Ilha de Ormuz: a joia geológica do Golfo Pérsico
Situada a apenas 8 km da costa iraniana, a Ilha de Ormuz, conhecida como “ilha do arco-íris”, impressiona pela geologia única. Riachos de ocre intenso, praias vermelhas e cavernas de sal multicoloridas transformam a Ilha de Ormuz em um laboratório natural a céu aberto.
Camadas de hematita, argila e xisto moldam a paisagem há milhões de anos. A erosão esculpe formas inesperadas e cria um cenário raro no Golfo Pérsico. Não por acaso, muitos a chamam de Disneylândia dos apaixonados pela Terra.


A deslumbrante ilha do arco-íris’
O antigo porto de Ormuz ocupa posição estratégica no sul do Irã, no centro do Golfo Pérsico. Pelo Estreito de Ormuz passa grande parte do petróleo exportado pelo Oriente Médio, o que torna a Ilha de Ormuz peça-chave na geopolítica global.

Mas a Ilha de Ormuz guarda outra riqueza. Segundo a BBC, “a ilha do arco-íris que poucos viajantes conhecem tem riachos tingidos de ocre, praias em tons de carmesim e cavernas de sal encantadoras”.
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Fica a apenas 8 km da costa iraniana. Vista do alto, a Ilha de Ormuz lembra uma cúpula de sal cintilante em forma de lágrima.
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Suas rochas vulcânicas, ricas em xisto, argila e ferro, exibem tons intensos de vermelho, amarelo e laranja. O solo concentra mais de 70 minerais. Em seus 42 quilômetros quadrados, cada trecho revela um capítulo da história geológica da Terra.
A formação da ilha de Ormuz
A origem da Ilha de Ormuz remonta a centenas de milhões de anos. Naquele período, mares rasos cobriam a região e depositaram espessas camadas de sal nas margens do Golfo Pérsico.
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Com o tempo, essas camadas se comprimiram e se misturaram a sedimentos vulcânicos ricos em minerais. O processo formou uma massa de terra singular, marcada por solo multicolorido e geologia rara.
Como nasceram as cúpulas de sal da Ilha de Ormuz
Nos últimos 500 milhões de anos, espessas camadas de sal ficaram soterradas sob sedimentos vulcânicos mais recentes. Como o sal é menos denso que as rochas ao redor, ele subiu lentamente por fraturas e falhas até alcançar a superfície.
Esse movimento criou as grandes cúpulas de sal que hoje moldam a paisagem da Ilha de Ormuz e explicam parte de sua geologia singular no Golfo Pérsico.
Por que Ormuz é chamada de ilha do arco-íris
A geologia da Ilha de Ormuz criou riachos de ocre intenso, praias em tons de carmim e cavernas de sal de rara beleza. A variedade de minerais espalha cores fortes pela paisagem e transforma cada trecho da ilha em um espetáculo natural.

A montanha de sal que vai à mesa
A Ilha de Ormuz abriga o que muitos consideram a única montanha comestível do mundo. A montanha de solo vermelho, chamada gelack, concentra altos teores de óxido de ferro e outros minerais.
Misbaah Mansuri, autor da reportagem original, contou que moradores o incentivaram a provar o pó avermelhado. Na ilha, o gelack entra em pratos típicos e até no preparo de molhos e pães.
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A coloração intensa vem da hematita, um óxido de ferro associado às rochas vulcânicas da Ilha de Ormuz. Além do uso industrial, o mineral também integra a culinária local.
Os moradores utilizam o pó avermelhado como tempero. Ele tem sabor terroso, combina com caris e acompanha o pão típico da ilha, o tomshi — palavra persa que significa “um punhado de alguma coisa”.

Sabores e arquitetura moldados pela terra
Na Ilha de Ormuz, a terra molda sabores e também a paisagem urbana. “A terra vermelha é usada como molho”, explicou Maryam Peykani. “Chamam esse molho de soorakh. Ele é espalhado sobre o pão achatado pouco antes de sair do forno.”
Além da culinária, os moradores utilizam os pigmentos naturais em pinturas, tinturaria, cerâmica e até cosméticos. A Ilha de Ormuz transforma mineral em cultura.
A arquitetura também segue essa lógica. Um dos destaques é o projeto do escritório ZAV Architects, que criou construções pensadas para fortalecer a comunidade sem ferir a paisagem. O conjunto reúne cúpulas de diferentes tamanhos, erguidas com a técnica do superadobe, desenvolvida por Nader Khalili.
Os materiais são simples: terra, areia e o trabalho dos próprios moradores. Na Ilha de Ormuz, a geologia não apenas colore o solo. Ela define a identidade do lugar.

A variedade de cores cria uma topografia de arco-íris que se integra à paisagem quase surreal da Ilha de Ormuz.
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De Organa a Ormuz: a história do nome
O Irã tem raízes milenares. Na Antiguidade, os gregos chamavam a ilha de Organa. Durante o período islâmico, o nome mudou para Jarun.
O nome Ormuz surgiu mais tarde. Ele veio de uma importante cidade portuária no continente, a cerca de 60 km dali. Essa cidade foi capital de um pequeno principado que controlava os dois lados do estreito e deu origem ao nome que a Ilha de Ormuz carrega até hoje.

Segundo o site www.chadelimadapersia.com, moradores construíram uma nova cidade na ponta norte da ilha de Jarun. Para distingui-la da cidade continental, deram ao assentamento o nome de Nova Ormuz. Com o tempo, o nome se consolidou e passou a designar toda a Ilha de Ormuz.
Na mesma região, outra joia do Índico merece atenção: o arquipélago de Socotra. No século 16, os portugueses também estiveram ali. Conhecido como as “Galápagos do Índico”, Socotra abriga biodiversidade singular e paisagens que parecem de outro planeta.
A conquista portuguesa em 1507
Em 1507, Afonso de Albuquerque, então segundo governador da Índia portuguesa, conquistou a Ilha de Ormuz. A partir de então, Ormuz passa a desempenhar um papel de entreposto na rota das especiarias dos lusitanos.
A partir dessa ocupação, a Ilha de Ormuz passou a integrar o Império Português e ganhou papel central na estratégia de controle das rotas comerciais do Golfo Pérsico.

Mais de um século depois, em 1622, uma aliança entre persas e ingleses retomou o controle da Ilha de Ormuz e pôs fim ao domínio português no Golfo Pérsico.
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Um dos vestígios mais marcantes desse período é o Forte de Nossa Senhora da Conceição. Construído com pedra vermelha na ponta norte da ilha, o forte permanece como uma das principais relíquias da presença portuguesa na região.
O Vale do Arco-Íris
No sudoeste da Ilha de Ormuz fica o Vale do Arco-Íris, uma das paisagens mais impressionantes do Golfo Pérsico. O solo multicolorido e as montanhas em tons intensos de vermelho, roxo, amarelo, ocre e azul criam um cenário quase irreal.
A Ilha de Ormuz reúne geologia viva, história milenar e cores que não se repetem em nenhum outro ponto da região. Um destino raro, onde a Terra expõe suas camadas como se contasse a própria história.

Qual a melhor época para visitar a Ilha de Ormuz
Segundo o site Apochi, o verão na Ilha de Ormuz é escaldante. As temperaturas sobem demais, e até os moradores evitam as praias, que ficam quase vazias.
O inverno oferece as melhores condições para visitar a Ilha de Ormuz. O clima fica mais ameno, e a estação coincide com a migração de diversas espécies de aves e tartarugas, o que torna a experiência ainda mais rica.
Assista ao vídeo e saiba mais sobre Ormuz
Fontes: https://www.bbc.com/travel/article/20211020-the-rainbow-island-most-travellers-dont-know; https://www.theglobetrottingdetective.com/hormuz-island-rainbow-island-iran/; https://pro.cosentino.com/pt-br/blog/presence-in-hormuz; https://www.chadelimadapersia.com/2014/05/ilha-hormuz-o-paraiso-das-cores-no.html; https://apochi.com/attractions/qeshm/hormuz-island/.
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Sérgio Finger
Israel