Arquipélago de Bougainville pode se tornar um novo país

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Arquipélago de Bougainville, no Pacífico Sul, pode se tornar o 194º país

A imensidão do Pacífico, os ecos da mitológica viagem do capitão Cook no século 18 (Saiba mais sobre James Cook), e as imagens que nos chegam das ilhas da região, mexem com a cabeça de viajantes há tempos. Quem nunca teve curiosidade em conhecê-las? Pois agora teremos mais uma oportunidade. O arquipélago de Bougainville, hoje parte de Papua Nova Guiné, pode ser tornar o país de número 194 (A partir de matéria da National Geographic).

mapa mostra localização do Arquipélago de Bougainville

Arquipélago de Bougainville

NG: “O grupo de ilhas do Pacífico Sul de Bougainville está a caminho de se tornar o país mais novo do mundo depois que os moradores votaram esmagadoramente (98%) pela independência da Papua Nova Guiné (PNG) em um referendo histórico em dezembro de 2019. Embora o resultado não torne Bougainville automaticamente independente – ele precisa negociar termos de separação complexos com PNG primeiro – significa que poderia se tornar o 194º membro das Nações Unidas é uma perspectiva muito real.” Segundo a bloomberg.com, ‘as pessoas de Bougainville há muito reclamam diferenças étnicas e culturais com a gente de Papua Nova Guiné, e o sentimento secessionista remonta há mais de um século’.

imagem de praia em Arquipélago de Bougainville
Praia do Arquipélago de Bougainville. Imagem, National Geographic.

Uma breve história do Arquipélago de Bougainville

WP: “Bougainville, uma região autônoma da Papua Nova Guiné. É habitada por humanos há pelo menos 29.000 anos, segundo artefatos encontrados na caverna Kilu, na ilha de Buka. A região recebeu o nome de Ilha Bougainville, a maior ilha do arquipélago das Ilhas Salomão, mas também contém várias ilhas menores. Os Bougainvilleanos  são descendentes de uma mistura das duas populações, os australo-melanésiase e a cultura Lapita, as línguas austronésias e não austronésias são faladas até hoje.”

A chegada dos europeus

WP: “Em 1616, os exploradores holandeses Willem Schouten e Jacob Le Maire se tornaram os primeiros europeus a avistar as ilhas. A ilha principal recebeu o nome do almirante francês Louis Antoine de Bougainville, que a alcançou em 1768. O Império Alemão colocou Bougainville sob um protetorado em 1886. Enquanto isso, o restante das Ilhas Salomão se tornou parte do Império Britânico em 1893. Os limites entre Papua Nova Guiné e Ilhas Salomão foram estabelecidos pela Convenção Tripartida de 1899. A Força Expedicionária Naval e Militar Australiana (AN & MEF) ocupou a Nova Guiné Alemã em 1914, após o início da Primeira Guerra Mundial. Depois do fim da guerra, Bougainville e os outros territórios ocupados foram nomeados por um mandato da Liga das Nações, que a Austrália administrava como Território da Nova Guiné.”

Segunda Guerra Mundial

WP: “Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses invadiram e ocuparam Bougainville para apoiar suas operações no Pacífico. A campanha aliada subsequente para recuperar as ilhas resultou em baixas pesadas. E na eventual restauração do controle australiano em 1945.”

Guerra civil 1988-1998

WP: “Em 1949, depois de reformas administrativas do governo australiano, Bougainville foi incorporada ao território da Papua e da Nova Guiné. A mina de cobre de Panguna foi aberta em 1969 e logo se tornou uma fonte de conflito.” Segundo a Bloomberg, ‘os protestos contra a mina de cobre, de propriedade australiana, se tornaram violentos. Uma guerra civil de uma década se seguiu, que matou até 20.000 vidas”.

Não foi a primeira vez que uma desastrada extração mineral de cobre, cujos rejeitos usam o ‘sistema de eliminação de rejeitos’ (DSTP), da mina da Newmount Mining, da Indonésia, provocou conflitos na região. A Bloomberg confirma: “No centro do conflito, havia a raiva de as comunidades locais estarem absorvendo os danos ambientais e não recebendo benefícios suficientes do enorme recurso de cobre, que ficou estagnado durante os combates e permanece fechado.”

Tratado de paz e referendo

WP: “Foi alcançado um acordo de paz em 2001, pelo qual foi acordado que uma região autônoma seria estabelecida. Um referendo de independência seria realizado; o último, 2019.”

Bougainville: informe-se

NG: “Antes de sacar seu passaporte, aqui estão algumas coisas para saber sobre Bougainville. É uma região autônoma no Mar Salomão, composta de ilhas vulcânicas e atóis cerca de 1400 km ao norte de Queensland, na Austrália e 965 km a leste de Papua Nova Guiné. É bem pequeno; com 9000 quilômetros quadrados. O em breve novo país é aproximadamente a metade do tamanho de Fiji (ameaçada de ser tragada pelo mar). As duas maiores ilhas são Ilha Bougainville e Ilha Buka.” Outra fonte, o site da www.bloomberg.com/, diz que ‘o arquipélago é habitado por cerca de 250 mil pessoas’.

Barcos do Arquipélago de Bougainville.
Barcos do Arquipélago de Bougainville. Imagem, National Geographic.

“A própria cidade de Buka é a capital administrativa e a mais desenvolvida com lojas, bares, pousadas e um escritório de informações turísticas. Para os visitantes, serve principalmente como ponto de partida para a Ilha Bougainville e as empresas locais de barcos o levarão por uma pequena taxa.”

danças tribais em Bougainville
As danças tribais ainda são tradição. Imagem,Elizabeth Vuvu/AFP via Getty Images.

Potencial de se tornar meca do ecoturismo

A National Geographic confirma nossa impressão de destino predestinado, e explica: “A Ilha Bougainville é o principal atrativo em termos de beleza natural e tem o potencial de se tornar um dos principais destinos de ecoturismo, com florestas densas, lagoas cristalinas, cachoeiras, cavernas, praias e montanhas deslumbrantes. A maior parte da ilha é segura de explorar após o término da guerra civil em 1998.”

mercado tradicional de rua em Bougainville
O mercado.Imagem, National Geographic.

Observadores de pássaros

NG: “A ilha abriga lindas cidades costeiras como Tinputz, onde você pode organizar caminhadas guiadas até o Lago Namotoa Crater, a partir da casa de hóspedes principal da cidade e Wakunai, o ponto de partida para a caminhada de três dias ao Monte Balbi. Mais ao sul fica Arawa, uma região que está se tornando popular entre observadores de pássaros, caminhantes, ciclistas e mergulhadores que não querem enfrentar multidões, além de amantes da história graças às suas relíquias da Segunda Guerra Mundial.”

imagem de vulcão em Bougainville
A ‘paradisíaca’ Bougainville. Imagem, http://www.millspaughfamily.net/.

Futuro ainda incerto para moradores do Arquipélago de Bougainville

Apesar da National Geographic prever um possível futuro melhor, devido ao turismo, outra fonte, a Bloomberg, não é tão otimista:”Há uma preocupação de que muitos Bougainvilleanos, particularmente em regiões mais isoladas, suponham que uma vitória pela independência leve automaticamente e rapidamente à formação de uma nova nação. E que eles possam reagir violentamente se isso não ocorrer. Se a oposição em Port Moresby se tornar arraigada, isso poderá resultar em moradores descontentes declarando unilateralmente a independência, como tentaram mais de uma vez antes. No pior cenário, isso pode significar outra guerra.”

A independência e a mina de cobre

Ainda segundo a Bloomberg, “A independência de Bougainville poderia encorajar outras províncias remotas a  cortar laços. A instabilidade  não seria do interesse de uma região frequentemente empobrecida. Isso também comprometeria as tentativas de atrair investimentos e a ajuda estrangeira tão necessária, inclusive da China. Também pode significar que a reconstrução da mina de Panguna, um dos maiores recursos de cobre do mundo, permaneça atrasada indefinidamente.”

Fontes:https://www.lonelyplanet.com/articles/bougainville-could-be-the-worlds-newest-country; https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Bougainville; https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-11-20/why-a-part-of-papua-new-guinea-is-eyeing-independence-quicktake.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ótima reportagem, mas “o sentimento secessionista remonta a mais de um século” deve ser escrito com “há” do verbo haver por se referir a tempo passado.

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