Microplástico dos oceanos agora no cérebro humano

1
1511
views

Microplástico dos oceanos agora no cérebro humano

O aquecimento global e o avanço dos microplásticos nos oceanos têm relação direta com o crescimento da população mundial, hoje em torno de 8 bilhões de pessoas. Quanto mais gente no planeta, maior a pressão sobre os ecossistemas, maior o consumo e maior o uso de plástico. O resultado aparece no mar, cada vez mais carregado de microplásticos, e reacende a discussão sobre os limites de sustentabilidade da Terra. O problema já chegou ao corpo humano. Pesquisadores encontraram microplásticos na placenta, nas fezes e, mais recentemente, no cérebro. Mesmo assim, a ciência ainda não chegou a um consenso sobre os riscos exatos dessas partículas para a saúde.

Microplástico nos oceanos
Imagem, the ocean cleanup.

Chove microplástico no mundo

Microplásticos estão presentes em diversos aspectos da nossa vida cotidiana, incluindo o sal de mesa, água engarrafada e até na água das chuvas, desse modo, também afetam a vida marinha. Essas partículas, menores que 5 mm, podem parecer pequenas para nós, mas representam grandes ameaças para organismos menores, como o plâncton, afetando significativamente os ecossistemas marinhos.

Na matéria Com microplásticos, os cientistas estão em uma corrida contra o tempo, o Washington Post informa que ‘quando os pesquisadores encontraram microplásticos flutuando no ar em um telhado de uma universidade de Paris, se deram conta que os seres humanos não estavam apenas consumindo pequenas quantidades de microplásticos: eles também poderiam estar respirando-os.

Uma corrida contra o tempo

Microplásticos foram encontrados em humanos, inclusive em órgãos vitais e na placenta. Recentemente, pesquisadores turcos descobriram microplásticos no cérebro humano, um achado significativo destacado no documentário Plastic People, dirigido por Ben Addelman e Ziya Tong, e apresentado em um festival de cinema em Austin, Texas. ‘A descoberta, sem dúvida, é a revelação mais significativa do novo documentário apresentado em um festival de cinema’ diz o New York Times.

Segundo o Times, ‘Plastic People chega a uma conclusão preocupante: os potenciais riscos para a saúde associados à poluição por plásticos estão se tornando difíceis de ignorar’.

Mas, ao mesmo tempo, os pesquisadores e médicos não sabem quais as consequências deste acúmulo no corpo humano. O Washington Post ouviu Phoebe Stapleton, professora de farmacologia e toxicologia da Universidade Rutgers.

PUBLICIDADE

“No momento, no entanto, os cientistas simplesmente não sabem as consequências– e eles estão em uma corrida contra o tempo. E como centenas de milhões de toneladas de plásticos entram no meio ambiente todos os anos, é uma corrida que eles podem estar perdendo.”

“Eu odeio dizer isso, mas ainda estamos no início”, disse Phoebe Stapleton, professora de farmacologia e toxicologia da Universidade Rutgers.

Quando e onde surgiu o termo microplástico?

Segundo o New York Times, ‘cerca de 20 anos atrás, Richard Thompson, um biólogo marinho, descobriu pela primeira vez um acúmulo preocupante de pequenas partículas de plástico nos habitats do oceano e cunhou a palavra “microplásticos”. Desde então, os cientistas têm encontrado esses fragmentos em todos os lugares, desde os mais remotos, até cidades, ou ainda no Ártico e no fundo do mar’.

Agora, pesquisadores encontram plástico no cérebro das pessoas. Algumas das partículas, informa o jornal,  foram encontradas no interior do tecido de tumores cerebrais cancerosos.

O corpo humano está cheio de microplásticos

Rick Smith, presidente do Instituto Canadense do Clima e produtor executivo do filme, disse que a presença de microplásticos no corpo humano pode se tornar uma das maiores histórias de saúde e meio ambiente do nosso tempo. Segundo ele, ninguém escapa dessa nova forma de poluição.

Por outro lado, em 2026 foi lançado o documentário The Plastic Detox  na Netflix, e já chegou cercado de impacto. A proposta dos produtores foi direta: mostrar que microplásticos e compostos químicos presentes em embalagens, utensílios e objetos domésticos podem afetar a saúde reprodutiva.

Como se vê não há microplástico apenas nos oceanos. As partículas estão em todos os lugares.

Maior risco de complicações de ataques cardíacos e derrames

Um artigo publicado no  New England Journal of Medicine informou que as pessoas que tinham microplásticos em seus sistemas cardiovasculares estavam em maior risco de complicações de ataques cardíacos e derrames.

O Times relatou que pesquisadores encontraram microplásticos nas placas gordurosas de vasos sanguíneos, aumentando em 4,5 vezes o risco de ataques cardíacos, AVCs ou morte, comparado a quem não tem microplásticos na placa. O estudo acompanhou 312 pessoas que fizeram cirurgia para remover placas da artéria carótida durante quase três anos.

PUBLICIDADE

Microplástico dos oceanos para o cérebro

Sedat Gündoğdu, pesquisador da Universidade de Cukurova, estuda o microplástico dos oceanos  desde 2016. Ao longo dos anos, ele colaborou em dezenas de estudos revisados por pares documentando microplásticos na pesca, solo, sal de mesa e sacos de fluidos intravenosos, e seu alarme cresceu a cada nova descoberta.

Era apenas uma questão de tempo, disse ele, antes que os pesquisadores descobrissem microplásticos no cérebro humano. “É assustador, mas não surpreendente”, disse ele.

Sedat Gündoğdu revelou que, das 15 amostras analisadas, identificaram-se seis partículas de plástico em tecidos de dois pacientes com tumores. Não ficou claro como os fragmentos entraram no cérebro, mas ele disse que, dada a presença documentada de microplásticos no sangue, eles provavelmente chegaram através de vasos alimentando os tumores.

Mais uma vez, fica claro até que ponto as alterações humanas modificam não só a paisagem e o meio ambiente, mas a própria sobrevivência do ser humano neste planeta.

Assista ao trailer de Plastic People

Cientistas descobrem mais 100 espécies da fauna marinha na Nova Zelândia

Comentários

1 COMENTÁRIO

  1. cada pessoa em média tem um cartão de crédito diluído … mas isso não é a questão;;; mas sim plataformas de microplásticos por todos os lugares como base de cultura de organismos inimagináveis

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here