Custos de eventos extremos: números e perspectivas

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Custos de eventos extremos: alguns números e perspectivas

É impossível para este site fazer um levantamento completo. Seria uma tarefa hercúlea. Mas o assunto precisa ser mais abordado. Atualmente a grande mídia não vai alem da Lava Jato, e  Donald Trump. É preciso provocar, forçar o governo brasileiro a agir, planejando, e preparando o país a longo prazo. Custos de eventos extremos é o tema de hoje.

Custos de eventos extremos
Ilustração: Salobro Bahia

Acordo de Paris entre em vigor esta semana, o Brasil continua a dormir em berço esplêndido

 O Brasil propôs uma meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Mas não agiu. A meta foi definida durante o (des)governo Dilma, em 2015. Segundo o Valor Econômico,  “pesquisadores que se reuniram em workshop promovido pela Universidade de Brasília e Rede Clima, com apoio da Climate and Land Use Alliance (Clua), prepararam um  documento será entregue ao Ministério do Meio Ambiente”.

A meta brasileira do acordo do Clima não tem detalhamento

Prossegue a matéria: “A meta não tem detalhamento. Qual será a estratégia para monitorar a regeneração natural? Onde vai se dar? Quanto se plantará de nativas e de exóticas?  Quais biomas serão contemplados? Com quais mudas?  Qual o financiamento para os produtores? Também não há indicação de onde virão os recursos para implementar a medida”.

Custos de eventos extremos, imagem de erosão em morro
Custos de eventos extremos, Foto: G1, Região serrana, Rio de Janeiro

Melhor prevenir que remediar

O bordão acima é o óbvio ululante. Mesmo assim o Brasil não se prepara. Há quantos anos se fala nas mudanças climáticas? Mais de 20 anos pelo menos. O que fez o Brasil até agora? Que este site saiba, apenas começou  a investir em novas formas de energia limpa, timidamente, uma vez que nossa matriz é dependente da energia hidrelétrica, 75% vem desta matriz; e, apesar de limpa,  está no limite e já sofre as consequências das alterações do clima. Neste momento somos obrigado a recorrer às usinas térmicas em razão da baixa geral dos reservatórios de água. Elas são o que há de atrasadas. Queimam carvão e diesel!! Aumentam nossas emissões, provocam ainda mais eventos extremos!

Alguns custos dos eventos extremos: só nos Estados Unidos, mais de US$ 1 trilhão de dólares em prejuízos!

Entre 1980, e 2016 (primeiro semestre), os USA tiveram cerca de 200 eventos extremos, de acordo com o National Center For Environmental Information, órgão ligado à NOAA. Os custos excedem US$ 1 trilhão de dólares!

Perdas entre as décadas de 70 até 2012: mais de US$ 2,4 trilhões de dólares.

Neste período,  relatório do Atlas Mundial de Mortalidade e Perdas Econômicas do Tempo, Clima e de Extremos Hídricos, indica que houve mais de 8 mil eventos extremos, causando a morte de 1,94 milhão de pessoas e perdas de US$ 2,4 trilhões de dólares.

Em 2016, até setembro, já aconteceram 12 desastres nos USA, cada um ao custo de US$ 1 bilhão de dólares!

 

Custos de eventos extremos, mapa-dos-desastres-climaticos-nos-USA
Fonte: NOAA

Prejuízos com eventos climáticos em 2010: US$ 130 bilhões de dólares!

A resseguradora global Munich Re diz que 2010 foi o sexto pior ano desde 1980, com perdas de US$ 130 bilhões de dólares. Estes eventos provocaram a morte de 220 mil pessoas em  950 catástrofes naturais.

Os seguros são  fonte confiável sobre os custos dos eventos extremos: só no primeiro semestre de 2016, as perdas chegam a US$ 70 bilhões!

Em 17 de Outubro, o Estadão publicou a coluna de Antônio Penteado Mendonça, perito em seguros, cujo título era “Tempo Escuro”:

No primeiro semestre de 2016 os eventos de origem natural custaram perdas da ordem de US$ 70 bilhões.

Mendonça explica:

Deste total mais ou menos US$ 20 bilhões foram pagos pelas seguradoras. O que gerou estas indenizações foi uma maior ocorrência destes eventos onde há forte tradição da compra de seguros.

Ou seja, nos países mais ricos, onde há a tradição de compra de seguros, é possível minimizar o prejuízo. Mas, nos mais pobres, diz o articulista:

Não se verificou qualquer aumento nos contratos de seguros contra estes riscos…boa parte da Ásia, África e América do Sul permanece sem seguros para fazer frente aos danos de origem natural…

Custos de eventos extremos, imagem de inundação em cidade
Custos de eventos extremos. Foto: APUFPR

Eventos extremos: países ricos cada vez mais ricos, países pobres cada vez mais pobres

O articulista lembra que este cenário

aumenta a diferença do grau de riqueza das nações com os países desenvolvidos mantendo sua capacidade de investir em novos projetos porque parte dos prejuízos é reposta pelo setor de seguros. Enquanto isso, nos países em desenvolvimento a população afetada fica mais pobre em função das perdas e incapacidade dos governos assumirem os custos com a reconstrução das áreas atingidas.

No Brasil o moto- perpétuo de ponta- cabeça

Ou seja, o que sugere Penteado Mendonça é, a persistir esta ausência de providências por parte do poder público, teremos descoberto o moto- perpétuo de ponta- cabeça sendo condenados à pobreza eterna. No Brasil, problemas como educação, saúde, e segurança, que custam bilhões de reais, ainda estão longe de serem resolvidos. De onde virá o dinheiro para fazer frente aos eventos extremos?

Custos de eventos extremos, imagem de terra ressecada
Custos de eventos extremos. Foto: G1

Custos de eventos extremos: alertas da comunidade científica mundial

Não é preciso muito tempo de pesquisa para acha-los. Carlos Nobre, climatologia, e membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) diz:

São ao menos 5 milhões de pessoas morando próximo à costa e em periferias. Com o clima mais quente, haverá mais doenças, e as ondas de calor afetarão mais as áreas urbanas

Áreas de risco no Brasil

A geóloga Célia Regina Souza, doutora em geologia sedimentar pela USP, e pesquisadora do Instituto Geológico da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, diz que

entre os principais efeitos no Brasil estão a erosão de praias, ressacas cada vez mais frequentes e mais intensas, ondas mais altas e inundações. Além disso, em áreas como a Baixada Santista, no Estado de São Paulo, e a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, o efeito é que a água dos rios tende a não conseguir escoar para o mar, e este represamento será cada vez mais frequente, elevando o número de inundações

 E mais:

Entre as áreas mais vulneráveis da costa brasileira estão o Estado de Santa Catarina, a região de Santos e Guarujá, em São Paulo, o Estado do Rio de Janeiro, e Recife

Alguém viu alguma ação dos governos nestas áreas? Acorda Brasil!

Que tal lembrar o que aconteceu no Balneário do Hermenegildo estes dias, e fazer uma projeção para as áreas citadas pela geóloga: Santa Catarina, Santos e Guarujá, Rio de Janeiro e Recife?

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