A saga de Ernest Shackleton nos mares austrais

6
4212
views

A saga de Ernest Shackleton nos mares austrais

Todo mundo sabe: o Endurance foi encontrado no fundo do mar de Weddell, a 3 mil metros de profundidade, após apenas três semanas de busca. Mas será que conhecem a verdadeira saga de Ernest Shackleton? Sua fama nasceu quando atravessou o temido mar austral em um bote, da ilha Elefante até a Geórgia do Sul, cerca de 1280 km, em busca de socorro para sua tripulação. Nunca antes alguém fez uma travessia tão difícil — e sobreviveu. Coragem, persistência e lealdade à tripulação fizeram dele uma lenda.

Amundsen, Shackleton e Robert Peary na Royal Geographic Society
Amundsen, Shackleton e Robert Peary, The Three Polar Stars, na Royal Geographical Society.

O Endurance deixa Londres

O Endurance zarpou de Londres rumo à Argentina e, depois, à Geórgia do Sul. No comando, o capitão F. Worsley. Como imediato, o veterano Frank Wild. Shackleton sonhava alto: atravessar a pé a Antártica, passando pelo polo Sul. Seriam 2.900 quilômetros sobre o gelo. Uma jornada para entrar na história.

O Endurance deixa Londres no início da saga de Ernest Shackleton
O Endurance deixa Londres.

Um segundo navio, o Aurora, também fazia parte da expedição. Comandado por Aeneas Mackintosh, levaria um grupo de apoio até o estreito de McMurdo, no lado oposto do continente. Eles seriam responsáveis por esperar e resgatar a equipe de Shackleton. Enquanto isso, o Endurance faria a travessia pelo mar de Weddell.

Travessia da Antártica
Imagem, blog.education.nationalgeographic.org.

Revés na corrida ao polo Sul

Anos antes, a Inglaterra amargou uma derrota na corrida ao polo Sul. O norueguês Roald Amundsen chegou primeiro. Robert Scott, oficial da marinha real, perdeu — e morreu com três companheiros. Shackleton queria mudar essa história. Sonhava com a revanche britânica enquanto a Inglaterra entrava em luto profundo pela morte de seu herói.

Embora nascido na Irlanda, em Kilkea, Shackleton cresceu na Inglaterra. Aos dez anos, sua família se mudou para Sydenham, no sul de Londres. Nos estudos, não se destacava. Achava as aulas da Fir Lodge Preparatory School entediantes. Mas a inquietação do menino já apontava para outros caminhos: os mares frios do sul.

Inquietação na escola

A inquietação de Shackleton era tanta que, aos 16 anos, deixou a escola para ir ao mar. Não tinha dinheiro para estudar e se tornar cadete da Marinha Real. Restavam duas opções: um navio mercante-escola ou um aprendizado prático em um veleiro. Escolheu a terceira. Seu pai conseguiu uma vaga na North Western Shipping Company. E assim Shackleton embarcou no Hoghton Tower, um veleiro de velas quadradas.

PUBLICIDADE

Começava ali sua vida de aventuras pelos mares do mundo.

Amundsen chega ao polo Sul
Em 14 de Dezembro de 1911 Amundsen e seus companheiros vencem a corrida pelo polo Sul.

Shackleton e a experiência polar

Antes mesmo da guerra de 1914, Shackleton já era veterano da Antártica. Ele participara da Expedição Antártica Nacional Britânica 1901-04, mais conhecida como conhecida como a Expedição Discovery (nome do navio). Shackleton foi um dos três homens que fez o percurso,  puxando cinco trenós e ajudados por 19 cães, e todos comandados por Robert Scott.

Foram 93 dias de marcha com dificuldades tenebrosas quando percorreram 1536 km em direção ao polo Sul. Mas, apesar disso, tiveram que retornar antes de atingir sua meta, com Shackleton carregado por um dos trenós sofrendo de escorbuto. Estavam a 156 km do objetivo.

Contudo, ele se recuperou e, entre 1907 e 1909, liderou sua própria expedição a bordo do Nimrod. Chegou mais perto do polo Sul do que qualquer outro até então e, do ponto de vista científico, a expedição encontrou carvão provando que um dia o clima era outro naquela região. Mas a corrida ao polo terminou com vitória dos noruegueses. A Inglaterra perdeu prestígio. Shackleton queria recuperá-lo. Para ele, a honra do Império estava em jogo.

Expedição Nimrod
Expedição Nimrod.

A glória em jogo, e a experiência do ‘Boss’

A glória da Inglaterra e a experiência de Shackleton — o “Boss”, como era chamado pela tripulação — convenceram muitos a apoiar financeiramente a Expedição Transantártica Imperial. O nome, pomposo, refletia a confiança no sucesso.

Shackleton sabia dos riscos. Mas também sabia porque partia:

Escolhi a vida, para mim e meus amigos… Acredito que é da nossa natureza explorar, buscar o desconhecido. O único fracasso verdadeiro seria não tentar

Doações para a Expedição Transantártica Imperial

O governo britânico deu 10 mil libras — cerca de 680 mil em valores de 2008. O país estava em luto pela morte de Robert Scott, e ressabiado com exploração polares depois do fracasso da Expedição Franklin, na busca pela Passagem do Noroeste. Mas 10 mil libras não bastavam. Com sua fama, Shackleton saiu em busca de mais apoio. E conseguiu.

PUBLICIDADE

Sir James Caird (nome do bote com que realizou a travessia), milionário escocês, doou 24 mil libras. O industrial Frank Dudley Docker deu outras 10 mil. Janet Stancomb-Wills, herdeira de uma fortuna do tabaco, contribuiu com um valor não revelado, mas generoso. Seus nomes, como o de Caird, entrariam para a história.

cartaz de palestra de Shackleton em Londres.
Ele dava palestras para chamar a atenção e conseguir doações. Imagem, Wikipedia.

‘Buscam-se homens para viagem perigosa’

Em 1914, Shackleton publicou um anúncio direto nos jornais de Londres:
‘Buscam-se homens para viagem perigosa. Salários baixos. Frio extremo. Longos meses de escuridão total. Perigo constante. Retorno ileso duvidoso. Honras e reconhecimento em caso de sucesso’.

O texto, seco e honesto, atraiu milhares. Era o espírito da época — e da aventura que estava por vir.

Anúncio de jornal em que Shackleton busco homens para a viagem do Endurance
Imagem, https://www.razaoautomovel.com/.

Mais de cinco mil inscritos

A resposta foi imediata. Mais de 5.000 homens se candidataram após o anúncio nos jornais. Shackleton escolheu a dedo cada membro da tripulação. Queria gente resistente, leal e adaptável.

Mas então veio um baque: em 3 de agosto de 1914, véspera da partida, a Primeira Guerra Mundial começou. O futuro da expedição era incerto.

Ordem para partir apesar da Guerra de 14

Ninguém imaginava que a Primeira Guerra Mundial duraria tanto. Achava-se que acabaria em poucos meses. E o Império Britânico não queria abrir mão de uma nova conquista de prestígio.

Assim, em 3 de agosto de 1914, o Endurance recebeu ordem para partir. A autorização veio de Winston Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado.

PUBLICIDADE

cartaz de 1914: Guerra na Europa

Começava assim a saga de Ernest Shackleton nos mares austrais.

A caminho da Geórgia do Sul, próspera estação baleeira

O Endurance seguiu rumo à Geórgia do Sul. Na época, a ilha era uma próspera base baleeira. Lá, o navio foi reabastecido e a tripulação descansou. Por falar nisso, baleeiros e foqueiros foram protagonistas de muitas descobertas de ilhas antárticas e subantárticas.

Sir Ernest tinha respeito por estes excepcionais navegadores como disse em seu livro South. Antes de sair da Geórgia do Sul ele os consultou sobre as condições daquela temporada.

Os capitães de baleeiros da Geórgia do Sul, generosamente partilharam comigo o seu conhecimento acerca das águas em que desempenhavam o seu ofício embora confirmando as anteriores informações quanto à extrema severidade das condições de gelo neste setor da Antártica, puderam dar-me conselhos merecedores de atenção

No dia 5 de dezembro, Shackleton rumou em direção à baía de Vahsel, no mar de Weddell. Mas quanto mais avançavam rumo ao sul, mais gelo surgia no caminho. O progresso do barco ficou cada vez mais lento.

Sinistros sinais do gelo pelo caminho

Ignorando os sinistros sinais do gelo, ao entrarem no mar de Weddell perceberam condições críticas até que, a 19 de Janeiro de 1915, o Endurance ficou preso num banco de gelo. A expedição fora temporariamente interrompida. Medidas foram tomadas, como abrir o caminho a partir de picaretas.

PUBLICIDADE

E tudo isso com suprimentos cada vez menores. Segundo Ranulph Fiennes, autor de Shackleton – O Home Que Liderou o Endurance Na Arriscada Expedição À Antártica (Cia. Das Letras), ‘restavam apenas 67 toneladas de carvão, suficientes para 33 dias de viagem’.

Durante o período de quatro meses presos  na banquisa polar, o navio tinha desviado da rota mais de mil quilômetros. Assim, em 27 de outubro, nove meses depois ficarem presos, Shackleton deu a ordem para abandonarem o navio que estava sendo esmagado pelo gelo. Segundo Ranulph Fiennes ‘os 28 homens estavam sozinhos no mundo’.

Avanço desgastante e quase nenhum progresso

Sem alternativas, puseram-se em marcha.  Cada milha exigia esforço extremo. O gelo fechava em torno do Endurance. Muito trabalho, pouca recompensa. Quase não havia progresso.

Em fevereiro, tudo piorou. O inverno antártico se aproximava rápido. O frio apertava. O mar congelava. Mas Shackleton não desistiu. Seguiu em frente, firme no comando.

Dois invernos seguidos na Antártica

Shackleton avaliou a situação. Conferiu as provisões. E decidiu esperar. Apostava que o gelo se soltaria com a chegada da primavera.

Lembrou do precedente: em 1898, o belga Adrien de Gerlache passou o inverno preso no gelo com a Expedição Bélgica. Quando o clima esquentou, o navio se libertou e Gerlache e seus homens voltaram para casa.

Shackleton esperava repetir a sorte. Mas o destino tinha outros planos.

PUBLICIDADE

equipe de Shackleton
‘Os escolhidos’ quando o Endurance ficou preso. imagem, Frank Hurley.

A nova rotina de bordo

Manter o moral era vital. Shackleton sabia disso. Rapidamente, impôs uma rotina para enfrentar o inverno.

O Endurance virou abrigo. A tripulação se ocupava com tarefas diárias: caçar focas e pinguins, manter o navio limpo, cuidar dos cães de trenó. Também havia tempo para jogos na neve, partidas de futebol, leituras, estudos de fauna e meteorologia.

Disciplina, movimento e humor — a receita de Shackleton para manter todos sãos no coração do gelo.

Acampamento Paciência na banquisa de gelo
O acampamento ‘Paciência’ na banquisa de gelo, antes do início da marcha. Imagem, Frank Hurley.

Ocupação era o que não faltava. Ninguém sentiria tédio.

Começava a saga de Ernest Shackleton

Tudo seguia como planejado — até 24 de outubro. A água começou a invadir o porão. O gelo esmagava lentamente o casco do Endurance.

Dias depois, na posição 69° 5′ S, 51° 30′ W, Shackleton deu a ordem:

Abandonem o navio!

PUBLICIDADE

O Endurance preso no gelo.
O Endurance preso no gelo.


Homens, provisões e equipamentos foram levados para acampamentos sobre o gelo.

Em 21 de novembro de 1915, o Endurance afundou. A embarcação desapareceu sob as águas geladas do mar de Weddell.

A partir dali, começava de fato a maior epopeia de sobrevivência da história polar.

Este curto vídeo, da BBC, mostra as imagens finais do Endurance com imagens originais de Frank Hurley, o fotógrafo e cinegrafista da expedição

Dois meses à deriva numa placa de gelo

Entre os itens salvos estavam os botes do Endurance. Um deles levava o nome de um dos maiores doadores: James Caird.

Endurance esmagado
O Endurance esmagado pelo gelo.

Por quase dois meses, Shackleton e seus homens viveram sobre uma placa de gelo à deriva. A esperança era que a banquisa os levasse até a ilha Paulet, a 400 km dali, onde haveria um depósito de provisões.

Mas os ventos e as correntes jogavam contra. Sem progresso e sem escolha, Shackleton decidiu: era hora de mudar de placa de gelo.

PUBLICIDADE

Ernest Shackleton
Uma lenda viva.

Em meados de março, o acampamento estava a apenas 97 km da ilha Paulet. Mas havia uma barreira de gelo no caminho. Intransponível. Não dava para seguir. Mesmo assim, Shackleton manteve a calma. E, mais uma vez, cuidou do moral da tropa.

Então, no dia 9 de abril, a placa de gelo se partiu em duas. Não havia mais segurança para permanecer ali. Era hora de agir.

Shackleton ordenou que todos embarcassem nos botes salva-vidas. O destino: a terra mais próxima.

Mais de 490 dias serpenteando entre placas de gelo

Foram cinco dias duríssimos no mar. Homens exaustos, molhados, famintos. Navegavam entre placas de gelo, sob frio extremo e mar agitado.

Por fim, conseguiram. Desembarcaram na ilha Elefant, a mais isolada das Shetland do Sul. Estavam a 557 km do ponto onde o Endurance afundou.

Tinham passado mais de 490 dias à mercê do gelo. Agora, pela primeira vez, pisavam em terra firme.

a saga de Ernest Shackleton e seus companheiro em marcha pelo gelo
Shackleton e seus companheiro em marcha pelo gelo. magem, Frank Hurley.

A preocupação de Shackleton era tal que deu as suas luvas ao fotógrafo Frank Hurley, que as tinha perdido durante a viagem de barco; acabou por sofrer queimaduras provocadas pelo gelo nos seus dedos.

PUBLICIDADE

Puxando o trenó

Ilha Elephant, a mais erma da região

Após alguns dias de descanso, sem remos nem tormenta, a realidade se impôs: a situação era grave. A ilha Elefant era o fim do mundo. Nenhum navio passava por ali.

Só focas, leões-marinhos, pinguins e elefantes-marinhos habitavam aquelas praias desertas. Isolamento total. Shackleton sabia que ninguém viria resgatá-los.

Estreito de Drake, uma travessia épica

Sem jamais aceitar a derrota antes de esgotar todas as possibilidades, Ernest Shackleton toma a decisão mais ousada da expedição: enfrentar o Estreito de Drake, considerado o trecho de mar mais perigoso do planeta.

A bordo do pequeno barco salva-vidas James Caird, adaptado às pressas pelo carpinteiro McNish, Shackleton parte com mais cinco homens rumo à Geórgia do Sul. Seriam mais de 1.300 quilômetros de mar revolto, ventos violentos, ondas de até 20 metros, frio cortante, e nenhuma margem para erro. Era a última chance de buscar socorro — ou morrer tentando.

partida do James Caird da Ilha Elephant comecava a saga de Ernest Shackleton
A partida do James Caird em Abril de 1916. Imagem, Domínio Público.

Restava escolher quem faria parte da difícil travessia. Shackleton analisou as habilidades e o caráter de cada um de seus companheiros. Eles estavam juntos há muitos meses sob difíceis condições. Ele sabia com quem poderia contar. A escolha não foi tão difícil.

A despedida do James Caird
A despedida do James Caird na Ilha Elephant.

Frank Worsley, capitão do Endurance, faria navegação com o sextante; Tom Crean, que “implorou para ir “; dois marinheiros casca grossa, John Vincent e Timothy McCarthy; e o carpinteiro McNish. O James Caird foi abastecido para quatro semanas.

PUBLICIDADE

A partida do James Caird da ilha Elephant para a Geórgia do Sul distante 720 milhas

O James Caird partiu da ilha Elephant em 24 de abril de 1916. A missão: cruzar 720 milhas náuticas — quase 1.300 quilômetros — até a longínqua Geórgia do Sul. Nas duas semanas seguintes, os seis homens enfrentaram o pior que o mar pode oferecer. Tempestades implacáveis, ondas do tamanho de prédios, ventos cortantes, borrifos congelantes.

Molhados quase o tempo todo, tremendo de frio até nas poucas horas de descanso, seguiram adiante. Exaustos, famintos, em um barco improvisado e superlotado, eram guiados apenas por um sextante, coragem e pura obstinação. Estavam em um dos lugares mais inóspitos da Terra. E mesmo assim, continuavam.

mapa mundi mostra ilha Geórgia do Sul
A Geórgia do Sul assinalada no mapa.

Vendavais obrigam a um desvio de rota

Vendavais vindos do sudoeste obrigaram a tripulação a desviar da rota. Em vez da costa leste, habitada, foram empurrados para o lado mais selvagem e desabitado da Geórgia do Sul.

O James Caird era agora um pequeno ponto em meio ao caos do mar, sacudido sem piedade. Mas então surgiram sinais de esperança: flutuando nas águas, algas marinhas. No céu cinzento, corvos marinhos em voo.

A mensagem era clara: terra à vista.

Pouco depois do meio-dia, os contornos gelados e montanhosos da Geórgia do Sul finalmente apareceram no horizonte. Haviam conseguido. Ou quase.

Ilustração da travessia do James Caird, a saga de Ernest Shackleton
Ilustração da travessia do James Caird.

No dia 8 de maio, depois de duas semanas em alto-mar, a Geórgia do Sul estava ali — bem diante deles. Graças à impressionante precisão de Frank Worsley, haviam chegado perto da costa.

PUBLICIDADE

O pesadelo ainda não havia terminado

Ilustração mostra chegada de Shackleton na Geórgia do Sul na saga de Ernest Shackleton
Ilustração mostra chegada de Shackleton na Geórgia do Sul.

Ventos com força de furacão varriam o mar. As rajadas empurravam o James Caird contra as rochas. A cada minuto, a situação piorava. O pequeno barco balançava violentamente, prestes a ser esmagado.

Não podiam desembarcar. Não podiam recuar. Apenas resistir. Depois de horas angustiantes lutando contra o vendaval, Shackleton avistou uma estreita enseada na costa sudoeste da ilha. Era King Haakon Bay.

Mapa da ilha Geórgia do Sul
A Baía Rei Haakan marcada em vermelho. Shackleton escalou e marchou pelo gelo até chegar em Stromness.

Encalhando na Geórgia do Sul

Com habilidade e nervos de aço, Worsley manobrou o James Caird pelas águas revoltas até encontrar abrigo. A pequena embarcação, já no limite, resistiu ao impacto das ondas e finalmente encalhou em segurança.

Eles haviam tocado terra firme — pela primeira vez desde que deixaram a ilha Elephant, 16 dias antes.

Exaustos, molhados e famintos, os seis homens cambalearam até a margem rochosa. Haviam vencido o mar mais temido do planeta em um bote improvisado. Mas ainda estavam do lado errado da ilha. A estação baleeira, e a chance de resgate, ficava do outro lado — a mais de 30 quilômetros, separados por montanhas cobertas de neve e glaciares inexplorados.

E Shackleton sabia: era hora de seguir em frente.

Enfim, a Geórgia do Sul, 17 meses depois que o Endurance afundou

Encontrar aquela pequena ilha, perdida a centenas de milhas de distância, foi um feito tão extraordinário quanto cruzar o Estreito de Drake numa casquinha de noz.

PUBLICIDADE

Os homens estavam exaustos. Precisavam descansar, comer, se recuperar.

Enquanto isso, Shackleton já refletia sobre o próximo passo: como alcançar a estação baleeira, em Stromness, do lado oposto.

Montanhas na ilha Geórgia do Sul onde se deu a saga de Ernest Shackleton
Topografia da ilha Geórgia do Sul, e o trajeto que tiveram que atravessar sem roupas adequadas, barracas ou equipamentos. Imagem, www.pbs.org.

Diante da decisão entre contornar a ilha de barco ou atravessá-la a pé por geleiras inexploradas, Shackleton optou pela travessia por terra — um feito até então inédito. Como nem todos tinham condições físicas para o esforço, apenas os mais fortes seguiram: Frank Worsley e Tom Crean. Os outros três permaneceram na enseada, abrigados sob o casco do James Caird, puxado para terra, à espera do retorno do “Boss”.

Shackleton mal sabia que o que o esperava…

À sua frente, erguia-se um paredão de gelo colossal — íngreme, escorregadio, quase intransponível. Para alcançar a estação baleeira na costa norte da Geórgia do Sul, Shackleton, Frank Worsley e Tom Crean teriam que atravessar montanhas e geleiras jamais vencidas por alguém.

E fariam isso sem mapa, sem barracas, sem saco de dormir. Apenas com coragem, um enxó e 15 metros de corda.

Grytviken, e a estação baleeira em1914. Imagem, Domínio Público.

Na manhã de 19 de maio, Shackleton, Worsley e Crean partiram rumo ao interior da Geórgia do Sul. O destino: Stromness.

Antes de sair, Shackleton deixou uma carta com Chippy McNish, o carpinteiro da expedição, que permaneceria em Peggotty Camp com Vincent e McCarthy. Era uma mensagem simples, mas carregada de gravidade — e esperança.

PUBLICIDADE

A travessia começava. Três homens contra um território desconhecido.

A carta de Shackleton antes da escalada na Geórgia do Sul

18 de maio de 1916
Geórgia do Sul

Senhor

Estou prestes a tentar chegar a Husvik na costa leste desta ilha para aliviar nosso grupo. Estou deixando você no comando do grupo composto por Vincent, e McCarthy, onde permanecerão aqui até que o socorro chegue.

Você tem um amplo alimento com as focas, que pode complementar com pássaros e peixes, de acordo com sua habilidade. E ainda vai ficar com uma arma de cano duplo, 50 cartuchos – 40 a 50 rações de trenó Bovril, 25 a 30 biscoitos: 40 Streimer Nutfood.

Aqui fica todo o equipamento necessário para suportar a vida por tempo indeterminado em caso de meu não retorno. É melhor, depois que o inverno acabar, você navegar até a costa [norte]. O curso que estou fazendo em direção a Husvik é magnético.

Em seguida partiram.

PUBLICIDADE

Em vez de equipamentos de alpinismo, levaram alguns pedaços de cabos e um enxó

Sem crampons, cordas ou piquetas. Em vez de equipamentos de alpinismo, levaram apenas alguns pedaços de cabos do James Caird e, no lugar da tradicional piqueta, um enxó de carpinteiro improvisado.

Ao amanhecer, já no alto das montanhas, avistaram ao longe o brilho de um lago. Por um instante, pensaram estar próximos do destino. Mas logo veio a frustração: o mapa era impreciso. O que viam era Possession Bay. Haviam cortado a costa cedo demais. Estavam no lugar errado.

E tudo teria que começar de novo

Geleiras e precipícios no trajeto

O litoral norte era traiçoeiro. Geleiras instáveis e precipícios abruptos tornavam impossível seguir a pé pela costa. Sem opção, os três homens recuaram, contrariados, rumo ao interior da ilha, avançando mais para sudeste.

No topo de mais uma montanha, não havia alternativas fáceis. A descida era arriscada, mas inevitável. Precisavam alcançar o fundo do vale antes do anoitecer.

A neblina começava a descer. A temperatura caía depressa. Se ficassem expostos naquela altitude durante a noite, estariam condenados.

Era agora ou nunca.

PUBLICIDADE

Sairiam do precipício e deslizariam para baixo

Tentaram primeiro cortar degraus no gelo. Um a um. Lentamente. Mas Shackleton logo viu que era inútil — perderiam tempo precioso, e a noite se aproximava rápido.

Foi então que sugeriu o impensável: sair do precipício e deslizar montanha abaixo.

Sem trenó, sem guia, sem garantias. Apenas uma corda enrolada, colocada sob os corpos como improviso.

Lançaram-se encosta abaixo. A alta velocidade. O silêncio quebrado apenas pelo som do gelo. Tinham receio de despencar em uma fenda, ou se espatifar contra alguma rocha.

Mas, por milagre, “pousaram” em um banco de neve.

Tinham descido cerca de mil metros em dois ou três minutos. E, mais importante: haviam escapado da morte certa no topo gelado da montanha.

Estavam vivos. Ainda.

PUBLICIDADE

Exaustos e próximos do fim

Após o perigoso “trenó” improvisado, Shackleton, Worsley e Crean estavam física e emocionalmente esgotados, mas ainda longe de Stromness. A navegação pelo terreno desconhecido seguiu quase por intuição.

Horas depois, ao amanhecer, avistaram a Baía de Fortuna — sinal de que estavam próximos da estação. Apertaram as mãos em silêncio, aliviados.

Enquanto preparavam o café, ouviram ao longe o som de um apito. Às 7h em ponto, ele soou novamente — o primeiro som humano em mais de um ano.

Em silêncio, iniciaram a descida rumo à salvação. Mas a encosta escolhida era íngreme demais, e mais uma vez tiveram que cortar degraus no gelo para seguir.

Chegada a Stromness

Ao se aproximarem da estação baleeira, Shackleton, Worsley e Crean tentaram se arrumar minimamente, conscientes da aparência selvagem após tantos meses. Mesmo assim, assustaram dois jovens ao chegarem, e o próprio gerente da estação, antigo conhecido, não os reconheceu de imediato.

Após relatarem sua incrível jornada, finalmente tomaram banho — algo que, segundo Worsley, já justificava tudo que haviam enfrentado. No dia seguinte, resgataram os três companheiros que ficaram com o James Caird. Agora, faltavam os homens em na ilha Elephant.

Reinhold Messner, refaz o trajeto de Shackleton

Anos depois da lendária travessia, o montanhista Reinhold Messner — primeiro a escalar os 14 picos mais altos do mundo e a atingir o cume do Everest sem oxigênio suplementar — refaz o trajeto de Shackleton na Geórgia do Sul. Em um documentário, Messner recria a travessia para demonstrar a extrema dificuldade enfrentada pelo explorador e seus dois companheiros.

PUBLICIDADE

alpinistas refazem a saga de Ernest Shackleton na Geórgia do Sul
Alpinistas modernos refazem a rota de Ernest Shackleton na Geórgia do Sul. Imagem,

Depois de seguir a rota, Messner garantiu que o feito de Shackleton, sem experiência prévia ou equipamentos e ainda com roupas velhas, úmidas, pés e mãos quase desprotegidos e pouca comida, foi absolutamente extraordinário.

Acompanhe um grupo de alpinistas que repetiu o trajeto de Shackleton na Geórgia do Sul

A ‘caminhada’ de Shackleton e seus dois companheiros não foi nada fácil. Entre outras, tiveram que atravessar glaciares que mais pareciam pirâmides de gelo cercadas por fendas profundas.

Glaciar na Geórgia do Sul
Shackleton, Frank Worsley, e Tom Cream, atravessaram glaciares como este. Imagem, https://www.pbs.org.

Tentativas frustradas e apoio 

Dezoito meses depois de partirem da ilha Geórgia do Sul, estavam de volta. Depois de um banho quente, muita comida e algum descanso, Shackleton iniciou as tentativas para resgatar seus homens na ilha Elephant.

A primeira foi a bordo do Southern Sky que não conseguiu se aproximar da ilha Elephant a mais de 120 quilômetros em razão do congelamento do mar. Em vez de retornar à Geórgia do Sul, Shackleton decidiu que haveria mais chances em Port Stanley, nas Malvinas, cerca de 800 km ao norte, onde chegou em 31 de maio de 1916.

Mas, desapontado, descobriu que não havia navios disponíveis. Porém, com a ajuda do Ministério do Exterior, arranjaram um barco em Montevideu, o Instituo de Pesca Nº 1, uma traineira a vapor, que navegou seu encontro. Assim, em 16 de junho partiram mais uma vez para o resgate de seus homens em nova tentativa que também falhou. O comandante do navio fez meia volta quando estavam a 32 km do destino.

PUBLICIDADE

Em Punta Arenas, Chile

Sem alternativa, Shackleton, Worsley e Crean seguiram para Punta Arenas, no Chile, em busca de apoio. Lá, foram acolhidos com hospitalidade no palacete de Sara Brown, uma senhora rica e influente da região — ponto de partida para a próxima tentativa de resgate.

Shackleton aproveitou para fazer palestras para a comunidade inglesa com a intenção de conseguir apoio. E teve sucesso. Um fundo foi aberto e nele depositaram mais de 2 mil libras esterlinas, segundo relata Ranulph Fiennes.

Shackleton Bar em Punta Arenas.
Shackleton Bar, Hotel José Nogueira, Punta Arenas. Acervo MSF.

O Mar Sem Fim esteve no palacete de Sara Brown, onde hoje funciona o Hotel José Nogueira, em Punta Arenas. Ali, existe um charmoso bar em estilo inglês batizado Shackleton Bar.

Suas paredes são forradas com aquarelas belíssimas que retratam cada etapa da saga de Ernest Shackleton — do aprisionamento do Endurance ao reencontro no Palácio Sara Brown.

Sentei ali por um tempo. E tomei um par de gim tônicas em sua homenagem apesar dele preferir uísque.

Conheça o Shackleton Bar

A bordo da escuna de carvalho de 70 tonelada, Emma

Pouco depois, Shackleton, Worsley e Crean deixaram Punta Arenas a bordo da escuna de carvalho de 70 tonelada, Emma. Mais uma vez, faltando 160 km para chegar, o motor auxiliar quebrou enquanto o navio já havia sofrido danos severos no gelo. O grupo foi obrigado a retornar. Foram três tentativas, todas em vão.

PUBLICIDADE

Segundo o autor Ranulph Fiennes, ‘Shackleton afundava na tristeza e consumia cada vez mais garrafas de uísque até que Crean pediu que moderasse na bebida’.

Nosso herói saiu desesperado a procura de outro barco até encontrar o Yelcho, ‘um dos poucos navios talvez disponíveis, mas a embarcação era claramente inadequada. Um trambolho enferrujado, com um motor e uma caldeira suspeitos’…

Yelcho comandado por Luis Prado, de 34 anos, da Marinha do Chile

Mesmo assim, em agosto de 1916, após várias tentativas frustradas, finalmente conseguiram retornar à ilha Elephant com o Yelcho comandado por Luis Prado, de 34 anos, da Marinha do Chile.

No convés do Yelcho, sob comando chileno, o “Boss” reencontrou os 22 homens que havia deixado para trás. Todos estavam vivos. Nenhuma baixa. Era quase o fim de uma das maiores sagas de sobrevivência da história.

Mas isso não foi o fim da viagem de Shackleton que ainda teve que resgatar o Aurora, o segundo navio usado na malfadada expedição.

O resgate do Aurora

No entreato, Shackleton descobriu que o Aurora estava preso no gelo próximo ao estreito de McMurdo, para onde tinha navegado. Foi outra longa saga, aqui brevemente pincelada.

Para começar, ao saber do Aurora, Shackleton e Worsley seguiram para o Panamá de onde pegaram um navio para a Nova Zelândia. Lá chegando, Shackleton descobriu que o custo de um resgate seria de 20 mil libras esterlinas, ou 850 mil hoje, e por estarem custeando as despesas as autoridades da Nova Zelândia não o queriam no comando.

PUBLICIDADE

Apesar de contrariado, Shackleton teve que aceitar. Em 20 de dezembro ele, Worsley, e mais 25 homens embarcaram em Wellington. Shackleton, aos 42 aos estava com a saúde profundamente abalada pelos excessos na bebida e pelos suplícios pelos quais passara em suas viagens anteriores.

10 de janeiro, cabo Royds

Segundo Ranulph Fiennes, perto do cabo Ryods Shackleton avistou a cabana de Robert Scott que ele mesmo usara em sua viagem do Nimrod oito anos antes e que agora servia de abrigo ao grupo do Aurora que fora abandonado  no mar de Ross.

Mas, em vez dos homens, encontrou um bilhete com instruções da tripulação que lá deveria estar. A história deste resgate é longa e nosso espaço está no fim. O que importa é que, apesar da morte de três homens do Aurora, Shackleton conseguiu resgatar o resto da tripulação.

Shackleton a bordo do Quest fez escala no Rio de Janeiro

Entre a segunda e a terceira expedição, a do Quest, comandada por Ernest Shackleton, o explorador concluiu mais um livro. Nele, relatou sua própria saga.

A obra recebeu o título South. Shackleton escreveu o livro em colaboração com Edward Saunders. Os direitos autorais ficaram com Sir Robert Lucas-Tooth. Ele exigiu a cessão como garantia de um empréstimo de cinco mil libras esterlinas destinado à expedição.

Segundo o Ranulph Fiennes, o livro saiu em 1919. Desde então, nunca deixou de ganhar novas edições.

Em seguida, em vez de voltar para casa, Ernest Shackleton seguiu para os Estados Unidos. Ele estava à beira da falência mais uma vez. Esperava ganhar algum dinheiro com palestras.

PUBLICIDADE

Só depois retornou à Inglaterra. A permanência durou pouco. Segundo Ranulph Fiennes, Shackleton “ficou felicíssimo de rever todos”. A alegria foi maior ao reencontrar os filhos. Raymond tinha doze anos. Cecily, dez. Edward, cinco. As crianças guardavam poucas lembranças do pai em casa.

Desesperado por mais ação, e em plena Primeira Guerra Mundial, Ernest Shackleton concebeu um novo plano. O governo britânico aprovou a proposta.

Shackleton seguiu para a América do Sul. Queria convencer Chile e Argentina, então neutros no conflito, a apoiar os Aliados. Em 1918, ele já estava de volta. Segundo os relatos, a missão teve impacto mínimo na América do Sul.

Ártico ou Antártica de novo?

Ranulph Fiennes conta que no início de 1918 surgiu uma nova oportunidade potencial no Círculo Polar Ártico. Uma empresa o queria na procura de ouro e outros minerais. Shackleton  partiu em meados de julho e chegou até o porto norueguês de Tromso onde, de acordo com Ranulph Fiennes, o aguardava uma mensagem do Ministério da Guerra ordenando sua volta.

Em seguida, como a Rússia estava em guerra civil ameaçando interesses ingleses, Shackleton foi enviado em 22 de junho de 1918 para proteger portos estratégicos como Murmansk e Archangel. Contudo, duas semanas depois de sua chagada acabou a Primeira Guerra Mundial e Shackleton se viu desempregado outra vez. Seu objetivo passou a ser chegar ao Polo Norte para explorar áreas virgens do Ártico. Contudo, o governo do Canadá não aprovou o projeto.

Um encontro promissor com John Quiller Rowett

Já sem esperanças de uma nova viagem, Shackleton teve um encontro promissor com John Quiller Rowett, amigo dos tempos da escola e agora milionário, que se prontificou a pagar a conta, colocando 70 mil libras esterlinas à disposição. Foi assim que, mais uma vez, ele foi para a a Noruega onde comprou um navio de quatro anos de idade chamado FOCA I, rebatizando-o com o nome de Quest.

Desse modo começou sua derradeira viagem ao Sul onde pretendia circum-navegar a Antártica. Em 17 de dezembro o navio estava pronto para zarpar. Logo nas primeira milhas, diz Ranulph Fiennes, ficou claro que ele tinha comprado mais um navio inadequado. Reparos urgentes foram feitos em Lisboa e, novamente, na ilha da Madeira. Entre outros problemas, ‘o Quest tinha sua caldeira rachada, o motor trepidando e o navio afundando tanto na água que os conveses viviam encharcados’.

PUBLICIDADE

‘O navio lutou muito para chegar no Rio de Janeiro’

Segundo Ranulph Fiennes, mesmo com os reparos o navio lutou muito para chegar no Rio de Janeiro onde foi obrigado a ficar mais de um mês para novos reparos. Com a saúde muito abalada, e de volta à bebida, em 17 de dezembro ele sentiu dificuldade em respirar. Macklin correu em seu auxílio temendo que sofresse um ataque cardíaco. No dia seguinte zarpou para a Geórgia do Sul. ‘Ele já não era o mesmo homem. Macklin notou também que ele tomava champanhe de manhã na esperança de prevenir ataques de angina’.

Em 4 de janeiro Shackleton desceu em terra firme onde visitou os amigos da expedição do Endurance. Naquela noite de 4 para 5 de janeiro de 1922, ele foi dormir feliz e em paz, pronto para a tarefa que tinha pela frente. No entanto, às duas da manhã acordou com dores nas costas. Examinado por Macklin, foi instruído a tomar três aspirinas e ir com calma. Claramente havia exagerado no esforço e bebido demais.

Quando Macklin voltou uma hora depois, por mais que tentasse, não conseguiu acordar o homem que todos conheciam como Boss…Acabava a Era Heróica da Conquista Antártica. Shackleton morreu aos 47 anos de insuficiência cardíaca.

O Palácio Sara Brown, atual Hotel José Nogueira

Palácio Sara Brown, Punta Arenas
O Palácio Sara Brown, Punta Arenas, Chile, onde Shackleton conseguiu ajuda. Acervo MSF.

O James Caird em um museu de Londres

O James Caird em um museu em Londres
O James Caird em museu de Londres. Até hoje é difícil acreditar numa jornada de Elephant até a Geórgia do Sul num barquinho como este.

Este fantástico filme, com imagens antigas e outras refeitas, mostra a saga de Ernest Shackleton nos mares austrais 

Imagem de abertura: IIustração da travessia épica do James Caird.

Fontes: https://www.pbs.org/wgbh/nova/shackletonexped/dispatches/20000413.html; https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60721784; https://nzaht.org/encourage/inspiring-explorers/crossing-south-georgia/#:~:text=In%20May%201916%2C%20Sir%20Ernest,of%20survival%20of%20all%20time; Shackleton – O Home Que Liderou o Endurance Na Arriscada Expedição À Antártica, de Ranulph Fiennes, Cia Das Letras; https://www.spri.cam.ac.uk/centenary. Sul – A Expedição Mais Perigosa do Mundo, Alma Livros.

Cavalos-marinhos na orla do Rio de Janeiro, boa novidade

Comentários

6 COMENTÁRIOS

  1. FANTÁSTICO!!! Eu li há muitos anos o livro “Endurance” sobre essa odisséia, e é ótimo relembrá-la hoje, com os recursos da multimídia e o google maps….que heróis, impressionante!

    Obrigado pelo artigo, muito bacana mesmo!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here