Missão no Ártico: termina a maior de todas

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Missão no Ártico: depois de um ano termina a maior de todas

Talvez ele seja o local do globo que mais chama a atenção de cientistas e pesquisadores hoje. A calota polar está se desfazendo aos poucos em razão do aquecimento global. O Ártico esquenta ao dobro da taxa média do resto do planeta, o que preocupa a comunidade acadêmica. A queda de neve que normalmente reabastece as geleiras da Groenlândia a cada ano não consegue mais acompanhar o ritmo do derretimento do gelo. Cientistas acreditam que o gelo da calota polar terá seu fim, nos verões, a partir de 2040 ou seja, amanhã. Foram estes os motivos que levaram à expedição que agora terminou. Missão no Ártico: termina a maior de todas com duração de um ano.

imagem do navio Polarstern
O Polarstern preso no gelo. Imagem, New York Times.

Missão no Ártico: termina a maior de todas

Em setembro de 2019, sem imaginar que teríamos uma pandemia mortal pela frente, o navio de pesquisas Polarstern, um quebra-gelo, zarpou da Noruega.

A expedição, com um contingente rotativo de cerca de 100 cientistas, técnicos e tripulantes teve que lutar não só contra as intempéries, mas com a crise provocada pelo novo coronavírus.

mapa do polo Norte

Sem falar que o Ártico, ao contrário da Antártica, não é um continente, mas apenas uma calota de gelo sob o mar. E esta calota dá calafrios aos pesquisadores porque diminui de tamanho a cada ano que passa. Até o fim deste século eles acreditam que não haverá mais gelo na região.

Projeto MOSAIC

O projeto foi organizado pelo Alfred Wegener Institute na Alemanha, ao custo de US$ 150 milhões, e teve participantes de 19 outros países. O navio de pesquisas Polarstern ficou todo este tempo à deriva, sendo levado pelas correntes e pelo vento enquanto os pesquisadores estudavam os arredores.

Segundo o New York Times “os pesquisadores disseram que as informações coletadas sobre o oceano, gelo, nuvens, tempestades e ecossistemas do Ártico seriam inestimáveis ​​para ajudar os cientistas a entender a região, que está esquentando mais rápido do que qualquer outra parte do planeta.”

Ao todo cerca de 600 pessoas participaram. A expedição foi abastecida por outros navios e aviões durante o período. Mais de 70 instituições de pesquisa foram envolvidas.

Como funcionou a expedição

Enquanto o navio Polarstern encontrava-se fortemente preso ao gelo os pesquisadores saiam em campo onde armavam seus equipamentos de medição, num raio de 40 km ao redor do navio, muitos via controle remoto. E sempre com a placa de gelo se movendo.

infográfico mostra como funcionou a maior expedição ao Ártico
Imagem, https://www.awi.de/en.html.

O foco do MOSAIC foram as observações diretas in situ dos processos climáticos que unem a atmosfera, o oceano, o gelo marinho, a biogeoquímica e o ecossistema.

O grande problema é que as projeções para o Ártico são feitas através de modelos matemáticos, mas faltam dados para eles serem melhor compreendidos. Neste sentido, os dados coletados foram considerados um grande sucesso pelos pesquisadores.

Ainda recentemente o Mar Sem Fim mostrou que o degelo na Groenlândia está próximo do ponto de não retorno. Em razão disso, convidamos o glaciologista brasileiro Jeferson Simões que explicou mais detalhadamente em nosso podcast.

Mudanças dramáticas no sistema climático do Ártico

De acordo com o site do projeto “As mudanças dramáticas no sistema climático do Ártico e a rápida retirada do gelo marinho do Ártico afetam fortemente o clima global. A incapacidade dos modelos climáticos modernos de reproduzir as mudanças climáticas do Ártico é um dos problemas mais urgentes para a compreensão e previsão das mudanças climáticas globais.”

mapa mundi mostra mudanças climáticas
A mudança do clima é mais acentuada no Ártico. Imagem, Nasa.

Outra questão que intriga os cientistas são as muitas espécies que povoam o gelo e o oceano do Ártico. O que permanece um grande mistério, entretanto, é como eles sobrevivem sob uma cobertura de neve fechada, especialmente na escuridão que dura meses na noite polar. Na primavera, quando o gelo se quebra, o sol retorna e há água aberta novamente, a vida no Ártico virtualmente explode.

A água fica verde com algas. Com os nutrientes se multiplicando durante o inverno sem serem controlados por nenhum organismo, o florescimento de algas que se segue representa um verdadeiro banquete para o agora próspero zooplâncton, krill e microorganismos. Eles se alimentam das algas e assim estabelecem um novo ciclo de vida.

Para os pesquisadores “O que permanece obscuro, entretanto, é como seu metabolismo funciona, que porcentagem de sua população sobrevive ou se esses organismos usam a pouca luz restante, talvez até da lua, para fazer a fotossíntese.”

Repete-se o paradoxo. Enquanto de um lado a morte está à espreita; de outro a vida marinha, ainda incompreendida, floresce apesar de nossa forte pegada.

A questão é, até quando resistirá?

Imagem de abertura: New York Times

Fontes: https://www.nytimes.com/2019/09/19/climate/mosaic-expedition-arctic.html?action=click&module=RelatedLinks&pgtype=Article; https://www.nytimes.com/2020/10/12/climate/mosaic-arctic-expedition-climate-change.html?campaign_id=54&emc=edit_clim_20201014&instance_id=23127&nl=climate-fwd%3A&regi_id=91955602&segment_id=40984&te=1&user_id=b71b4a33397786aaa2444aad1304ea43.

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente texto, grato! Apesar de uma quantidade massiva de evidências dos danos já causados ao meio ambiente pelos humanos, e sua projeção ainda crescente, inacreditável que ainda estamos “patinando” para uma reversão (plenamente possível) da situação e das projeções decorrentes do aquecimento global. Será que conseguiremos?

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