Tráfico de animais silvestres com Dener Giovanini, da RENCTAS
Todos os anos, o tráfico de animais silvestres retira cerca de 38 milhões de animais dos ecossistemas brasileiros. Apenas 10% sobrevivem.
Isso significa que nove em cada dez morrem antes mesmo de chegar ao destino final, vítimas das condições cruéis de captura e transporte.
Embora a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) ainda preveja penas brandas para o tráfico — detenção de seis meses a um ano, além de multa — grandes operações recentes começaram a mudar esse cenário.
Em setembro de 2025, a maior operação já realizada no Brasil contra o tráfico de animais silvestres cumpriu mais de 40 mandados de prisão e identificou ao menos 140 envolvidos.
As aves seguem como o grupo mais afetado pelo tráfico no Brasil. Representam mais de 60% de todos os animais capturados. Em seguida vêm os répteis, incluindo serpentes, e depois os mamíferos.
É essa demanda que coloca em risco a cobra endêmica da Ilha da Queimada Grande, a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), hoje criticamente ameaçada de extinção.
O mesmo processo atinge a flora. O caso mais emblemático é o do pau-brasil, alvo constante da exploração ilegal para a fabricação de arcos de violino, viola, violoncelo e contrabaixo.
A alta demanda levou o Ibama a deflagrar, em 2019, a Operação Dó-Ré-Mi. A ação apreendeu 292 mil varetas e arcos musicais e aplicou quase R$ 100 milhões em multas a 16 empresas.
A ação de Dener Giovanini da RENCTAS
Antes de tudo, vale destacar que a RENCTAS é a única rede do Brasil dedicada a combater o tráfico de animais silvestres. O jornalista e ambientalista Dener Giovanini, junto a outros parceiros, fundou a organização em 1999.
E o tráfico de animais silvestres é a quarta atividade ilícita mais poderosa do mundo, perde para o tráfico de armas, o de drogas, e o de seres humanos. Por ano, diz o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o tráfico de animais gera US$ 20 bilhões de dólares. O Brasil participa com 15% deste total.
Dos 35 milhões de animais traficados no Brasil, ‘entre 60% a 70% ficam no mercado interno. E atenção: apenas 10% chegam vivos ao destino final. Os outros 90% morrem no caminho.
Você tem algum conhecido que mantém animais silvestres em casa para…dar uma de bacana, ou melhor? Pois, se tem, sugerimos que converse com ele e mostre o absurdo desta preferência digna de calhordas. Desculpe, mas é o termo que encontramos para qualificar alguém que age assim.
Tráfico de animais silvestres e as redes sociais
Este site já mostrou em várias matérias que a maior parte desses animais é vendida através das redes antisociais. Dener conhece essa realidade como poucos. Com coragem e espírito público, ele se infiltrou entre as quadrilhas para produzir um documentário que deve sair em breve. E encontrou histórias do arco da velha.
O Mar Sem Fim já publicou um post sobre o tráfico internacional de pepinos-do-mar, animais marinhos da classe dos equinodermos, parentes das estrelas e dos ouriços-do-mar. O esquema envolve até a Yakuza. Na China, e em vários países do Oriente, muita gente trata os pepinos-do-mar como uma fina iguaria. Uma parte deles sai de águas brasileiras.
Durante cinco meses de pesquisas nas redes sociais, Dener encontrou nada menos que 3,5 milhões de mensagens entre traficantes que oferecem, e boçais que compram. Só no WhatsApp, encontrou 250 grupos trocando mensagens.
Conheça Dener Giovanini
O que você vai ouvir assemelha-se a um filme de terror. Prepare-se.

Dener é jornalista, documentarista cinematográfico e ambientalista, reconhecido como empreendedor social pelas organizações Ashoka, Avina e Schwab Foundation for Social Entrepreneurship.
Giovanini dirige e produz projetos para cinema e televisão e foi apresentador das séries “O Brasil é o Bicho” no programa Fantástico, da TV Globo além de “Ecos do Brasil”, no canal Futura.
Recebeu em 2003, da ONU – Organização das Nações Unidas, o prêmio ambiental UNEP-Sasakawa.
Dener é também empresário e fundador da organização não governamental RENCTAS – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres e das empresas DGCA e DGCA Filmes.
Imagem de abertura:https://conservadornoticias.wordpress.com









