Tubarões de recifes estão em grande declínio

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Tubarões de recifes estão em grande declínio em todo o mundo

Eles são mais que simples peixes, são predadores do topo da cadeia alimentar. Como tal, têm funções extremamente importantes nos oceanos. Mas a pesca indiscriminada, a poluição, e a acidificação dos oceanos, estão dando cabo deles. Tubarões de recifes estão em grande declínio, é o comentário de hoje.

imagem de tubarões de recifes
Imagem, Andy Mann.

Tubarões de recifes estão em grande declínio no mundo

Uma pesquisa de julho de 2020, publicada na Nature, e parte do Global FinPrint Project, tida como a maior  do gênero constatou a ausência de tubarões que vivem perto de recifes de coral. Foram analisados 371 recifes em 58 países, do Pacífico Central às Bahamas. A descoberta? Cerca de 20% eram desprovidos de tubarões.

Fósseis vivos

Já dissemos que ‘são mais que simples peixes’, eis os motivos. Para começar, ao contrário da maioria, eles não têm ossos na formação de seus esqueletos, mas cartilagem. São ‘primos’ das arraias, e estão no planeta há pelo menos 300 milhões de anos, segundo a Britânica, antes ainda da extinção dos dinossauros, o que prova sua incrível capacidade de adaptação.

Existem mais de 400 espécies, algumas descobertas recentemente, como os tubarões que andam, o que demonstra o quão pouco conhecemos sobre a vida marinha e os oceanos em geral. A ignorância é tamanha que no Brasil ainda há quem acredite que cação é um tipo de peixe, tubarão, outro. Ledo engano. Tubarão é sinônimo de cação, ou vice-versa.

A hidrodinâmica

Graças ao corpo em forma de míssil, o peixe tem ótima hidrodinâmica. É capaz de nadar a 40 km/h. A hidrodinâmica é potencializada pela anatomia da cartilagem, semelhante às superfícies ranhuradas longitudinais, o que lhes dá no mínimo 8% de redução do atrito.

O impulso é gerado não apenas pela barbatana caudal, mas também pelo uso de barbatanas peitorais e anais, cuja contribuição depende da morfologia e dos movimentos de natação do peixe. Essas barbatanas também atuam como estabilizadores de rotação e inclinação dos peixes. Ele é tão perfeito que, segundo pesquisa da NASA, ‘o estudo dos fluxos em torno das barbatanas oscilantes contribuirá para o projeto de propulsores bioinspirados para veículos marítimos’.

Predadores de topo de cadeia, tubarões são responsáveis pela manutenção do equilíbrio no ecossistema marinho. Eles se alimentam de peixes e invertebrados que estão menos aptos à sobrevivência, garantindo a saúde dos estoques pesqueiros de todo o mundo.

Tubarões de recifes estão em grande declínio

Alguns dos recifes com o número de tubarões mais esgotados estavam mais próximos das populações humanas, como Catar, República Dominicana, Colômbia, Sri Lanka e Guam, Antilhas Francesas, Quênia, Vietnã, e Antilhas Holandesas, informa a National Geographic. Nós, sempre nós…

Os pesquisadores colocaram mais de 15.000 armadilhas fotográficas com iscas. Os instantâneos  fornecidos revelaram que espécies como tubarões de recife cinza, tubarões de recife preto e tubarões de recife caribenhos geralmente desapareciam nos recifes de corais onde historicamente viveram.

Enric Sala, que fundou a Pristine Seas em 2008 para conservar os oceanos, declarou: “Tendo mergulhado em centenas de lugares ao redor do mundo, dos primitivos aos degradados, não foi surpresa que um quinto dos recifes pesquisados ​​não tivesse tubarões”.

E mesmo em lugares onde os tubarões de recife ainda podem ser encontrados, acrescenta Sala, seus números foram tão reduzidos que não estão mais desempenhando os mesmos papéis ecológicos que os predadores.

Os motivos do sumiço dos cações

Dois terços das espécies de tubarões do mundo estão ameaçadas pela sobrepesca. Isso acontece para atender à demanda (asiática) de carne e barbatanas de tubarão (por ano entre 70 e 100 milhões são mortos por isso). Enquanto as redes de arrasto e equipamentos de pesca como o espinhel que capturam acidentalmente os tubarões também diminuíram bastante seu número.

Os pontos de esperança, a única solução à vista

‘Pontos de esperança’ são como batizou as áreas marinhas protegidas a cientista referência em assunto do mar, Sylvia Earle. Áreas de proteção integral, bem entendido, aquelas em que a pesca é terminantemente proibida. São locais para a reprodução das espécies, que depois, já adultos, abandonam os berçários e povoam o resto dos oceanos.

Enric Sala, outro titã do ambientalismo internacional concorda.“A boa notícia é que, se protegermos totalmente as áreas da pesca, a vida marinha e os tubarões podem se recuperar. A proteção das águas ao redor de Cabo Pulmo, no México, por exemplo, restaurou comunidades subaquáticas ricas, completas com tubarões.”

Os dois não estão sozinhos. Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, e filantropo, que criou a Paul G. Alen Family Foundation, é mais um que corrobora a esperança dos dois citados. Para ele, “enquanto os resultados do Global FinPrint expuseram uma trágica perda de tubarões de muitos dos recifes do mundo, também nos mostra sinais de esperança. Os dados coletados da primeira pesquisa mundial de tubarões sobre recifes de coral podem guiar planos de conservação significativos e de longo prazo para proteger os tubarões de recife que permanecem”.

Imagem de abertura: Andy Mann

Fontes: https://escola.britannica.com.br/artigo/tubar%C3%A3o/482492; https://www.nationalgeographic.com/animals/2020/07/sharks-coral-reefs-decline-worldwide/?cmpid=org=ngp::mc=crm-email::src=ngp::cmp=editorial::add=Animals_20200723&rid=B71B4A33397786AAA2444AAD1304EA43; https://globalfinprint.org/; https://www.nationalgeographic.org/projects/pristine-seas/; https://pgafamilyfoundation.org/.

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