A greve do Ibama e ICMBio, e a falta de sensibilidade do governo

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A greve do Ibama e ICMBio, e a falta de sensibilidade do governo

No início do segundo ano de Lula, servidores do Ibama e ICMBio entraram em greve, reclamando ‘falta de ação e suporte efetivo’. Eles têm razão. O Ministério do Meio Ambiente e o da Cultura sempre foram os últimos da fila na divisão do orçamento federal. Além disso, o governo anterior quase asfixiou esses órgãos. Esperava-se mais atenção de um governo eleito com promessas de liderança em questões ambientais. Se a biodiversidade é o maior ativo do Brasil, então o órgão responsável deveria receber mais atenção, especialmente após quatro anos de negligência. No entanto, isso não aconteceu. Lula falou mais do que agiu, apesar dos funcionários terem reduzido significativamente o desmatamento da Amazônia no primeiro ano de seu governo (embora tenha crescido no Cerrado). Eles mereciam reconhecimento por isso.

servidores do Ibama
Imagem, @Vinícius Mendonça/Ibama.

‘A perseguição ao longo do governo anterior’

As atividades do Ibama foram interrompidas em 1º de janeiro, quatro dias depois, em 5 de janeiro, eles receberam a adesão dos funcionários do ICMBio. Antes disso, em 30 de dezembro, os servidores mandaram um ofício ao presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. No documento, eles afirmam que a paralisação é uma resposta direta à falta de ação e suporte efetivo aos servidores e às missões críticas que desempenham. Eles veem essa medida como uma luta pela valorização e respeito ao servidor público da área ambiental. Ambos prometeram manter apenas as atividades burocráticas essenciais.

“Esta suspensão de atividades externas certamente terá impactos significativos na preservação do meio ambiente e atribuímos isso aos dez anos de total abandono da carreira do serviço público que mais sofreu assédio e perseguição ao longo do governo anterior e que ainda não foi devidamente acolhida e valorizada pelo atual. O fato é que, sem as condições adequadas e o reconhecimento devido aos nossos servidores, tornou-se impraticável prosseguir com as atividades normalmente.”

O descontentamento tornou-se público na última COP28, em Dubai, após a inação do governo que não se manifestou sobre as negociações da categoria com o Ministério de Gestão onde pedia melhorias no plano de carreira e nos efetivos de ambas as autarquias. Nesta mesma cúpula Lula foi destaque por mais uma vez ao garantir que o Brasil mudaria sua atitude em relação ao meio ambiente.

A falta de sensibilidade do ex-líder metalúrgico

É surpreendente a falta de sensibilidade de Lula, que construiu sua carreira política como líder sindical. É evidente que os servidores ficaram traumatizados após os desmandos de Bolsonaro, que ainda os insultava publicamente. Além disso, Lula está ciente de que a categoria reivindica há tempos melhores condições de trabalho. Não custava abrir o diálogo. O presidente da ASCEMA NACIONAL, Binho Zavaski, declarou à CNN que desde 2017 os servidores tentam estabelecer canais de negociação. No governo anterior, não havia mesa de negociação, devido ao conflito constante com os servidores federais, e os da área ambiental eram vistos como inimigos do governo.

Zavaski destacou que em maio de 2023, a ASCEMA NACIONAL atualizou suas demandas e as enviou ao Governo Federal em outubro. Desde então, eles aguardam um retorno do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e a definição de um calendário de negociações para uma contraproposta do governo.

Em 9 de janeiro, o site da ASCEMA NACIONAL publicou que, devido à falta de resposta do governo sobre a proposta de reestruturação da carreira enviada ao MGI, a associação apoia totalmente as manifestações dos servidores do Ibama e do ICMBio em suspender atividades de campo, entre outras medidas.

Contudo, a resposta do governo foi um ‘tapa na cara’. A primeira reunião para discussão foi marcada apenas para 01/02, ignorando os impactos que essa demora pode ter na prestação de serviços essenciais para o Brasil.

Ressentimento e falta de quadros

O ressentimento dos funcionários é claro: eles afirmam que suas demandas são conhecidas pela gestão do poder Executivo há anos, e a carreira está defasada em comparação a outras áreas. Apesar disso, os servidores sempre estiveram comprometidos com sua missão, evitando ao máximo que “se passasse a boiada” nos últimos anos.

Para se ter uma ideia, hoje o Ibama tem 2.925 servidores, menos da metade (49,2%)  que já tiveram em passado recente. Como cuidar da imensidão das áreas florestais com uma defasagem desta monta?

Oportunidade perdida

Mesmo discordando das ideias de Lula, reconhecemos sua sensibilidade política. No entanto, depois dos seguidos danos ambientais do governo anterior, Lula deixou de valorizar os agentes ambientais, justamente no momento em que o mundo nos olha com esperança. Era preciso mais um abacaxi destes nesta hora?

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Comentários

2 COMENTÁRIOS

  1. Priorização significa alocação de recursos (Humanos e financeiros). Discurso pra fora do Brasil e arrocho pra quem carrega o piano em campo é incoerência….

  2. Este Governo do Lula está demonstrando que durante a companha fez um discurso pró meio ambiente e agora mostra a sua cara querendo quebrar a atividade ambiental de vez no Brasil!! Desta forma o Governo vai perder muito apoio da sociedade!!!

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