Condomínios de luxo jogam esgoto irregular no litoral de São Paulo

3
869
views

Condomínios de luxo jogam esgoto irregular no litoral de São Paulo

Condomínios de luxo jogam esgoto irregular no litoral. São 12,5 milhões de litros de dejetos por dia que deveriam ser tratados. Mas, ao contrário, estão contaminando água e solo. Os dados são da Sabesp. As cidades litorâneas têm cerca de 25 mil imóveis nessa situação

Casas de mais de 200 metros quadrados, com quatro dormitórios e piscina: são elas as poluidoras

Casas de mais de 200 metros quadrados, com quatro dormitórios e piscina, localizadas em condomínios na beira da praia e cujo valor pode chegar a R$ 11 milhões. Quem vê tanto luxo e exclusividade não imagina que imóveis desse tipo descartem esgoto irregularmente, mesmo tendo à sua disposição uma rede coletora de dejetos.

 imagem de condomínio na praia da Baleia, SP
Condomínios de luxo jogam esgoto irregular no litoral de São Paulo, Baleia, litoral norte. (Fotot: UOL)

25 mil imóveis nesta situação no litoral de São Paulo

Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) apontam que as cidades litorâneas têm cerca de 25 mil imóveis nessa situação. Considerando que cada residência produz em média, 500 litros de esgoto por dia, nosso litoral tem hoje 12,5 milhões de litros de dejetos que deveriam ser tratados, mas, ao contrário, contaminam o lençol freático, o solo, e a água do mar.

Casas dos ricos não fazem ligação à rede de esgotos

Na maioria dos casos, são residências construídas antes de a região receber uma rede coletora de esgoto. Mas elas não fizeram a ligação ao serviço depois  que passou a ser oferecido. Esse não é o único mau exemplo dos ‘ricaços’ brasileiros.

Sabesp não cobra para fazer ligação

A Sabesp não cobra para fazer a ligação (da casa à rede coletora). Mas o morador precisa gastar, em média, R$ 1,8 mil com a reforma do imóvel para que ele possa ser conectado. O proprietário tem um prazo de 30 dias para solicitar a conexão, após ser comunicado pela Sabesp. Moradores de baixa renda podem participar de um programa estadual em que as obras são gratuitas.

São Sebastião

Na praia da Baleia, uma das mais badaladas do litoral norte, a rede de coleta de esgoto foi liberada (para conexão) em outubro. Mas dezenas de condomínios ainda não tomaram providências.

Casas de até R$ 11 milhões, e porcalhonas!

Em um deles, na beira da praia, onde cada uma casas vale cerca de R$ 11 milhões, o esgoto é descartado e tratado por meio de fossa séptica. Um dos funcionários  diz que o condomínio já providenciou a regularização. Mas as obras ainda não foram feitas porque estão na temporada. “Os moradores não querem reformas durante o período de férias porque é o período que eles vêm para cá. Agora, só depois do carnaval”, disse.

Por : Fabiana Cambricoli, Enviada Especial / SÃO SEBASTIÃO (foto de: Tiago Queiroz) – O Estado de S.Paulo

José Truda Palazzo Jr., 40 anos de serviços prestados ao meio ambiente.

COMPARTILHAR

Repórteres do Mar

O Mar Sem Fim quer a sua colaboração. Não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo e, com a sua ajuda, podemos melhorar ainda mais o nosso conteúdo. Saiba como colaborar com o Mar Sem Fim.

Comentários Comentários do Facebook

3 COMENTÁRIOS

  1. Essa reportagem não oferece contribuição ao processo de saneamento das praias do Litoral Norte de São Paulo. A questão é bastante complexa e envolve cuidadosa análise técnica. Por exemplo, a costa sul de São Sebastião conta com inúmeras praias isoladas e separadas por montanhas. Isso requer uma rede em cada uma delas e estações de tratamento e emissários que em algumas localidades de baixa densidade torna o sistema inviável economicamente. O sistema de fossas em algumas delas funciona muito bem desde que as fossas sépticas sejam construídas adequadamente seguindo normas da CETESB, pois hoje existem sistemas com tecnologia que elimina riscos. Muitas dessas praias contam com geologia favorável com solo em areia de muita profundidade que absorvem os efluentes. Além disso, existem no mercado produtos biológicos compostos de microrganismos que asseguram limpeza e manutenção delas, com muito mais segurança do que se observa com o que está implantado em algumas delas com vazamentos de tubulações e disposição dos efluentes em riacho na praia, como ocorre em Barequeçaba. Portanto, além de muita demagogia política existem outros interesses de empreiteiras que fazem mal feito para depois ter que fazer de novo à custa do contribuinte. Existe ainda a questão do público flutuante que na maioria delas não conta com instalações sanitárias químicas, as quais necessitam de limpeza e manutenção. Só que esse público prefere pagar R$7,00 por uma latinha de cerveja do que R$1,00 para poder utilizar banheiros públicos, isto é só um exemplo, outro grave: camelôs que operam barracas precárias e fritam pasteis, camarões, etc. e jogam o óleo na areia além de não recolherem o lixo. A Prefeitura aqui soube aumentar o IPTU, mas não fiscaliza esses absurdos.

  2. Os sistemas de tratamento de esgotos da Sabesp são apenas gradeamento, aeração e cloração e em poucas horas já vão poluir os rios, com uma carga orgânica considerável e organoclorados que são cumulativos e cancerígenos. As fossas sépticas, de infiltração e filtros anaeróbicos mantém a carga orgânica na terra e preserva a umidade no quintal transformando-se em flora e fauna e preservando o microclima sem poluir os rios e praias. Basta chegar perto dos efluentes dessas estações para sentir o cheiro de bosta.

    • José Mauro, não sou tão cético como você. Já estive na SABESP várias vezes, conversei com eles, e visitei algumas obras. O trabalho me parece bem feito e eficaz quando as obras são realmente concluídas. Faltam ainda muitas outras obras, canalização de córregos, usinas de tratamento, etc, que muitas prefeituras deixam de fazer. Mas não creio que seja apenas “culpa” da SABESP. São Paulo tem índices de coleta bem razoáveis quando comparada a outras cidades brasileiras. O texto da matéria que o motivou a escrever é bem claro: a prefeitura de São Sebastião fez as obras, o condomínio é que não quis fazer a ligação dos esgotos que produz à rede pública instalada. Aproveito para dizer que o problema maior, neste caso, é do Governo Federal que investe muito pouco em saneamento básico. Leia, por favor, texto meu publicado neste site cujo título é “Reforma aquária“. Ele traz dados checados diversas vezes e mostra o descaso Federal de que falo.
      Obrigado pela vista. Abraços

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here