Como a mudança climática pode afetar o fitoplâncton

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Como a mudança climática pode afetar o fitoplâncton e por que você deveria se importar

Nós já sabemos que as questões ambientais não são prioridade para a sociedade, e esse fator se tornou ainda mais importante depois da Revolução Industrial. A exploração de carvão e combustíveis fósseis, aliada ao desmatamento de florestas, intensificou a liberação de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, gerando um aumento do efeito estufa. Esse efeito influencia diretamente a temperatura da superfície da Terra, como resultado, o planeta se aquece. Como a mudança climática pode afetar o fitoplâncton é um artigo da Universidade Federal do Paraná especial para este site.

Desenho mostra fábricas da revolução industrial
Imagem, guiadoensino.com.br.

O Oceano está aquecendo

Desde a década de 1970, o oceano absorveu mais de 90% do excesso de calor do sistema climático e, consequentemente, aqueceu. Esse  aquecimento da superfície do oceano é mais pronunciado, principalmente a partir do ano 2000. Uma forma de visualizar isso é pensar em como a água da parte superior do mar ou até mesmo de uma piscina é mais quente (água superficial) do que a parte dos pés (águas mais profundas).

Aquecimento superficial do oceano

O aquecimento superficial do oceano vem sendo observado e registrado pelos cientistas ao redor do mundo há décadas. A partir das observações dos cientistas, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climáticas (IPCC) prepara relatórios de avaliação abrangentes sobre o estado do conhecimento científico, técnico e socioeconômico sobre as mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros. E apresenta opções para reduzir a taxa em que as mudanças climáticas estão ocorrendo. O recém publicado Sumário para Formuladores de Políticas do Relatório Especial do IPCC – “O Oceano e a Criosfera em um Clima em Mudança” (com versão em português organizada pelo Ministério de Ciência Tecnologia e Inovações) ressalta que o aquecimento superficial do oceano promoveu um aumento na estratificação dos primeiros 200 m da coluna d’água.

Como a mudança climática pode afetar o fitoplâncton, e o que isso gera?

O aquecimento da temperatura superficial do oceano torna sua superfície menos densa do que as regiões mais profundas, podendo funcionar como uma verdadeira barreira térmica. Como consequência, a mistura entre águas superficiais e profundas é inibida, o que dificulta a disponibilização de nutrientes que emergem das camadas mais profundas e frias do oceano. Um dos grupos de organismos marinhos mais afetados é o fitoplâncton, organismos microscópicos que vivem em ambientes aquosos, tanto salgados quanto frescos.

infográfico mudança climática pode afetar o fitoplâncton
Imagem, © Mateus Gonzatto e Victória Hillesheim.

Assim como as árvores, os minúsculos organismos fitoplanctônicos dependem de nutrientes,  luz solar e CO2 dissolvido, para realizar fotossíntese. O resultado tem como produto  a produção de matéria orgânica e oxigênio que pode retornar para a atmosfera. O fitoplâncton produz cerca de metade do oxigênio presente na atmosfera. Ou seja, metade do oxigênio que você respira vem do mar, superando até a quantidade de oxigênio produzido pelas florestas. Isso se deve ao fato de a massa verde do fitoplâncton ser maior que a biomassa florestal.

Imagem microscópica de fitoplâncton
Imagem, sbmicrobiologia.org.br.

Importância do fitoplâncton

A cadeia alimentar marinha é um delicado sistema de interações entre os seres vivos, em que animais que estão no topo da cadeia (como tubarões, por exemplo) dependem de outros organismos denominados de consumidores, que por fim dependem de produtores primários (fitoplâncton).

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Os impactos causados pelas mudanças climáticas globais sobre os produtores primários podem gerar uma desestabilização de toda cadeia alimentar.

Segundo o IPCC, desde a década de 1950, a produção de biomassa dos ecossistemas, do Equador aos pólos, já foi alterada em resposta ao aquecimento do oceano. Ainda, o relatório salienta que a desestabilização do fitoplâncton pode contribuir para uma diminuição geral no potencial máximo de captura de peixes, agravando os impactos da sobrepesca para alguns estoques pesqueiros e colocando em risco a segurança alimentar de milhões de pessoas.

infográfico mostra ciclo de vida marinha
Imagem, todamateria.com.br.

Além disso, por ação anaeróbica, o metano (CH4) é liberado com a morte do fitoplâncton e, embora a quantidade de metano na atmosfera represente menos de 0,5% da concentração de CO2, o metano ainda é um importante gás de efeito estufa. Em base molar, a adição de um mol de CH4 na atmosfera é aproximadamente 24 vezes mais efetiva na absorção de radiação infravermelha do que um mol de CO2.

Como podemos colaborar para amenizar esses impactos?

Os esforços para combater as mudanças climáticas devem ser globais e envolver estratégias governamentais no âmbito nacional e internacional.

Em 2015, durante a COP 21 (21ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), com o objetivo de frear o avanço das mudanças climáticas, foi firmado o Acordo de Paris.

O acordo foi discutido entre 195 países que definiram metas a serem atingidas até 2030: reunir esforços para limitar o aumento de temperatura global a 1,5ºC; adaptar os países signatários às mudanças climáticas de modo a reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos; promover o desenvolvimento tecnológico e capacitação para adaptação às mudanças climáticas. E ainda proporcionar a cooperação entre as instituições e os setores da sociedade para ampliar e fortalecer ações de mitigação do aquecimento global.

No entanto, ainda que os esforços para combater as mudanças climáticas sejam globais, eles também começam no dia a dia das pessoas. Isso acontece em escolhas simples como andar a pé, bicicleta ou transporte público ao invés de carro. Utilizar energias renováveis, e divulgar informações que auxiliem na conscientização da sociedade.

O desenvolvimento em si não é algo negativo, mas tem que ser conciliado com a sustentabilidade pensando nas gerações futuras. 

infográfico mostra atitudes em prol de mundo melhor
Imagem, ecofossa.com.

Os autores

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Mateus Gonzatto: Cursando bacharelado em Oceanografia no Centro de Estudos do Mar da UFPR. Atualmente é monitor da disciplina de Introdução a Oceanografia Química.

Victória Hillesheim Garcia e Silva: Cursa bacharelado em Oceanografia no Centro de Estudos do Mar da UFPR. Também faz parte da Maris, Empresa Junior de Oceanografia da UFPR onde atua como Diretora do Administrativo Financeiro.

Prof.ª Renata Hanae Nagai: Oceanógrafa, Mestre e Doutora em Oceanografia pela Universidade de São Paulo. Desde 2015 atua como docente do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná, coordenando o Laboratório de Paleoceanografia e Paleoclimatologia.

Imagem de abertura: sbmicrobiologia.org.br.

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Comentários

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito boa a reportagem, mas devem corrigir a informação sobre a massa fitoplanctônica marinha comparada com a biomassa florestal terrestre. A biomassa algal é muitas vezes menor que a biomassa florestal, cerca de 4% da biomassa florestal, mas em função do seu diminuto tamanho, o metabolosmo é acelerado, resulltando numa maior produção de matéria orgânica e oxigênio pelo mesmo intervalo de tempo. A biomassa algal se renova mais rápido, produzindo mais, mas também se regenerando (reciclando) muito mais rapaidamente.

  2. SE APRENDEM PELA SABEDORIA OU PELA DOR.

    COMO EM 50 ANOS SEREMOS ALGO EM TORNO DE 10.000.000.000 DE BOCAS FAMÉLICAS, EXCRETANDO MILHÕES DE LITROS DE URINAS, FEZES E OUTROS DEJETOS EU NÃO ALIMENTO ESPERANÇAS DE CORREÇÕES OU APRENDIZADOS PELOS HUMANOS. FELIZMENTE EU JÁ NÃO ESTAREI POR AQUI PRA VIVENCIAR TANTAS DESGRAÇAS.

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