Banco Royal Charlotte, riqueza da costa baiana

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Banco Royal Charlotte, riqueza da costa baiana

Os pesquisadores brasileiros há muito sabem da riqueza de mais este espaço da costa baiana. Localizado ao norte do Banco dos Abrolhos,  entre o município do Prado e a foz do rio Jequitinhonha, ele tem um formato retangular com sua dimensão maior no sentido leste-oeste, de aproximadamente 100 km; e a menor no sentido norte-sul, de cerca de 50 km. Agora isto está confirmado. Banco Royal Charlotte, riqueza da costa baiana.

mapa com localização do Banco Royal Charlotte
Elaboração: Herton Escobar/Jornal da USP.

Banco Royal Charlotte, riqueza da costa baiana

Já em 2012 o governo tornou pública uma proposta para ampliação das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) da região dos Abrolhos. E ela contemplava o Banco Royal Charlotte que, assim como Abrolhos fica na plataforma continental brasileira, neste caso, a baiana.

A estratégia do Ministério do Meio Ambiente era ampliar a proteção da maior área recifal e com a maior biodiversidade do Atlântico Sul. O projeto chegou a ser apresentado mas não foi em frente.

Segundo a ONG Conservação Internacional que participou dos estudos, “o processo enfrentou a reação de setores adversos e seu segmento foi interrompido nos dois anos seguintes.”

Agora uma expedição comprova as suspeitas. A notícia nos chega através do Jornal da USP, em matéria de Herton Escobar. De acordo com Herton, “as primeiras imagens submarinas feitas no local sugerem a existência de alguns ecossistemas recifais potencialmente semelhantes aos do vizinho Banco dos Abrolhos, que abriga a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.”

Bancos de rodolitos e recifes de corais

O Royal Charlotte já era conhecido dos pescadores profissionais do sul da Bahia. E também de pescadores esportivos. Se você googar ‘Banco Royal Charlotte’ verá a quantidade de operadoras de turismo que levam pescadores esportivos à região. Ela é considerada o melhor ponto de pesca da costa baiana.

Agora sabe-se o porquê: foram descobertos bancos de rodolitos e recifes de corais. O professor Paulo Sumida, do Departamento de Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da USP que coordena o projeto, se disse ‘impressionado com o que encontramos’.

imagem de peixes em recifes do banco Royal Charlotte
A riqueza do Banco Royal Charlotte. Imagem, Coral Vivo.

O estudo feito de 2012 já confirmava que ‘o Banco dos Abrolhos abriga o maior banco contínuo de rodolitos do planeta. São 20.900 km², o que corresponde a três vezes e meia o tamanho do Distrito Federal’.

Rodolitos são estruturas calcárias, como a dos corais. Eles têm forma esférica o que lembra o formato de uma rocha. Mas na verdade não o são, e sim estruturas construídas por organismos vivos da mesma forma que os corais, que também servem como habitats de outra espécies.

Há rodolitos em vários locais da costa brasileira, inclusive entre os recém-descobertos corais na foz do Amazonas. O problema é que ambas as áreas, a foz do Amazonas e região de Abrolhos, também estão contempladas nos planos da ANP – Agência Nacional de Petróleo para a prospecção do óleo.

Por este motivo os planos de ampliação de Abrolhos não foram em frente.

Como foi feito o estudo

A ideia era uma ampla expedição, com uso de sonares e veículos submersíveis de controle remoto os chamados ROVs, para mapear e fazer imagens. Mas a pandemia interrompeu os planos mais ambiciosos. Mesmo assim, informa Herton,’três pesquisadores locais, ligados ao Projeto Coral Vivo na Bahia (Fábio Negrão, Carlos Lacerda e Thais Melo), fariam uma expedição simplificada pela região’.

Com câmeras submarinas e equipamento de mergulho, os três passaram dez dias no local fotografando 67 pontos em diferentes profundidades entre 30 e 70 metros. Segundo Herton, “os pontos de pesquisa foram selecionados com base em imagens de satélite e informações coletadas de “lagosteiros” e pescadores locais, que conhecem a região melhor do que ninguém.”

As imagens revelaram quatro tipos de ambientes como bancos de rodolitos, florestas de macroalgas (associadas a rodolitos), planícies de areia calcária e recifes de corais.

Corais do gênero Montastrea

Segundo Herton, “em um dos pontos investigados, a cerca de 30 metros de profundidade e já bem afastado da costa, os pesquisadores encontraram um recife de corais do gênero Montastrea.”

Este tipo é um recife pequeno, que abriga uma variedade grande de peixes ‘mais de 20 espécies’ segundo o autor. Os pesquisadores acreditam que este recife não esteja sozinho na região. Segundo um dos pesquisadores, ‘é muito peixe para um recife tão pequeno.”

De acordo com Miguel Mies, coordenador de pesquisas do Coral Vivo e pesquisador associado do IO-USP, o Royal Charlotte  “é uma peça importante que faltava no quebra-cabeça ecológico da costa brasileira, para conectar a biodiversidade marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, com a do restante do Nordeste, mais ao norte. Tem tudo para ser uma das áreas mais importantes para a conservação de ambientes recifais no Brasil.”

Assista ao vídeo feito na ocasião e saiba mais

Imagem de abertura: Reprodução / Projeto Coral Vivo

Fontes: https://jornal.usp.br/ciencias/cientistas-descobrem-novos-ecossistemas-recifais-na-costa-da-bahia/?fbclid=IwAR3cbYhAdD3kRrbdYSIQksHeRcunhNhvABtcybQYLpmuN2_MShZY0XVK6BY; https://domtotal.com/noticia/437538/2016/09/regiao-dos-abrolhos-abriga-o-maior-banco-de-rodolitos-do-mundo/; https://www.conservation.org/brasil/iniciativas-atuais/ampliacao-areas-protegias-abrolhos; https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/o-que-fazemos/Propostas_UCs_Banco_Abrolhos_0512_novo2.pdf.

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