Usina de Ondas de Pecém, CE, mais um serviço dos oceanos

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Usina de Ondas de Pecém, CE, mais um serviço dos oceanos

A Usina de Ondas de Pecém, no Ceará, foi uma das primeiras experiências brasileiras de geração de eletricidade a partir do movimento do mar. Ondas e marés podem produzir energia limpa, embora usem tecnologias diferentes.

O projeto nasceu de pesquisas da COPPE/UFRJ e entrou em operação experimental no porto de Pecém em 2012. Segundo a COPPE/UFRJ, a usina serviu como projeto-piloto para testar no Brasil o aproveitamento da energia das ondas.

A experiência, porém, não evoluiu para geração comercial contínua. Anos depois, o Ceará ainda tentou retomar essa aposta com um novo projeto, mas ele também não saiu do papel.

Usina de Ondas de Pecém: potência nominal de 100 quilowatts

A Usina de Ondas de Pecém tinha potência nominal de 100 quilowatts. O sistema usava flutuadores ligados a braços mecânicos e bombas hidráulicas conectadas a um circuito fechado de água doce.

Quando as ondas faziam os flutuadores subir e descer, os braços acionavam as bombas. Então, a água era pressurizada e enviada para um acumulador. Esse sistema convertia o movimento das ondas em pressão hidráulica.

Por fim, a água sob alta pressão movimentava uma turbina acoplada a um gerador elétrico. Assim, a energia mecânica das ondas virava eletricidade.

Enquanto isso, a maior usina de marés do mundo fica na Coreia do Sul. A Usina Maremotriz do Lago Sihwa tem 254 megawatts de capacidade instalada e superou La Rance, na França, que durante décadas liderou esse tipo de geração.

Usina de Ondas de Pecém: energia para 60 casas

A Usina de Ondas de Pecém podia gerar energia equivalente ao consumo médio de cerca de 60 residências cearenses. Como era um projeto experimental, a eletricidade produzida também podia atender parte das instalações do próprio Porto do Pecém.

Usina de Ondas de Pecém, CE, imagem da Usina de Ondas de Pecém, CE
Usina de Ondas de Pecém, CE

Usina de Ondas de Pecém: potencial no Brasil

A Usina de Ondas de Pecém explorou apenas uma pequena parte de um potencial muito maior. Estudos da COPPE/UFRJ estimaram em cerca de 87 GW o potencial teórico da energia das ondas ao longo da costa brasileira. Mais recentemente, o Plano Nacional de Energia 2055 voltou a destacar o potencial da energia oceânica no país e estimou, de forma preliminar, cerca de 34 milhões de toneladas equivalentes de petróleo por ano para ondas e marés.

E o tema voltou à agenda de pesquisa. Em 2025, a Finep anunciou R$ 15 milhões para o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas criar um Centro de Energia Azul. O projeto prevê desenvolver tecnologias para aproveitar ondas, correntes de maré, diferenças de temperatura do oceano e produzir hidrogênio verde offshore.

Usina de Ondas de Pecém, CE, imagem da Usina de Ondas de Pecém, CE
Usina de Ondas de Pecém, CE

Veja como Pecém funciona:

Usina de Ondas de Pecém: o que aconteceu depois

A Usina de Ondas de Pecém funcionou experimentalmente entre 2012 e 2014. Segundo a COPPE/UFRJ, o protótipo de 100 kW foi testado com sucesso, mas não evoluiu para operação comercial.

Depois, a COPPE iniciou outro projeto, desta vez próximo à Ilha Rasa, a cerca de 14 quilômetros de Copacabana, no Rio de Janeiro. A própria COPPE previa um conversor offshore de 100 kW, instalado a cerca de 20 metros de profundidade. O projeto de pesquisa ocorreu entre 2013 e 2016, mas não chegou à geração comercial.

Em 2021, Pecém voltou aos planos. O Governo do Ceará anunciou um acordo com a Eco Wave Power para estudar uma nova usina de ondas de até 9 MW. O projeto, porém, também não chegou à implantação.

Saiba como será:

Fontes: http://www.revistaplaneta.com.br/energia-que-vem-do-mar/; http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/usina-de-ondas-do-pecem-esta-abandonada-1.1112312; https://www.rebob.org.br/post/2020/07/24/energia-das-ondas-no-brasil.

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