Submarino nuclear da Marinha do Brasil e a corrupção

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Submarino nuclear da Marinha do Brasil e a corrupção

Submarino nuclear da Marinha, projeto estratégico para a defesa da Amazônia Azul, voltou ao noticiário por um motivo grave. Segundo reportagem do Estadão, a Odebrecht relatou pagamentos suspeitos ligados ao programa. O caso expõe, mais uma vez, o contraste entre a necessidade de uma Marinha forte e os vícios que corroem grandes obras públicas no Brasil.

submarino nuclear brasileiro, ilustração de submarino nuclear brasileiro
Ilustração: Poder Naval

Submarino Nuclear da Marinha do Brasil: o início

O programa de construção do submarino nuclear, Prosub, orçado inicialmente em 6,7 bilhões de euros (cerca de R$ 23 bilhões, segundo cotação atual), só saiu do papel após parceria com a França. Foi lançado em 2008, no Governo Lula. A ideia era construir quatro submarinos convencionais, e um nuclear.

Segundo a Marinha o  Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) da Marinha do Brasil foi criado decorrente da Estratégia Nacional de Defesa. O objetivo é a produção de cinco submarinos no Brasil – 4 convencionais e um de propulsão nuclear – é a defesa da chamada Amazônia Azul. O primeiro deles, o Riachuelo, já está no mar.

A Marinha do Brasil conta hoje com cinco submarinos construídos na década de 1980 e 1990 para defesa desse território marítimo. De acordo com a Marinha, à medida que os novos submarinos forem finalizados, os antigos serão aposentados.

O Estado de S. Paulo informa que a empresa francesa DCNS, escolhida para a empreitada, e transferencia de tecnologia ao país, decidiu-se pela Odebrecht na parceria nacional. Detalhe: não houve licitação.

Submarino nuclear da Marinha, ilustração de novos submarinos da Marinha do Brasil
Submarino nuclear da Marinha: ilustração: Marinha do Brasil

Propina relatada em delação

O jornal relata que, em seu acordo de colaboração com a Justiça, a Odebrecht detalharia os bastidores de pagamentos ligados ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o Prosub, da Marinha do Brasil.

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Segundo a reportagem, os pagamentos passaram pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina da empreiteira. Nas tratativas com a Procuradoria-Geral da República, surgiram ao menos dois pagamentos no exterior, feitos por meio de offshores, que não poderiam aparecer na contabilidade oficial da empresa.

Ex-Almirante  e empresário  acusados de receber propina

O jornal revela que as informações fazem parte das negociações da delação do executivo Luiz Eduardo Soares, funcionário do Setor de Operações Estruturadas, com os investigadores da Lava Jato. O Estado apurou que também participaram das operações envolvendo o projeto do submarino os executivos Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e Fabio Gandolfo, representante da Odebrecht na Marinha para o Prosub e na Eletronuclear.

Os pagamentos

Segundo o Estadão, no caso dos pagamentos ao almirante, a transação foi efetuada por meio de uma offshore indicada pelo operador Paulo Sérgio Vaz de Arruda. Othon Pinheiro foi preso em duas fases da Lava Jato: a Radiotividade e a Pripyat, acusado de corrupção nas obras da usina de Angra 3.

Ex-almirante  Othon Pinheiro da Silva teria recebido 4,5 milhões

Segundo o Estadão, um operador da Odebrecht contou aos investigadores que ajudou a viabilizar o pagamento de 4,5 milhões de euros ao almirante.

A empreiteira fez o pagamento na conta da offshore Iberoamerica Projectos Empreendimentos Y Consultoria S.A. Segundo a reportagem, Vaz de Arruda indicou essa conta ao executivo da Odebrecht.

Além dos pagamentos para Othon, o executivo citou pagamentos do departamento de propina para José Amaro Pinto Ramos’ ele  seria representante dos franceses. Sócio de familiares do Othon Pinheiro, na Hydro Geradores e Energia, José Amaro já apareceu em ao menos dois grandes casos de corrupção

Finalmente, informa o jornal, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho informou no anexo de delação premiada que a empresa contava com um executivo de relações institucionais para apoio ao projeto do submarino em Brasília, chamado Rubio Fernal e Souza.

Submarino nuclear da Marinha, imagem de submarinos no mar
Submarino nuclear da Marinha. Submarino construído pela francesa (Foto: )

Sobrepreço na construção da Base Naval do Estaleiro da Marinha, em Itaguaí, RJ

A corrupção não se restringiu ao chefe do projeto, ex-Almirante Othon Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear.

Em agosto do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sobrepreço de R$ 406 milhões na construção da Base Naval do Estaleiro da Marinha, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A estrutura faz parte do programa brasileiro

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Submarino nuclear da Marinha, imagem do estaleiro da marinha do brasil onde são construídos novos submarinos
Submarino nuclear da Marinha. No estaleiro, em obras, um dos novos submarinos da Marinha do Brasil. (Foto: MB)

Ex-almirante recebeu condenação a 43 anos de prisão

Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, recebeu condenação por irregularidades nas obras de Angra 3, a terceira usina nuclear brasileira. A usina ainda não entrou em operação.

O site Poder Naval confirmou a informação:

O ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, recebeu ontem condenação a 43 anos de prisão por crimes cometidos durante as obras da usina nuclear de Angra 3. A Justiça também condenou outras 12 pessoas envolvidas no caso.

2016 o ano em que a casa caiu

Que termine logo. Este foi um ano que envergonhou os brasileiros. Para qualquer lado que se olhe o que se vê é  corrupção.  Desvio de dinheiros públicos. Promiscuidade dos agentes públicos, uma total esculhambação. Até mesmo os necessários submarinos brasileiros, construídos para substituir os antigos e vigiar a Amazônia Azul, não escaparam da corrupção.

Conheça o interior do submarino HMS Ocelot.

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