde, o Una do Prelado, e o Guaraú.

Dilema na criação da UC Juréia- Itatins

Mas a criação desta UC provocou um dilema. Sendo uma Estação Ecológica (Estações Ecológicas são de proteção integral) ela não admitia moradores na área. Acontece que havia 350 caiçaras na região.

Parte deles desistiu da briga mudando-se para bairros periféricos de Iguape. Outros fundaram a União dos Moradores da Juréia, em 1989, e passaram a contar com apoio de políticos, sempre a espreita para se aproveitarem de situações como esta.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem de cachoeira-dos-macacos-Mosaico Juréia- Itatins.
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. Cachoeira dos Macacos.

O Estado se mostrou incapaz de controlar a situação. Alguns ambientalistas propunham a transferência dos moradores, outros contemporizavam. Finalmente, em 2006, decidiu-se pelo “Mosaico”, um conjunto de seis UCs que contempla algumas onde a presença humana é permitida. Assim, dentro da área da Estação Ecológica nasceram duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (uma na divisa do município de Miracatu, outra próxima a foz do rio UNA), dois Parques Estaduais, Itinguçu e do Prelado, e a derradeira UC, o Refúgio da Vida Silvestre Ilhas do Abrigo e Guraritama.

Em nossa visita fomos recebidos e acompanhados pelos chefes Aruã Caetano e Manoel Messias. Apesar do pouco tempo conhecemos diversos trechos entre eles os rios Una e Verde, as praias do Caramborê, do Una, e do Rio Verde cuja mata de restinga é de tirar o fôlego. E ainda estivemos no Núcleo Grajaúna.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem de restinga-rio verde,Mosaico Juréia- Itatins.
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. A perfeição da restinga intocada: começa rala, ainda na praia; depois cresce e sobe, sempre deitada na direção em que sopra o vento. Na encosta do morro surge a Mata Atlântica em todo o seu esplendor.

Fantástica equipe do Mosaico Juréia- Itatins

Na entrevista que fiz com Aruã veio a melhor de todas as surpresas, e a certeza de que as UCs federais sofrem mesmo de esquizofrenia, como tenho relatado. Ao perguntar sobre a equipe que toma conta do lugar quase caí de costas: são vinte e oito guarda- parques, trinta e seis vigilantes (que também atuam na fiscalização) além de 9 monitores ambientais! Estes últimos são encarregados da educação ambiental aos visitantes, ou em escolas, associações de classe, etc.

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem da -barra-rio-una, Mosaico Juréia- Itatins.
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. A barra do Una.

O assombro com o aparato provoca inescapável redundância: vinte e oito guarda- parques e trinta e seis vigilantes para tomarem conta de uma área com cerca de 80 mil hectares!!! E tem mais: ao todo setenta pesquisas foram, ou estão sendo feitas na UC, abrangendo desde a geologia, até a flora, fauna, avifauna, e outros temas de interesse.

Se somarmos todas as quinze UCs federais visitadas até agora não chegamos a um terço do número de pessoas encarregadas da fiscalização.

Para citar apenas um exemplo, já relatado em matérias anteriores, a APA de Guaraqueçaba com 288 mil hectares tem apenas três analistas ambientais.

Se o Estado de São Paulo pode dar o suporte necessário para uma Unidade de Conservação, porque o Governo Federal não pode?

Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins, imagem do rio-verde, Mosaico Juréia- Itatins.
Arie Ilha do Ameixal e Mosaico Juréia- Itatins. A beleza do rio Verde.

Ganha um doce quem acertar a resposta: falta vontade política, sobra corrupção, caradurismo, desgoverno e aparelhamento do Estado. Para desfazer esta “gororoba” basta  eliminar os ingredientes anteriores, acrescentar uma pitada de seriedade,  duas colheres de eficiência no trato da coisa pública, e respeito ao contribuinte que paga a conta. Pronto. Depois é só servir à sociedade angustiada, maltratada e enganada que, exasperada com tanto descalabro, sai à rua para protestar em junho. Ela, a sociedade, deveria reclamar e exigir todos os dias, em todos os meses do ano!

E por hoje é só. Até a próxima.

SERVIÇOS

Visitar a Estação Ecológica é impossível. Esta é uma UC fechada ao público. As outras, entretanto, estão abertas mas é preciso agendar. A sede da UC fica em Peruíbe, na Estrada do Guaraú, 4.164.Caixa Postal 159, CEP: 11750-000- Peruíbe-SP

Telefones(13) 3257-9243, ou (13) 3257-9244

E-mail da UC: [email protected]

Nome do gestor: Manoel Messias dos Santos

Centro de Visitantes (para atividades de Educação Ambiental): Na Sede Administrativa, Núcleo Itinguçu e Arpoador.

Capacidade dos auditórios:

 Sede Administrativa: 30 pessoas
Núcleo Itinguçu: 50 pessoas
Núcleo Arpoador: 20 pessoasDistância de SP, Sede Administrativa160Km

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9 COMENTÁRIOS

  1. Assistindo hoje (11/01/2015) ao canal Cultura vi que estava passando uma matéria sobre a Juréia Itatins, em Peruíbe. Infelizmente consegui assistir apenas os últimos 5 minutos da matéria.
    Como eu poderia ter acesso à matéria novamente.
    Agradeço a atenção e parabéns pelo trabalho!

    • Maurício, obrigado pelo correio. Em breve este episódio estará no site mar sem fim. Já estão no site os quatro primeiros programas. Fique atento, em breve o da Juréia também estará lá. Abraços e volte sempre!

  2. Foi emocionante ver as belas imagens mostradas pelo programa. O Rio Una, Maciço da Juréia, Rio Verde, o caminho do Telégrafo, etc…
    Tivemos o privilégio de conhecer esse paraíso, totalmente preservado. Por duas vezes, fizemos uma caminhada de aproximadamente 40Km, indo do Rio Una até a praia da Juréia, no bairro do Icapara, Iguape. A caminhada é organizada por peregrinos, em conjunto com IBAMA e Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em homenagem ao Bom Jesus de Iguape, cuja imagem foi encontrada na praia do Una, por indígenas que habitavam a região, em 1638. Não podemos deixar de lembrar de nosso ilustre e querido professor Ernesto Zwarg. Principal liderança dos “espremidos ambientalistas”, que com sua brava luta e determinação, conseguiu vencer incorporadoras e militares, garantindo esse patrimônio para as futuras gerações. O programa foi especial, mostrando caminhos inesquecíveis, como a subida da montanha e a chegada na praia do Rio Verde.
    Parabéns João, pela série de documentários que vem nos apresentando, em especial a este, que nos trouxe toda a riqueza e beleza da nossa Juréia.

    • Oi, Tereza, bem-vinda a bordo do mar sem fim! Emocionante é receber mensagens com a sua depois de cada programa. Mutíssimo obrigado. Sabendo que temos telespectadores como você ficamos ainda mais animados com as possíveis consequências que juntos almejamos para a zona costeira. Volte sempre. Grande abraço e até a volta!

  3. Excelente programa. Não conhecia o tamanho dos parques. Pena que o poder publico não da o devido valor a este importante eco-sistema. Continue assim, a mostrar as belezas de nosso litoral, com certeza vai despertar o respeito pela natureza em muita gente. PARABENS !!!!

    • Olá, Pedro, bem-vindo a bordo! Muito obrigado pela audiência e correio. Espalhe, coloque nas redes sócias, discuta com os amigos. Só assim, engajando mais pessoas vamos conseguir destravara o ICMBio até que o órgão receba as verbas necessárias para cumprir seu objetivo de proteção às áreas mais ricas da zona costeira. Grande abraço e até breve!

  4. Que trabalho lindo vc faz…estamos encantadas…aliás vc pode comentar sua experiência sobre a Ilha Comprida no litoral de São Paulo? Acredito que é um caso a ser acompanhado…
    Além disso, vc poderia nos informar o nome e como podemos baixar a musica tema do programa na cultura???!!! Ela é maravilhosa…e bem brasil….
    Aguardamos seu retorno…
    Sucesso…
    Solange

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