Covid-19, fármaco marinho possibilitaria tratamento eficaz

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Covid-19, fármaco marinho possibilita tratamento eficaz, é o que afirma o laboratório espanhol PharmaMar

Há muito que este site destaca mais esta contribuição do espaço marinho, a produção de fármacos. Apesar de ser uma ciência muito recente, possibilitada pela invenção dos equipamentos para mergulho autônomo por Jacques Cousteau, já são 13 remédios nas prateleiras das farmácias mundo afora. Destes, oito são para o câncer. Enquanto o mundo corre para conseguir uma vacina e o Brasil discute um remédio sem eficácia comprovada, uma novidade ainda não mencionada por aqui vem de uma empresa espanhola especializada em fármacos marinhos: a PharmaMar afirma ter um tratamento eficaz para a Covid-19 originado de um organismo marinho.

imagem de Aplidium albicans
Aplidium albicans. Imagem, PharmaMar.

Lembrando que o teste para a Covid-19 só foi possível graças a uma bactéria marinha encontrada nas fontes hidrotermais marinhas.

Covid-19 e os fármacos marinhos

No dia 2 de julho de 2020 a espanhola PharmaMar informou que seu licenciado na Coréia do Sul, Boryung Pharmaceutical, apresentou os resultados de estudos in vitro da plitidepsina, composto químico comercialmente conhecido como Aplidin.

Segundo a empresa, os estudos demonstraram ser um antiviral 80 vezes melhor que o Remdesivir, medicamento para tratamento da Covid-19, doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Ensaio clínico começa no terceiro trimestre

O laboratório Boryung Pharmaceutical deverá iniciar um ensaio clínico com o Aplidin na Coreia do Sul no início do terceiro trimestre de 2020. Para a PharmaMar, “com estes resultados, podemos esperar uma redução da progressão da doença nos pacientes hospitalizados com pneumonia derivada da Covid-19, assim como o alívio nos sintomas provocados pela pandemia.”

Pepino-do-mar é a origem do novo remédio

Primeiro, o que é Aplidin: agente anticâncer em desenvolvimento. E a plitidepsina foi isolada da ascídia (Aplidium albicans) e mostrou atividade anti-mieloma mesmo em mielomas resistentes a outros agentes.

Agora o organismo marinho de que a plitidepsina foi isolada, as ascídias. São organismos sésseis (sem capacidade de locomoção, precisam um local fixo para se fixarem e viverem). Esta ascídia foi encontrada nas ilhas Baleares.

Os efeitos do novo fármaco marinho

Segundo o jornal La vanguardia, “a policitpsina (comercialmente conhecida como Aplidin) teria mostrado um resultado antiviral entre 2.400 e 2.800 vezes maior que o Remdesivir no modelo de célula “Vero” – uma célula renal de macacos – e cerca de 80 vezes maior que o Remdesivir no modelo de células “Calu-3″ – uma célula pulmonar humana.”

Para lembrar: o Remdesivir foi o remédio que os Estados Unidos de Donald Trump esgotou do mercado mundial ao comprar todos os estoques para o mercado norte-americano provocando críticas generalizadas.

A fase II

Segundo o site Frontliner, “a fase II está sendo conduzida com pacientes hospitalizados em Madri. A PharmaMar conseguiu autorização da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) no final de abril.”

A mesma fonte explicou que em 2017, o Comitê dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) da União Europeia recomendou a recusa da autorização de introdução no mercado do medicamento Aplidin para tratamento de mieloma múltiplo. A recusa foi confirmada em 2018.

No entanto, diz, “o medicamento Aplidin foi aprovado na Austrália e tem sido administrado em combinação com dexametasona para tratar pacientes com mieloma que se tornaram resistentes a outras terapias. A aprovação foi concedida após a combinação mostrar benefícios significativos de sobrevida.”

Como todos os que sofrem pela pandemia, o Mar Sem Fim torce para que os resultados sejam os até agora propalados. Será um enorme benefício para a humanidade, e mais uma pista para entendermos a necessidade de mais cuidado e atenção ao ambiente marinho.

Imagem de abertura: Aplidium albicans, PharmaMar

Fontes: https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-07-02-Covid-19.-Farmaceutica-espanhola-diz-ter-medicamento-80-vezes-mais-eficaz-do-que-o-Remdesivir; https://www.frontliner.com.br/espanhois-dizem-ter-medicamento-eficaz-para-tratamento-da-covid-19/; https://www.lavanguardia.com/vida/20200702/482052270457/pharmamar-farmaco-2800-remdesivir.html.

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7 COMENTÁRIOS

  1. E o sangue do caranguejo-ferradura usada na vacina do Covid? Podemos extinguir este animal pré-histórico ao fazer a vacina. Merece ser o próximo artigo da série.

  2. Parabéns pela matéria, muito interessante.
    Gostaria apenas de lembrar que salvo engano, pepinos do mar e ascídias são animais bastante distintos.
    Os organismos popularmente conhecido como pepinos do mas pertencem ao grupo dos equinodermos (filo Echinodermata), o mesmo grupo das estrela e lírios do mar.
    Já as ascidias pertencem ao Filo Chordata, Subfilo Tunicata ou Urochordata.

    • De fato, ascídias não são pepinos-do-mar. Ascidias não tem um nome popular no Brasil, embora às vezes se ache “esguicho marinho”, numa tradução do inglês “sea squirt”, ou ainda Mijona, ou Maria-Mijona em algumas comunidades caiçaras, mas não são nomes usuais.
      O colega está certo ao dizer que pepinos-do-mar são equinodermos, mas precisamente holotúrias, um dos grandes grupos deste filo.

  3. A hidroxicloroquina é usada e aprovada há mais de 70 anos, faz parte da lista de medicamentos essenciais da OMS e teve 94% de sucesso em vitro contra o corona, mas não presta por ter sido citada por Trump e Bolsonaro. Esse fármaco marinho com sucesso em vitro, recusado pela UE para o tratamento a que se propunha vai ser a salvação? Ao contrário do autor eu não tenho viés. Ninguém sabe nada do corona e não existe um único fármaco no mundo que cite em sua bula ser eficaz contra o vírus, mas eu entendo isso e não fico massacrando um tratamento por ter ou não citação positiva de um desafeto político.

    • Prezado Fernando: eu também não tenho outro viés que não seja a ciência. E a ciência, e a Organização Mundial da Saúde, descartaram a perda de tempo que o Brasil insiste em continuar perdendo.
      Enquanto isso a Espanha propõe uma nova possibilidade, quem sabe?. É esta a intenção deste site. Disseminar informação a respeito da múltiplas possibilidades do espaço marítimo.

  4. Somente uma correção: esta foto não é de Aplidium albicans. É de outra espécie de ascídia, possivelmente do gênero Clavelina. O erro começou no site que divulgou a notícia e vem sendo propagado.

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