Eventos extremos: litoral e economia

0
495
views

Eventos extremos: litoral e economia

Sua capacidade de destruir ecossistemas  já comprometidos pela poluição, doenças provocadas pelo aquecimento, e acidificação das águas oceânicas, é brutal. Além disso, como publicou o IBGE, o Brasil é povoado no litoral e vazio no interior. Ou seja, quando acontecem no litoral,  os eventos extremos atingem maior número de habitantes. E o custo? Alguém tem que pagar a conta, almoço grátis não existe.
Eventos extremos: litoral e economia,mapa das regiões metropolitanas do Brasil
A maioria está no litoral: mais habitantes, maiores os problemas

Eventos extremos destruindo ecossistema marinhos

Os eventos extremos prejudicam os ecossistemas marinhos contribuindo para diminuir a a já combalida biomassa pesqueira brasileira.

Eventos extremos, peso para a economia, imagem de pescadores artesanais com rede

Faltam fiscalização e políticas públicas para a pesca

O Brasil nunca  olhou o seu mar; não há pesquisas, muito menos publicação de dados estatísticos. Até hoje não conseguiram  coibir a pesca com bombas.

Eventos extremos, peso para a economia, imagem de uma despesca em curral
Despesca no cerco, SP, contribuição dos pescadores artesanais

As unidades de conservação federais deveriam garantir os ecossistemas marinhos mas são um engodo

É nesse espaço que estão as áreas mais ricas em biodiversidade, beleza cênica, berçários de vida marinha, nidificação e criação de aves, desova de tartarugas, criação e acasalamento de cetáceos, etc. Como mostrei na série de documentários para a TV Cultura, as unidades de conservação do bioma marinho estão ao deus- dará.

Eventos extremos, peso para a economia, imagem do parque nacional da lagoa do peixe
As lagoas do Parque Nacional da lagoa do Peixe, UC federal marinha, estão assoreando em razão de plantação de piuns dentro da áreas ‘protegida’

O nativo da costa e sua trágica sina

Seu trabalho garante uma porcentagem considerável do que é retirado dos mares anualmente: a pesca marinha contribui com 63% do total de pescado no Brasil, 60% é obra de pescadores artesanais. Incapazes de se organizar, vivem à beira da indigência sem quase nenhum direito assegurado. Frequentemente perdem suas posses  para a especulação imobiliaria.

Eventos extremos, peso para a economia, casas de pescadores, de palha, no nordeste
No Norte, e Nordeste, este é o padrão de moradia dos nativos

O Crack nas comunidades pesqueiras

Enquanto isso os  serviços para essa gente, como educação, saúde, e moradia, equivalem a filmes de terror.  O  organismo social se esfacela, perde suas defesas. O ilícito aproveita: sua pior manifestação, o tráfico de drogas, invade as comunidades. O crack, hoje, é ‘combustível’ para muitos pescadores, enquanto seu consumo  detona o futuro de seus filhos.

Acão egosísta e mesquinha do cara- pálida

Eventos extremos, peso para a economia, imagem de resort no litoral da bahia
Os famigerados resorts detonam a paisagem, não geram empregos, e expulsam nativos

 É inacreditável a quantidade de milionários que se dedicam a estuprar o litoral, privando seus legítimos donos do que de mais rico têm: a posse.

Eventos extremos, peso para a economia, imagem de carcinicultura no nordeste
Empresas extirpam o mangue do Nordeste para criarem camarão

Biodiversidade de todos em benefício de poucos

Nossa costa é banalizada por todo tipo de irregularidades. Em minha última série para a TV Cultura, mais uma vez naveguei e rodei pelo litoral, desde o Rio Grande do Sul até o Amapá. O que vi  me deixou triste.

No sul da Bahia, local talvez da mais rica porção de Mata Atlântica onde, em 0,1 hectare havia 144 espécies diferentes de árvores, hoje quase só existe eucaliptos. Perdemos nossa riqueza sem ao menos reclamar. Algo está muito errado.

Eventos extremos, peso para a economia, imagem de reflorescimento com eucalipto
Obra das empresas produtoras de celulose no litoral baiano

Os custos dos eventos extremos

Estudos  que procuram precificar os desastres naturais. Um deles, ‘Valorando tempestades- Custo econômico dos eventos climáticos extremos no Brasil nos anos de 2002- 2012‘, produzido pelo Instituto de Economia da UFRJ, com base no cruzamento de dados do ‘Atlas Brasileiro de Desastres Naturais‘  com uma estimativa média para o Brasil de custo econômico por pessoa afetada diz que

Há danos ou custos diretos à infraestrutura social e econômica e à produção, a interrupção de serviços essenciais e também efeitos secundários macroeconômicos.

O objetivo deste texto é utilizar as informações dos registros de três tipos de desastres naturais (enxurradas, inundações e movimentos de massa), disponíveis no Atlas Brasileiro de Desastres Naturais (CEPED, 2013), para mensurar as perdas econômicas de extremos climáticos no Brasil nos anos de 2002 a 2012.

Gráfico assustador

Eventos extremos, peso para a economia, gráfico mostra custo dos eventos extremos no brasil
De R$ 130.000,00 em 2004, para R$ 3.045.000 bilhões, em menos de 10 anos

Segundo CEPED (2013), 35% dos desastres climáticos registrados no Brasil no período de 1991 a 2012 foram diretamente relacionados com a ocorrência de fortes precipitações

Resultados

Os resultados para a perda total no período 2002-2012 oscilam entre R$ 180 bilhões (estimativa usando o coeficiente R$/Desabrigado), R$ 300 bilhões (coeficiente R$/Desalojado) e R$ 355 bilhões (coeficiente R$/Afetado), com valor médio de R$ 278 bilhões.

O gráfico 5 mostra a evolução das estimativas de perdas anuais ao longo do período.

Eventos extremos, peso para a economia, gráfico das perdas anuais do Brasil com eventos externos

Perdas econômicas versus PIB

Eventos extremos, peso para a economia, participação das perdas do PIB brasileiro com desastres naturais

Os danos humanos no período

Eventos extremos, peso para a economia, dando humanos e eventos extremos no brasil

Conclusões

O custo não mitigado das ocorrências desses eventos é alto, com tendência de aumento e afeta o país de forma generalizada. A parcela da população afetada por esses eventos entre 2002 e 2012 equivale a 25% da população brasileira.

Brasil e o desgoverno

Com o desgoverno que vivemos, estes relatórios terão  serventia? Ao restabelecermos a ética, se conseguirmos, um futuro anda mais sombrio nos aguarda.

Rio Doce: a morte anunciada de um corpo d’água

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here