Cruzeiro Hondius, a nau dos rejeitados está em Tenerife, Canárias

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Cruzeiro Hondius, a nau dos rejeitados está em Tenerife, Canárias

A ‘nau dos rejeitados’  está nas Ilhas Canárias. O navio de cruzeiro Hondius chegou à costa de Tenerife na madrugada deste domingo. Em vez de atracar em um porto tradicional, a embarcação ancorou em alto mar, na zona de Granadilla de Abona, e os passageiros foram transportados para terra firme em pequenas embarcações, a fim de minimizar o contato com a população local.

Guarda civil da Espanha recebe o cruzeiro Hondius
Guarda civil da Espanha recebe o cruzeiro Hondius. Imagem, www.springfieldnewssun.com.

O Hondius cruzou o Atlântico Sul em direção ao arquipélago africano de Cabo Verde, onde não foi autorizado a desembarcar os passageiros,  enquanto pessoas morriam a bordo contaminadas pela cepa Andes,  único que pode passar de uma pessoa para outra. É difícil imaginar o clima dentro de um barco relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem por hantavírus.

Passageiros presos no Hondius
Imagem, www.springfieldnewssun.com.

Os passageiros já começaram a embarcar

Os passageiros já começaram a embarcar em voos especiais de volta aos seus países de origem. O primeiro voo de evacuação já transportou 14 espanhóis para Madri, onde passarão por quarentena em um hospital militar. Outros países, incluindo o Reino Unido, os EUA e a França, também estão organizando voos fretados para seus cidadãos.

O surto causou oficialmente a morte de três passageiros (um casal holandês e uma mulher alemã).

Cruzeiro Hondius em Tenerife Ilhas Canarias
Imagem, www.springfieldnewssun.com.

Enquanto isso, dois casos suspeitos, identificados na sexta-feira, 8 de maio, acenderam o alerta internacional. Eles surgiram longe do navio onde o possível surto começou: um na Espanha e outro na remota ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul.

A Organização Mundial da Saúde reforça que o vírus preocupa quem contrai a infecção, mas raramente passa de uma pessoa para outra. Contudo, para aqueles confinados num espaço restrito, como é o caso dos passageiros, a infecção pode se espalhar. E é por este motivo que usamos a expressão ‘navio dos rejeitados’. Ou seja, parece que voltamos à Idade Média.

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Hondius em Tenerife
O Hondius em Tenerife. Imagem, www.springfieldnewssun.com.

Chegada provou protestos em Teneferife

A chegada do navio provocou protestos em Tenerife. Trabalhadores portuários e moradores expressaram medo e raiva, traçando paralelos com os primeiros dias da pandemia de COVID-19.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon, viajou para Tenerife para supervisionar pessoalmente a operação, dizendo explicitamente aos moradores: “Isto não é mais um caso de COVID”.

Autoridades da saúde em Tenerife
Autoridades da saúde em Tenerife.

Quatorze cidadãos espanhóis foram os primeiros a desembarcar e já partiram em um voo do governo para Madrid, onde passarão por quarentena obrigatória no Hospital Militar Gómez Ulla.

passageiros do Hondius

Passageiros da Holanda, Alemanha, Bélgica e Grécia são os próximos da lista. Voos fretados pelos EUA e Reino Unido também estão coordenados para levar seus cidadãos diretamente a centros de quarentena em seus países de origem. No momento da chegada, todos os passageiros a bordo foram declarados assintomáticos pelas autoridades de saúde.

Dois casos confirmados no Paraná

De acordo com o G1, o Paraná confirmou dois casos de hantavírus, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Os pacientes vivem em Pérola d’Oeste, no Sudoeste do estado, e em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Outros 11 casos continuam em investigação. A secretaria descartou mais 21.

Tedros Adhanon, recebe passageiros do cruzeiro Hondius.
Tedros Adhanon, recebe passageiros do cruzeiro Hondius. Imagem, www.springfieldnewssun.com.

Porém, segundo a secretaria, os casos identificados no Paraná são da cepa silvestre, transmitida por animais como roedores. O estado não registra circulação do vírus Andes, que pode passar de pessoa para pessoa, como nos casos confirmados pela OMS.

Contudo, no mesmo dia deste anuncio, o Conexão Política Brasil revelou que, o Ministério da Saúde da Argentina registrou 42 casos de hantavírus em 2026. Desde o início da temporada epidemiológica, que vai de junho a junho, já são 101 casos — quase o dobro dos 57 registrados no mesmo período anterior.

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O aumento coincide com a investigação do surto identificado a bordo do navio de cruzeiro Hondius.

Organização Mundial da Saúde monitora a situação

Segundo a rede inglesa BBC, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também confirmou que um homem que viajou de volta para a Suíça depois de desembarcar testou positivo para o hantavírus e está recebendo cuidados em Zurique.

Um total de 146 pessoas de 23 países diferentes permanecem a bordo sob “medidas de precaução rigorosas”, disse a Oceanwide Expeditions.

Cabo Verde barra desembarque do Hondius

Foi duro convencer as autoridades espanholas a aceitarem o navio. A BBC revelou que as autoridades espanholas concordaram com a medida, mas o presidente das Ilhas Canárias se opôs ao plano.

“Não posso permitir que [o barco] entre nas Canárias”, disse Fernando Clavijo à rádio espanhola Onda Cero. “Esta decisão não é baseada em nenhum critério técnico e nem recebemos informações suficientes.”

Mapa cruzeiro Hondius atacado por surte de Hantavirus

Porém, a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, disse que todos a bordo passarão por uma avaliação médica quando chegarem a Tenerife e, se estiverem aptos a viajar, serão repatriados para seus países de origem.

Quatro continentes em alerta

Segundo a Kctv5, autoridades de saúde de quatro continentes rastreiam e monitoram passageiros que desembarcaram antes da detecção do surto mortal.

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Na Argentina, uma equipe de investigadores ainda não partiu para Ushuaia onde as autoridades suspeitam que o surto tenha começado, informou o Ministério da Saúde à Associated Press.

A pandemia de COVID-19 mostrou que a sina de navios quando descobrem surtos de doenças contagiosas. A primeira reação é os portos recusarem a embarcação. Em 2020, vários cruzeiros viveram drama parecido. O Westerdam teve a entrada recusada por diversos países até conseguir atracar no Camboja. O Diamond Princess ficou em quarentena no Japão e se tornou um dos primeiros grandes focos da doença fora da China. Na época da pandemia pelo menos 17 navios de cruzeiros tiveram passageiros com teste positivo para COVID-19.

Você sabe o que é o hantavírus?

O hantavírus aparece, em geral, associado a roedores silvestres ou urbanos infectados. A transmissão ocorre quando pessoas respiram partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais. Também pode ocorrer por contato com material contaminado. Por isso, depósitos, porões, áreas de carga e espaços pouco ventilados despertam preocupação em um navio.

O problema é que a doença pode ser grave. No início, os sintomas lembram uma gripe forte, com febre, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns casos, porém, o quadro evolui para dificuldade respiratória, queda de pressão e falência de órgãos. Daí o medo das autoridades sanitárias.

O surto desencadeou uma resposta internacional de saúde pública

Segundo o site da ONU, ‘um surto de hantavírus mortal a bordo de um navio de cruzeiro no Atlântico desencadeou uma resposta internacional de saúde pública’.

A Organização Mundial da Saúde, um braço da ONU, está coordenando evacuações e avaliações de risco após a morte de três pessoas e múltiplas infecções suspeitas. Um paciente permanece em terapia intensiva na África do Sul.

Segundo, Bhanu Bhatnagar, da OMS ‘as infecções do vírus são incomuns e geralmente ligadas a roedores infectados. Em alguns casos, podem ser graves, mas raramente passam de uma pessoa para outra.  O risco para o público em geral permanece baixo neste momento, e não há motivo para preocupações ou restrições de viagem’.

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Um homem testou positivo para hantavírus na Suíça

A bordo havia 149 pessoas, de 23 nacionalidades, segundo a Oceanwide Expeditions. É difícil imaginar o clima dentro de um navio de expedição relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem em circunstâncias ainda sob investigação.

Segundo kctv5, na quarta-feira, 6 de abril, surgiu a informação de que um homem testou positivo para hantavírus na Suíça depois de desembarcar em St. Helena. Ainda não se sabe, porém, por onde ele passou nesse intervalo.

E na quinta-feira, 7 de abril, autoridades de saúde de Singapura informaram que monitoravam dois homens que desembarcaram em St. Helena, seguiram para a África do Sul e depois voltaram para casa. Os dois chegaram a Singapura em momentos diferentes. As autoridades disseram que eles estavam isolados e passavam por testes.

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