Japão testa turbina oceânica gigante para gerar energia limpa

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Japão testa turbina oceânica gigante para gerar energia limpa

Segundo a Newsweek, o Japão depende fortemente da importação de combustíveis fósseis. E essa dependência continua alta. Dados mais recentes da Agência de Recursos Naturais e Energia do Japão mostram que petróleo, carvão e gás natural ainda respondiam por 80% da oferta de energia primária em 2024.

O desastre de Fukushima agravou esse problema ao reduzir drasticamente a participação da energia nuclear. Por isso, o país passou a buscar outras fontes renováveis.

Nesse contexto, o Japão testa turbina oceânica para aproveitar a Corrente de Kuroshio. A IHI Corporation, antiga Ishikawajima-Harima Heavy Industries, desenvolveu o Kairyu, um equipamento de 330 toneladas e 100 kW. Segundo a  IHI, o sistema usa duas grandes turbinas e foi projetado para gerar eletricidade de forma contínua com a força das correntes oceânicas.

turbina oceânica gigante do Japão
A turbina oceânica gigante. Imagem, www.newatlas.com.

A energia dos oceanos

Como o Japão testa turbina para aproveitar correntes oceânicas, vale lembrar que o mar pode gerar eletricidade de várias formas. Entre elas estão as ondas, as marés, as correntes, os gradientes térmicos e até diferenças de salinidade. Algumas tecnologias já operam comercialmente; outras ainda dependem de testes e redução de custos.

Na França, a usina de La Rance funciona desde 1966. Segundo a EDF, tem 240 MW de potência e produz cerca de 500 GWh por ano, o equivalente ao consumo de 225 mil habitantes.

Já a MeyGen, na Escócia, segue outro princípio: turbinas instaladas no fundo do mar aproveitam diretamente as correntes de maré. O projeto tem hoje 6 MW em operação, embora tenha sido concebido para chegar a quase 400 MW.

A maior usina maremotriz em operação continua sendo Sihwa, na Coreia do Sul, com 254 MW e produção anual próxima de 550 GWh.

Esses projetos mostram que não existe uma única forma de aproveitar a energia dos oceanos. A proposta da IHI é diferente: o Kairyu busca extrair energia de uma corrente oceânica permanente, a Kuroshio, e não das marés.

No Brasil, o Pecém, no Ceará, também recebeu um projeto pioneiro de geração de energia pelas ondas, tecnologia diferente daquela usada pelo Kairyu.

Usina de marés Kairyu

Segundo a Newsweek, o Kairyu tem um corpo central com cerca de 20 metros de comprimento e dois flutuadores laterais. Cada um sustenta uma turbina com pás de aproximadamente 11 metros de diâmetro.

Cabos presos ao fundo do mar mantêm o equipamento na posição. Então, a Corrente de Kuroshio gira as duas turbinas e gera eletricidade. Além disso, a rotação em sentidos opostos ajuda a estabilizar o sistema.

A energia segue por cabos submarinos até a costa e, dali, pode entrar na rede elétrica japonesa.

Usina oceânica Kayru, Japão
A Usina oceânica Kairyu em operação no futuro. Imagem, www.newatlas.com.

Segundo a Newsweek, a IHI desenvolveu o Kairyu durante anos e concluiu um longo período de testes no mar, na costa sudoeste do Japão. A IHI informa que o equipamento alcançou sua potência nominal de 100 kW com correntes de 1,5 metro por segundo e mostrou estabilidade durante a operação.

Os 100 kW ainda são modestos diante das turbinas eólicas modernas, que normalmente trabalham na faixa de vários megawatts. Entretanto, o potencial da fonte é enorme. Segundo a Newsweek, a IHI estima que as correntes oceânicas ao redor do Japão poderiam oferecer cerca de 205 GW de capacidade — valor comparável à demanda elétrica do país.

O sistema Kairyu, proposto para implantação na Corrente de Kuroshio

Segundo a Popular Mechanics, o Kairyu foi projetado para operar na Corrente de Kuroshio, uma das mais fortes do mundo. O equipamento ficaria ancorado ao fundo do mar e flutuaria dezenas de metros abaixo da superfície. A força da corrente faria girar as turbinas, enquanto cabos submarinos levariam a eletricidade até a costa.

Nos testes, o sistema alcançou cerca de 100 kW. A IHI chegou a projetar uma versão de 2 MW e a apontar a década de 2030 como horizonte para uma possível operação comercial. Até agora, porém, essa etapa ainda não se concretizou.

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