Em 2016, Barack Obama ampliou em mais de quatro vezes o Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea, criado por George W. Bush em 2006 e reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco em 2010. Com cerca de 1,5 milhão de km², área maior que o Alasca, tornou-se à época a maior reserva marinha do planeta.
Aspectos do Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea. Imagem, www.sanctuaries.noaa.gov.
Pouco depois, em outubro de 2016 foi criada a Área Marinha Protegida do Mar de Ross, na Antártica, com 1.55 milhões de Km2, portanto, a Reserva do Havaí passou a ser a segunda maior em extensão.
Papahanaumokuakea. (Mapa: National Geographic)
Biodiversidade marinha protegida: mais de 7 mil espécies
De acordo com a National Geographic, os montes submarinos e as ilhas submersas das águas profundas de Papahānaumokuākea abrigam mais de 7.000 espécies. Entre elas estão alguns dos animais mais antigos da Terra: corais negros com mais de 4.000 anos. Um quarto das criaturas marinhas do monumento não existe em nenhum outro lugar do planeta.
A biodiversidade dos montes submarinos também mobiliza pesquisadores no Brasil. Um grupo da UFPE defende a proteção dessas formações ao largo da Margem Equatorial, especialmente nos litorais do Ceará e do Rio Grande do Norte. São áreas profundas, pouco conhecidas e ricas em vida marinha, justamente por isso vulneráveis à pesca predatória, à mineração e à expansão do petróleo.
USA criam a maior reserva marinha da Terra: Sylvia Earle aplaude a iniciativa
Para Sylvia Earle, notória cientista engajada na causa da proteção aos oceanos:
com esta ação os Estados Unidos podem liderar o movimento pelas reservas marinhas, uma rede global de áreas marinhas protegidas, grandes o suficiente para salvar e restaurar a vida marinha. Não são um luxo–um lugar para ir e divertir-se. A resistência às mudanças climáticasdepende determos áreas significativas de proteção da biodiversidade. Isso é de vital importância para proteger o nosso sistema de suporte de vida.
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Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea. Imagem, www.sanctuaries.noaa.gov.
Agora, 26% do mar territorial norte-americano está protegido
No inicio de 2019 um grupo de renomados cientistas propôs a proteção de 30% dos oceanos globais até 2030 como forma de salvar o maior ecossistema do planeta. Logo depois, a High Ambition Coalition for Nature and People (Coalizão de Alta Ambição pela Natureza), lançada em 2019 pela Costa Rica, França e Grã-Bretanha, aceitou o desafio. Hoje o grupo conta com mais de 100 países. Apesar dos Estados Unidos não fazerem parte, Joe Biden se comprometeu com a meta 30×30, ou seja, a proteção de 30% dos mares e da parte terrestre do país
Áreas marinhas protegidas nos USA, exemplo para o mundo
Nem todas as 1.200 áreas marinhas protegidas são de proteção integral, aquelas em que é proibido qualquer tido de extração ou pesca. A expansão de Papahanaumokuakea aumenta as áreas de proteção integral de 3%, para 13%, um exemplo para o mundo.
A matéria da National Geographic lembra que, até agora, as grandes reservas marinhas de proteção integral ficam no Pacífico. No Atlântico, o desafio político pesa mais. A pesca em New England tem cerca de 400 anos de tradição, e qualquer proposta de proteção integral enfrenta resistência econômica, cultural e eleitoral.
Região pesqueira de New England. Imagem, www.bdoutdoors.com.
A indústria da pesca combateu a ampliação de Papahanaumokuakea. Segundo a National Geographic, a indústria pesqueira do Havaí combateu vigorosamente a ampliação da reserva, com anúncios na TV, vídeos no You Tube, lobbie no Congresso etc. O ponto a favor da decisão de Obama veio dos legisladores havaianos favoráveis a ampliação
A meta do 30%
Apesar dos Estados Unidos de antes do advento Donald Trump ter se aproximado da meta de proteção, o primeiro país a atingir a meta nos mares foi a Colômbia, em 2022.
Se não conseguiram suportar o lobby contra a proteção no Atlântico, ao menos os presidentes anteriores a Trump avançaram no Pacífico. Ilustração, NOAA.
Enquanto isso, no âmbito da ONU, o tratado de proteção do alto-mar acumulou fracassos durante anos. Só em 2025, depois de longas negociações, a maioria dos países-membros finalmente aceitou o acordo
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