Do teste de 2018 à rota de contêineres pelo Ártico

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Do teste de 2018 à rota de contêineres pelo Ártico

Em 2018, a rota de contêineres pelo Ártico ganhou um teste importante. O Venta Maersk realizou uma travessia experimental pela Rota Marítima do Norte. Foi a primeira vez que a Maersk enviou um porta-contêiner por esse caminho entre a Ásia e o norte da Europa.

O navio partiu de Vladivostok em 22 de agosto e seguiu para São Petersburgo. Além disso, transportou centenas de contêineres refrigerados. O Venta Maersk tinha capacidade para 3.596 TEUs e reforço estrutural para operar em águas com gelo.

Na época, porém, a própria Maersk tratou a viagem apenas como um teste. A empresa queria avaliar o navio, a tripulação e as condições de navegação. Depois da travessia, afirmou que ainda não considerava a Rota Marítima do Norte uma alternativa comercial viável às rotas tradicionais.

O cenário mudou desde então. O degelo provocado pelo aquecimento global ampliou a janela de navegação no Ártico. Assim, aquilo que começou como experiência em 2018 abriu caminho para serviços sazonais e, mais recentemente, para tentativas de estabelecer rotas regulares de contêineres.

imagem do navio Venta Maersk Porta-contêiner cruza o Ártico
Porta-contêiner cruza o Ártico. O Venta Maersk, foto: www.independent.co.uk

Porta-contêiner cruza o Ártico

Com apoio de um quebra-gelo nuclear russo, o Venta Maersk entrou na Rota Marítima do Norte pelo Estreito de Bering. Depois, navegou ao longo da costa norte da Rússia antes de seguir em direção à Europa.

Naquela época, a rota já recebia tráfego crescente durante o verão. Navios de petróleo e gás usavam o corredor com frequência cada vez maior. Ao mesmo tempo, o gelo marinho do Ártico registrava níveis muito baixos.

Em 2018, o mar de Bering também sofreu um episódio extremo de perda de gelo. Além disso, algumas regiões do Ártico registraram temperaturas muito acima da média. Esse cenário ajudava a ampliar a janela de navegação e reforçava o interesse comercial pela rota.

Imagem de mapa mundi com a rota da passagem noroeste, no ártico
Porta-contêiner cruza o Ártico. Os possíveis mapas e suas vantagens. Ilustração

A rota economiza tempo, mas ainda custa mais

A rota de contêineres pelo Ártico pode encurtar em até duas semanas algumas viagens entre Ásia e Europa. Assim, os navios evitam o Canal de Suez (Saiba mais) e também o longo desvio pelo Cabo da Boa Esperança. E, desde  agosto de 2026, a empresa chinesa Sea Legend iniciou um serviço regular de carga pela Rota Marítima do Norte, ao longo da costa russa.

Porém, o ganho de tempo não significa menor custo. Em muitos trechos, os navios ainda precisam de apoio de quebra-gelos, além de seguros mais caros e operações especiais. Por isso, a rota continua menos previsível e, em vários casos, mais cara que as alternativas tradicionais.

Maersk confirma sucesso da travessia

A Maersk confirmou que o Venta Maersk completou a passagem com sucesso. Segundo a empresa, o teste serviu para avaliar a viabilidade operacional da Rota Marítima do Norte.

imagem de Ilustração do navio no gelo.
Ilustração do navio no gelo.

Naquele momento, porém, a companhia deixou claro que ainda não via o Ártico como alternativa comercial à sua rede tradicional. Isso mostra como a situação mudou desde 2018, quando a rota ainda funcionava sobretudo como experimento.

O interesse de cada um nesta rota

Para os armadores, a rota de contêineres pelo Ártico interessa porque pode reduzir tempo e distância. Já para a Rússia, o objetivo é também estratégico. O país controla grande parte da Rota Marítima do Norte e quer ampliar sua importância comercial.

Por isso, Moscou entregou à estatal Rosatom um papel central na gestão da navegação pelo Ártico. A empresa também administra a frota russa de quebra-gelos nucleares. Assim, a Rússia combina infraestrutura, energia e controle da rota em uma mesma estratégia.

Canal de Suez cobra centenas de milhares de dólares por travessia

A Rússia também vê a rota de contêineres pelo Ártico como concorrente do Canal de Suez. Em 2016, a consultoria SeaIntel estimou em cerca de US$ 465 mil o custo médio da passagem pelo canal para determinados porta-contêineres.

Hoje, porém, o valor varia bastante. A Autoridade do Canal de Suez calcula a tarifa conforme o tamanho e o tipo do navio, sua tonelagem, a carga e outras condições da viagem. Além disso, aplica sobretaxas e descontos específicos.

Por isso, uma passagem pode custar centenas de milhares de dólares. Esse gasto ajuda a explicar o interesse de Rússia e China em transformar a rota do Ártico numa alternativa comercial entre Ásia e Europa.

Fonte: https://www.independent.co.uk/news/world/europe/maersk-container-ship-arctic-ocean-northern-sea-route-venta-global-warming-a8543431.html; https://www.iceagenow.info/venta-maersks-arctic-venture/; http://www.highnorthnews.com/maersk-container-ship-embarks-on-historic-arctic-transit/.

Comentários

5 COMENTÁRIOS

  1. Existe um equivoco na materia. O primeiro navio a fazer essa rota foi o KOMET, navio corsário alemão, durante a segunda guerra, apoiado pelos quebras-gelo sovieticos Lenin e Stalin.

  2. Ki bom tá cabandu gelo du Polu Norti! Água doce prus peixis, prus cara ki busca ondas di 50 metrus pra surfá. Eita mundão bom dimais da conta pruque u níver du mar cresce i a seca tamém.

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