Tartarugas marinhas e tumores causados por poluição

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Tartarugas marinhas e tumores causados por poluição: no Havaí elas estão morrendo  por ingerirem nitrogênio concentrado nas algas

Um estudo publicado pelo portal de conheciemento Peer J revelou que resíduos de atividades agrícolas e poluição urbana estão causando a morte de tartarugas marinhas no Havaí. Tartarugas marinhas e tumores causados por poluição é a matéria de hoje.

Tartarugas marinhas e tumores, imagem tartarugas com tumor
Tartarugas marinhas e tumores

Atividades agrícolas causam tumor em animais marinhos

Pesquisadores das Universidades Duke, do Havaí e da Administração Nacional Ocêanica e Atmosférica dos EUA descobriram que o nitrogênio, usado em excesso na agricultura, acaba sendo absorvido pelas algas marinhas. A triste notícia é que os animais que comem essas algas.  Depois sofrem com a formação de tumores nos olhos, nadadeiras e órgãos internos.

Principal causa da morte de tartarugas nos mares do Havaí

A fibropapilomatose, formação de tumores, é a principal causa da morte de tartarugas verdes, de acordo com Kyle Van Houtan, da Faculdade de Ambiente da Duke,

Estamos traçando linhas diretas da introdução de nutrientes humanos nos ecossistemas de corais e examinando como isto afeta a vida selvagem

Os cientistas se basearam em estudo anterior, de 2010, segundo o qual a doença era mais evidente em áreas com altos níveis de descarte de nitrogênio. As algas armazenam nitrogênio através de um aminoácido chamado arginina. Os pesquisadores encontraram graus extremamente altos de arginina, tanto nas algas, quanto nas águas muito poluídas. E nos tumores das tartarugas.

Introdução de espécies exóticas piora a situação

Durante as pesquisas foi descoberta uma espécie de alga vermelha não nativa do Havaí, a Hypnea Musciformis. Ela níveis especialmente altos de arginina quando comparada a outras espécies estudadas. Essa espécie é invasora, e se reproduz muito bem em águas ricas em nitrogênio por poluição de nutrientes.

Repetir estes estudos comparando os tumores

Um próximo passo lógico é repetir estes estudos comparando os tumores e as características das tartarugas verdes com outras populações de  e outras espécies. Etapas adicionais podem desenvolver um plano de monitoramento. A ideia é avaliar o risco no ecossistema do Havaí para a evolução desses tumores, comparando com outras regiões.

O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos

O problema do Havaí é o uso excessivo de agrotóxicos na agricultura que, quando chove, vão parar no mar. Ali eles “alimentam” algas e outros microorganismos. Estes são o alimento de tartarugas e outros animais marinhos. Quando estes animais se alimentam de algas contaminadas, acabam cheio de tumores. Se isso acontece no Havaí, em estado norte- americano, imagine o que acontece aos animais marinhos do mar brasileiro, país que mais usa agrotóxicos na agricultura.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Prezado João, está doença ocorre no Brasil desde 1986 e afeta em média 14% das tartarugas-verdes. Ocorre mais em áreas costeiras poluídas, mas essa relação não está clara ainda. A teoria da arginina foi questionada por outros pesquisadores que encontraram argumentos contrários aos efeitos da arginina. De fato essa teoria reduz muito um fenômeno de enorme complexidade ambiental. Seria improvável qe apenas um fator respondesse a essa questão assim. Continuamos na dúvida sobre esta correlação ambiental enquanto a doença continua ameaçando as tartarugas.

    • Prezado Marcelo: muito obrigado pela informação. Como especialista que você é, não tenho o que discutir, agradeço os esclarecimentos.
      Aos frequentadores deste site, segue o currículo do Marcelo (do site do CNPq):Bacharel em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (1995) com especialização em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Estadual Santa Cruz (2000), especialização em ensino médico pela Universidade de Havana (2001) e mestrado em Biologia Animal pela Universidade Federal do Espírito Santo (2005). Doutor em Ecologia de Ecossistemas (2015) estudando a relação entre poluentes específicos e a ocorrência de fibropapilomatose em tartarugas marinhas. É presidente do Instituto de Ensino Pesquisa e Preservação Ambiental Marcos Daniel, professor da Universidade Vila Velha desde 1999, sendo coordenador pedagógico do curso de medicina veterinária de 2001 a 2012. Tem experiência na área de Patologia Clínica veterinária, ecotoxicologia, atuando principalmente nos seguintes temas hematologia, bioquímica e contaminantes em tartarugas marinhas, conservação de fauna e medicina da conservação. Atua também como líder do programa Simbora pro Parque: Ecoturismo em Unidades de Conservação, exercendo atividades de educação ambiental aliando o ecoturismo ao uso público de áreas protegidas.

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