Diário da expedição de Robert Scott achado na Antártica

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Diário da expedição de Robert Scott encontrado na Antártica

George Levick foi um dos homens do grupo de Robert Scott que participou da  Expedição Terra Nova (1910–13) à Antártica. Agora temos novidades: mais um diário da expedição de Robert Scott foi encontrado. Levick foi pioneiro no estudo de pinguins e foi a primeira pessoa a permanecer por uma temporada inteira de reprodução com um colônia em Cape Adare.

imagem de Robert Scott em sua cabana na Antártica
Robert Scott em sua cabana na Antártica, pouco antes do início da marcha que o levaria à morte.

Expedição Terra Nova

Foi um dos maiores fracassos dos ingleses em todos os tempos. Aconteceu uma disputa entre ingleses e noruegueses para saber quem seria o primeiro a por os pés no polo sul geográfico. Robert Scott comandou um grupo de cinco homens na marcha ao polo Sul. Lá chegando, teve o desgosto de ver a bandeira da Noruega, fincada por Roald Amundsen pouco antes. Amundsen também deixou uma carta para Scott. Na tenebrosa marcha de volta ao litoral, Scott e seus homens morreram de frio e fome.

O navio da expedição

Era uma baleeira de madeira, de nome Terra Nova. Como se sabe, os baleeiros tiveram grande papel na descoberta das ilhas periféricas da Antártica. A bordo, além dos membros em sua expedição, Scott levava cavalos, na verdade pôneis da Manchúria, que acreditava seriam úteis na marcha ao polo Sul. Na verdade, não foram. Amundsen, ao contrário, levou cachorros para puxarem seus trenós.

imagem do navio terra Nova, de Robert Scott.
Uma das fotos de Ponting mostra cães de trenó alojados no convés da baleeira de madeira Terra Nova durante sua viagem à Antártica em 1910. Imagem, National Geographic.

Diário da expedição de Robert Scott escrito por George Levick

Encontrado diário de um dos expedicionários da equipe do explorador Robert Scott.  O livro ficou sob o gelo por mais de 100 anos. As informações são de uma instituição neozelandesa.

imagem de membros da expedição Terra Nova costurando agasalhos
Os membros da expedição se aquecem na cabana. National Geographic.

O expedicionário, identificado como George Murray Levick, era também pesquisador. Suas anotações  foram encontradas nas proximidades da base Terra Nova, estabelecida por Scott em 1911, durante o degelo de verão.

Diário da expedição Terra Nova permanece legível

Após um século enterrado, o diário de Levick sofreu danos, mas ainda permanece legível. Foi o que garantiu o diretor da fundação neozelandesa Antarctic Heritage, Nigel Watson.

imagem do diário da expedição Terra Nova, de George Levick
O diário da expedição Terra Nova, de George Levick.

É um achado incrível. O diário é uma parte do registro oficial da expedição. Estamos encantados em encontrar ainda novos objetos após sete anos tentando conservar o último prédio e a coleção da expedição de Scott

As páginas do diário foram enviadas à Nova Zelândia para tratamento e nova encadernação. Segundo o site https://www.smithsonianmag.com/,  “Retirados do gelo como um monte de papel encharcado, os conservacionistas agora foram capazes de reconstruir e digitalizar o caderno perdido, que foi carregado por uma equipe que partiu da fracassada expedição de Terra Nova de Robert Falcon Scott.”

A expedição de Robert Scott

A expedição de Robert Scott se dividiu em dois grupos ao chegar à Antártica. O explorador atingiu o Polo Sul no dia 17 de janeiro de 1912. Scott e seus companheiros morreram pouco depois, de frio e fome.

imagem de membros da expedição Terra Nova e um pônei na Antártica
Os membros da expedição dão uísque a um pônei que nadou em terra depois de ficar preso em um bloco de gelo no McMurdo Sound em 8 de fevereiro de 1911. NT.

Levick estava no outro grupo que viajou ao longo da costa para realizar observações científicas. Ele ficou retido no campo base por causa do gelo. Os seis homens deste grupo conseguiram sobreviver ao inverno antártico comendo o que encontravam, incluindo pinguins e focas.

imagem de pesquisador da expedição Terra Nova, de Scott, à Antártica
O tenente Henry Rennick usa um instrumento chamado horizonte artificial para fazer leituras do horizonte natural da Terra em 9 de fevereiro de 1911. Image, National Geographic.

A marcha para o sul

Começou em 1 de novembro de 1911. Havia de tudo. Pôneis, trenós motorizados que não funcionaram, e até cachorros. Em 19 de janeiro Scott escreveu em seu diário, posteriormente achado: “Receio que a viagem de regresso vá ser extremamente cansativa e monótona”. Foi bem mais que monótona, foi uma tortura que acabou muito mal para os ingleses. Em 12 de novembro os corpos de Scott e seus homens foram achados, assim como o diário do capitão. O seu último acampamento serviu de sepultura; por cima da tenda foi colocado um monte de neve e uma cruz.

imagem de Lawrence Oates, Henry Bowers, Robert Scott, Edward Wilson e Edgar Evans
Maltratado e congelado, Lawrence Oates, Henry Bowers, Robert Scott, Edward Wilson e Edgar Evans (da esquerda para a direita) posam para um retrato no Polo Sul em 17 de janeiro de 1912. NT.

Uísque da expedição de Ernest Shackleton (1907-08)

A instituição neozelandesa também encontrou garrafas cheias de uísque da expedição de Ernest Shackleton (1907-08). E negativos perdidos de sua incursão no Mar de Ross (1914-17).

Uma destilaria escocesa analisou o whisky de Shackleton e ficou surpresa com sua delicadeza, recriando a bebida para uma edição limitada de 50.000 garrafas, ao preço de 100 libras (160 dólares) cada.

Após sobreviver à Antártica, George Levick participou da sangrenta batalha de Galípoli, durante a I Guerra Mundial, e trabalhou para a Inteligência militar britânica na II Guerra Mundial. O expedicionário morreu em 1956.

Revelações do diário sobre o comportamento sexual dos pinguins

De acordo com a BBC, algumas páginas do diário não foram publicadas inicialmente. Nelas, George Levick “comentou sobre a frequência de atividade sexual, comportamento autoerótico, e comportamento aparentemente aberrante de jovens do sexo masculino e feminino não pareados, incluindo necrofilia, coerção sexual, abuso sexual e físico de filhotes, sexo não procriativo e comportamento homossexual. Suas observações foram, no entanto, precisas, válidas e, com o benefício de uma retrospectiva, merecedoras de publicação.”

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