Maior navio construido no Brasil sec. 17, e no mundo

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Maior navio construido no Brasil, sec. 17, e no mundo: história náutica desconhecida

Na segunda metade do século XVII (1666) foi fundado um estaleiro na Ponta do Galeão, baía de Guanabara. Entre outros, ele colocou no mar o galeão Padre Eterno, maior navio construido no Brasil e no mundo até então.

tida por muitos historiadores como o maior navio existente no mundo na época

A fonte desta informação é o belíssimo livro “A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, editado em 1965 para comemorar os 400 anos da fundação do Rio de Janeiro.

maior navio construido no Brasil, imagem de Gravura do navio Padre Eterno
Gravura do Padre Eterno publicada no livro supra citado

Padre Eterno era um colosso: seis pontes (ou convéses), 180 escotilhas (o que quer dizer 180 canhões). Podia carregar até 4 mil caixas de açúcar de 680 kilos cada. Sua tripulação era de 3 a 4 mil homens.

Vale conhecer nossa história náutica

Nossa história náutica é interessante e surpreendente. A quantidade extraordinária de embarcações típicas ainda em uso é mais uma prova. Pintadas em cores vibrantes, com formas incomuns, ostentando enormes e nostálgicas velas, estas rústicas embarcações são parte de nossa história e trazem poesia e elegância ao nosso litoral.

Joshua Slocum: os marinheiros brasileiros e suas embarcações

Um dos maiores ícones da vela mundial é o norte- americano Joshua Slocum, o primeiro a fazer uma volta ao mundo em solitários, em meados do século 19. Sobre a habilidade náutica dos brasileiros e suas embarcações escreveu ( no prefácio de seu livro A Viagem do Liberdade):

Estas canoas, às vezes produzidas a partir de árvores gigantescas, habilmente modeladas e escavadas, são ao mesmo tempo a carruagem e carriola da família para o sítio, ou do arroz para o moinho. Estradas são quase desconhecidas onde a canoa está disponível; consequentemente, homens, mulheres e crianças são todos adestrados quase à perfeição na arte da canoagem. […] a navegação, portanto, é usada com grandes vantagens pelos habitantes quase anfíbios da costa, que amam a água e movem-se nela como patos e marinheiros natos. Até hoje idolatrei a honestidade dos nativos brasileiros bem como a habilidade náutica nacional e a perícia com canoas.

Fontes: A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro; A viagem do Liberdade, de Joshua Slocum.

Saiba mais sobre as embarcações típicas da costa brasileira.

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13 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de comentar que procurei o barco Liberdade, construído por Slocum no Brasil e com o qual ele retornou aos Estados Unidos após a perda do seu navio no litoral do Paraná. A informação que eu tinha era de que o Liberdade fazia parte do acervo do Smithsonian. Depois de muita pesquisa nos computadores do instituto, consegui a informação de que foi devolvido à família do Slocum por exigência dela. Parece que queriam negociar uma “venda” que o Smithsonian não aceitou.

    • Oi, Luis, não entendi bem seu correio. E todo caso bem-vindo a bordo! Se vc acha que é “aberração”, ok, então é “aberração”. O fato de haver matéria sobre a Padre Eterno na Wikipedia não significa que seja um fato conhecido pela vasta maioria dos bruscas.
      abs

  2. Antes de mais nada parabéns, por ter isso tão bem registrado na memória, e por nôs mostrar este espetáculo da mãe natureza.
    Poucos foram aqueles que antes de falar ou contar, foram lá para ver!
    Parabéns João isso foi para poucos…
    Abraço!

    Martin Buelau

    • Pois é Martinbuleau, uma pena que não nos ensinam isto nas escolas, muito menos nas faculdades, mesmo aquelas dedicadas às ciências humanas.
      Obrigado pela mensagem, abraços, e até breve!

    • Antonio: de fato é surpreendente, mas o registro histórico é este: 3 a 4 mil tripulantes. A fonte secundária ( de onde tirei a notícia que está no meu livro Embarcações Típicas da Costa Brasileira) é a publicação “A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, editado pelo Banco Boavista em 1965. Ele diz: “É na obra de Helain Manesson Mallet, Description de L’Univers contenant les différents systèmes du Munde…Paris, 1683, que aparece a gravura aqui reproduzida ( a mesma do site), com a seguinte notícia: Tem 180 pés de quilha, seis pontes, 180 escotilhas e outros tantos canhões de ferro. Sua carga era de 4 000 caixas de açúcar, cada caixa pesando 1.500 libras e de 2.500 grosso rolos de tabaco; tripulação normal de 3 a 4 000 homens.”
      abraços

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