Áreas costeiras conservadas, restam só 15%

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Áreas costeiras conservadas, restam só 15%

Restam apenas 15% das áreas costeiras conservadas, é o que revela uma nova pesquisa que pede medidas urgentes de conservação para proteger o que resta e restaurar locais degradados. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Queensland, usou dados de satélite para examinar até que ponto as atividades humanas invadiram as costas do mundo. Enquanto isso, no Brasil as próprias prefeituras de municípios costeiros destroem o que resta da biodiversidade do litoral sem qualquer ação dos órgãos competentes para cessar a ação criminosa.

litoral
Acervo MSF.

Áreas costeiras conservadas

A pesquisa, publicada na revista científica Conservation Biology, baseia-se em trabalhos anteriores que examinaram as atividades humanas nos ecossistemas terrestres e marinhos.

O Guardian diz que as pequenas áreas de costa que permanecem intactas por pressões como pesca, agricultura, desenvolvimento urbano, mineração e estradas foram principalmente no Canadá , seguido pela Rússia, Groenlândia, Chile, Austrália e Estados Unidos.

Muito poucas áreas intactas e muitas vezes altos níveis de degradação foram encontrados em nações insulares, grande parte da Europa e países como Vietnã, Índia e Cingapura.

Brooke Williams, principal autora do estudo e ecologista conservacionista da Universidade de Queensland, disse que como a maioria da população mundial vive em regiões costeiras, as pressões sobre esses ecossistemas podem assumir várias formas e ocorrem tanto em terra quanto no mar.

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“Nosso jornal realmente defende a restauração da região costeira com bastante urgência. Que uma proporção tão baixa esteja no espectro mais alto da escala de integridade é alarmante. Não é uma boa notícia.”

Enquanto isso, no País de Macunaíma…

Enquanto lá fora há esforços reais para mitigar a ação humana, com a restauração de áreas de manguezais, essenciais para o sequestro de gás carbônico da atmosfera, entre outros benefícios, no Brasil os mangues são destruídos e decepados para a carcinicultura no Nordeste.

O que sobra é massacrado, ou pela especulação imobiliária, ou pelas próprias prefeituras como é o caso de Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

Apesar de Ubatuba fazer parte da APA Litoral Norte, decretada pelo governo do Estado de São Paulo, a Fundação Florestal, responsável entre outras pelo cumprimento da norma, dorme em berço esplêndido.

A análise costeira

Segundo o Guardian, a análise costeira foi compilada usando dois conjuntos de dados chamados de pegada humana (que examinou os ecossistemas terrestres) e o índice de pressão humana cumulativa (que examinou as pressões em ambientes marinhos). As pressões foram então mapeadas para 50 km de cada lado da costa.

Williams disse que as áreas que ainda estavam praticamente intactas eram muitas vezes mais remotas e, portanto, mais difíceis de acessar. Na Austrália, a Grande Baía Australiana permaneceu relativamente intocada, mas Williams observou que ela enfrentou ameaças de desenvolvimento nos últimos anos.

O coautor James Watson, da Universidade de Queensland, disse que o afastamento não garante que os litorais permaneçam intactos, apontando a mineração e particularmente a pesca, que no Brasil é uma total esculhambação, como indústrias que causam declínio ambiental nesses lugares.

James Watson disse que esperava que Madagascar, Namíbia e norte da Austrália mantivessem grandes áreas de litoral intacto, mas não se provou consistentemente o caso.

“Me choca como a pesca é difundida. Acontece em todos os lugares. Você não pode evitá-la. Nestes lugares remotos ao redor do mundo, pode-se ver os impactos da pesca.”

Proteção para a zona costeira

Os pesquisadores argumentam que proteger os litorais do mundo exigirá uma série de medidas, incluindo legislação para proteger regiões não danificadas e trabalhos de restauração para melhorar lugares que foram degradados.

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“Você precisa aumentar as áreas que são protegidas”, disse Watson. “E em lugares fortemente degradados, temos que ter uma agenda de restauração muito maior, não apenas para espécies, mas para água, carbono, todas essas coisas.”

O jornal inglês The Independent destacou outra declaração de Watson:  “A velocidade com que essas regiões estão se degradando representa grandes ameaças não apenas para espécies e habitats costeiros, mas também para a saúde,  e segurança econômica de inúmeras pessoas que vivem ou dependem de regiões costeiras ao redor do mundo.”

Imagem de abertura: Acervo SMF.

Fontes: https://www.theguardian.com/environment/2022/feb/04/barely-15-of-the-worlds-coastal-regions-remain-ecologically-intact-study-says; https://www.independent.co.uk/climate-change/news/coast-environmental-damage-wildlife-seas-b2009305.html.

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Comentários

1 COMENTÁRIO

  1. Excelente sua coluna que é um grande estandarte para a preservação do nosso litoral, que nos alerta de tantas irregularidades cometidas e de nosso dever cívico de combate-los.
    Muito bom, gostaria de sugerir que incluísse também no seu radar, as iniciativas positivas das comunidades locais, que tem trabalhado incansávelmente em projetos de preservação das restingas. Convido-o a conhecer a praia de Itamambuca e a luta de seus moradores para regeneração do jundú, bem como seus projetos para tentar despoluir o rio Itamambuca, que neste caso carece de investimentos do poder público em saneamento básico das comunidades do entorno.

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