Arrasto de fundo e corais: a destruição do ecossistema

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Arrasto de fundo e corais: estudo mostra que mais de 5 mil toneladas de corais foram destruídos em um ano na Nova Zelândia

Este site já comentou inúmeras vezes o quão insustentável é a pesca industrial no mundo. As empresas de pesca não sossegam enquanto não acabarem de vez com a vida marinha. Se existe consenso entre especialistas sobre os malefícios de algumas das artes de pesca ele se refere à pesca de arrasto, modalidade não seletiva que além de matar a vida marinha, destrói, arrebenta com os ecossistemas. Agora um estudo mostra que em um ano 5 mil toneladas de corais, o mais importante ecossistema marinho, foram depredados apenas na Nova Zelândia pela modalidade. O arrasto de fundo e corais é o tema de hoje.

Ilustração mostra arrasto de fundo e corais
Ilustração, www.stuff.co.nz.

Arrasto de fundo e corais: 5 mil toneladas destruídas em um ano

O site neozelandês www.stuff.co.nz informou, em agosto de 2021, que o novo relatório revelou que mais de 5.000 toneladas de corais, alguns provavelmente com mais de dois milênios de idade, foram raspados do fundo do mar por redes de arrasto em apenas um ano.

Os recifes de corais são considerados o mais importante ecossistema marinho, comparados às florestas tropicais por sua biodiversidade. Cerca de 1/4 de todas as espécies de peixes dependem deles para sobreviver. E os corais já estão pressionados pelo aquecimento global e consequente acidificação das águas dos oceanos.

Nem assim o arrasto de fundo é proibido. Que não reclamem quando a pesca acabar…

Abaixo-assinado na Nova Zelândia pede o fim do arrasto de fundo

Depois que as informações do relatório vieram à tona, conservacionistas iniciaram um abaixo-assinado pedindo o fim do arrasto de fundo em cadeias de montanhas submarinas onde foram encontradas 128 novas espécies de invertebrados marinhos na ZEE da Nova Zelândia.

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Imagem de abaixo-assinado sendo entregue
Conservacionistas entregam relatório embrulhado em rede com pedaços de corais ao Ministro dos Oceanos e Pesca, David Parker, da Nova Zelândia. Imagem, NICK TAPP/GREENPEACE

Em nossa opinião, o certo seria uma proibição total, como ousadamente fez Portugal.

Os cientistas disseram que muitos dos montes submarinos na zona econômica exclusiva (ZEE) da Nova Zelândia eram pontos críticos para a biodiversidade, incluindo muitas espécies antigas de reprodução lenta.

Áreas de arrasto tinham corais de 2.600 anos!

Amostras de corais de áreas usadas para pesca de arrasto identificaram o coral negro com até 2.600 anos e coral bubblegum com até 500 anos (o coral chiclete recebe esse nome por causa da aparência: geralmente são de um rosa brilhante e os pólipos na extremidade de seus ramos lembram chicletes).

Significativamente, o relatório também descobriu que os seis navios da Nova Zelândia atualmente autorizados a usarem redes de arrasto de fundo no alto-mar do Pacífico Sul pertenciam a empresas que haviam sido condenadas por pesca ilegal em áreas fechadas no passado.

Imagem de barco de arrasto.
Redes com peixes e pedaços de corais. Imagem, ROGER GRACE/GREENPEACE.

O arrasto é destrutivo para a vida marinha e os ecossistemas. E faz pior! As pesadas redes de arrasto ‘aram’ o subsolo marinho liberando gás carbônico sequestrado da atmosfera e depositado no fundo do mar, em mais um serviço sistêmico prestado pelos oceanos: os maiores sumidouros de gás carbônico do planeta.

Agora, na Nova Zelândia, pesquisadores da Deep Sea Conservation Coalition – um coletivo internacional de mais de 80 organizações não-governamentais, grupos de pesca e institutos jurídicos e políticos – apresentarão um relatório ao Comitê de Meio Ambiente do Governo.

imagem de mapa de corais profundos no planeta
Locais com corais profundos no planeta. Ilustração, https://www.coris.noaa.gov/.

Corais profundos da Nova Zelândia

A autora do relatório, Karli Thomas, disse que o relatório mostrou o quão importantes são os corais.

Esses estudos confirmam que muitas de nossas florestas de corais de águas profundas vêm crescendo há centenas ou mesmo milhares de anos, mas uma única rede de arrasto de fundo pode destruí-las em minutos

Cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados de habitat do fundo do mar nas águas da Nova Zelândia já estão fechados para a pesca de arrasto de fundo.

Resta saber se o governo terá coragem de fechar toda a sua ZEE à mais destrutiva modalidade de pesca, seguindo o exemplo de Portugal e abrindo a porta para que outros  países adotem a ideia.

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Se querem mesmo mitigar as consequências do aquecimento global é imperativo dar uma trégua aos oceanos. A hora é agora!

Assista ao vídeo do Greenpeace cobrando os barcos de arrasto

Imagem de abertura: ROGER GRACE/GREENPEACE

Fontes: https://www.stuff.co.nz/environment/125939447/bottom-trawling-damage-revealed-128-new-species-end-up-as-bycatch?fbclid=IwAR2RKR3zJ1Ih3yeIiXleY_YQUjkiXOTqEDMiFAHaMwZ3ZFGz5K5GSm-WhZE&eType=EmailBlastContent&eId=7cc7fd68-91b0-4393-8d6b-5a9cd652e31e.

Os oceanos produzem oxigênio, você sabe como?

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