Tráfico de animais silvestres, redes sociais e o Facebook
Tráfico de animais silvestres custa caro à biodiversidade brasileira
Todos os anos, traficantes retiram cerca de 38 milhões de animais de nossas florestas. A maioria morre no caminho. Apenas 10% chegam vivos ao destino final.
No Brasil, o tráfico de animais silvestres e de plantas também atinge espécies emblemáticas. O pau-brasil segue na mira de quadrilhas que abastecem a fabricação de arcos de violino no exterior.
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Outro alvo frequente é a jararaca-ilhoa, cobra endêmica da Ilha da Queimada Grande e criticamente ameaçada de extinção. O tráfico de animais silvestres coloca essa espécie única ainda mais perto do desaparecimento.
O tráfico de animais silvestres empobrece ecossistemas, rompe cadeias alimentares e acelera a perda de espécies. Cada indivíduo capturado deixa um vazio na natureza.
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Governo reverte a decisão sobre a pesca do tubarão-azulMortandade de milhões de salmões põe em xeque aquiculturaVisão diferente e menos assustadora dos tubarões brancosE ainda há quem trate esse crime como algo menor. Surpreendente, não é?
Pedro Henrique está preso. Ele teve o braço necrosado e enfrenta acusações de tráfico. Mas há mais. O site www.souecologico.com informa que mais de 700 animais foram resgatados no Rio de Janeiro. Entre eles, gambás, cobras, micos, capivaras, jacarés, pinguins e aves variadas.
Esses resgates acontecem porque algumas pessoas gostam de ter animais exóticos. Acham isso uma forma de se destacarem.

O Facebook e o tráfico
Matéria da Folha de S. Paulo revelou que o tráfico de animais silvestres se vale da tecnologia. Segundo o Ibama, o Facebook virou a maior feira ilegal de animais no país. O órgão afirma não contar com apoio efetivo da plataforma para coibir a prática e, em 2015, chegou a enviar ofício à direção da rede antissocial.
Dener Giovanini, da RENCTAS, declarou ao sputniknews.com: “O Brasil tem ocupado cada vez mais uma posição de destaque nesse cenário internacional como país importador. Isso se deve muito à migração do tráfico de animais silvestres para as redes sociais. As redes sociais hoje se tornaram o principal meio dos traficantes.”
Não é apenas no Brasil que a plataforma atua como facilitadora. Em 2022, o The Guardian publicou a reportagem “Wildlife trafficking thrives on Facebook despite promises to tackle illegal trade” (O tráfico de vida selvagem prospera no Facebook apesar da promessa de combater o comércio ilegal).
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O jornal mostrou que, apesar das promessas de combate ao comércio ilegal, a rede mantinha páginas como “Wildlife Trade, Pangolin Scales and Rhino Horn”, onde usuários anunciavam animais e derivados.
Quase 1/5 das espécies são alvos do tráfico de animais silvestres
Um novo estudo liderado pelo ecólogo brasileiro Brunno Oliveira, da Universidade da Flórida, acende o alerta. Segundo ele, muitas espécies com status grave de ameaça de extinção estão entre as mais procuradas por traficantes.
A pesquisa analisou mais de 30 mil espécies de vertebrados terrestres. Incluiu aves, mamíferos, répteis e anfíbios. O resultado preocupa. Quase um quinto dessas espécies, 18%, sofre com o tráfico de animais silvestres.
Ou seja, o tráfico de animais silvestres não atinge apenas populações abundantes. Ele pressiona justamente as espécies mais vulneráveis. E empurra muitas delas para mais perto da extinção.
O Brasil e o novo estudo sobre tráfico de animais silvestres
Nós identificamos 46 espécies de Tangará com nossos modelos como tendo alta probabilidade de serem comercializados no futuro. Atualmente essas espécies não são listadas nos apêndices da Cites nem ameaçadas segundo a IUCN. E todos esses pássaros ocorrem no bioma Mata Atlântica.
Tráfico de animais silvestres: ameaça maior do que se imaginava para a biodiversidade global
O Globo: “Segundo os pesquisadores, o cruzamento de dados das duas instituições indica que o problema do tráfico de animais silvestres é uma ameaça maior do que se imaginava para a biodiversidade global, já prejudicada com a perda de habitat de muitas espécies. Os dados do novo estudo, dizem os pesquisadores, são ferramentas para que autoridades de proteção ambiental possam proteger espécies mais alvejadas antes de estas entrarem à beira da extinção.”
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“Crimes e infrações contra o meio ambiente na rede social Facebook”
Segundo o documento, em 2014 houve 60 denúncias, que saltaram para 170 em 2015. O Ibama diz que 95% das denúncias de crimes ambientais pela rede estavam relacionadas ao Facebook.
Para minimizar o problema, o Ibama solicitou que um representante fosse à Brasília a fim de tratar de estratégias para o combate de ilícitos ocorridos na rede social. Mas o…
Facebook ignora pedido do Ibama contra tráfico de animais silvestres
Ibama tenta nova conversa com o Facebook
“O Ibama tentou novamente uma conversa com o Facebook, desta vez apelando à Embaixada dos Estados Unidos. A empresa enviou representante mas não alterou substancialmente sua política. Na reunião, argumentou sobre risco de invasão de privacidade dos usuários da rede.”
Roberto Cabral Lopes, coordenador de operações do Ibama declarou…
Tentamos abrir um diálogo, mas tem sido difícil. O que precisamos é de um procedimento ativo do Facebook na prevenção. Se ele consegue identificar a foto de uma pessoa pelo rosto, não consegue identificar um pássaro ou um réptil que está sendo vendido ilegalmente?
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Tráfico de animais silvestres, terceira maior atividade ilícita do mundo
Não passa uma semana sem que a imprensa noticie o tráfico de drogas. O problema atinge o mundo inteiro. De tempos em tempos, as guerras mudam de escala e o tráfico de armas volta ao noticiário. Outro drama global. Mas quase não falamos do tráfico de animais silvestres. E o Brasil ocupa posição vergonhosa: responde por cerca de 15% desse mercado ilegal.

Quanto movimenta no mundo o tráfico de animais silvestres?
Departamento de Estado dos EUA: US$ 10 bilhões por ano!
Estimativa da RENCTAS
A RENCTAS, uma bela ONG nacional, estima o valor entre “10 a 20 bilhões de dólares.”
Vamos pegar o meio termo, e considerar apenas US$ 10 bilhões de dólares. Se o Brasil representa de 10%, a 15% deste mercado, nossa fatia representa US$ 1,5 bilhão ao ano. Isso é o que valeriam cerca de 12 milhões de animais selvagens (você lerá abaixo). Mais que muitos segmentos da economia.
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas
“Desde 1973, a compra e venda de vida selvagem foi regulamentada pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES). O objetivo é impedir que o comércio ameace a sobrevivência de 5.000 animais e 28.000 espécies de plantas. A aplicação da CITES recai em países individuais, muitos impõem regulamentos adicionais sobre comércio de vida selvagem.”
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Segundo o Smithsonian Magazine, a Lei de Conservação de Aves Selvagens de 1992 proibiu a importação da maioria das aves capturadas. Em 2007, a União Europeia proibiu a importação de todas as aves selvagens. O Equador e quase todos os outros países da América do Sul proíbem a captura comercial e exportação de papagaios selvagens capturados.
Brasil, Equador e América Latina
Encontrar dados precisos sobre o comércio ilegal de animais é um desafio. O Brasil, entre os países latino-americanos, possui as informações mais detalhadas. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) do Brasil estima que pelo menos 12 milhões de animais selvagens são caçados anualmente no país.
Quais tipos de animais?
“O que é mais notável neste comércio é a variedade de espécies. Aves – papagaios, araras e aves canoras – estão entre os mais traficados. Répteis, incluindo iguanas e cobras são populares no comércio de animais de estimação.”

Tráfico de animais silvestres; como são levados?
Para o News Mongabay, “Animais arrancados de seu habitat sofrem. São contrabandeados em garrafas térmicas e meias de nylon, enfiados em tubos de papel higiênico, rolos de cabelo e calotas.
Dê vodka e coloque no bolso
Em um mercado no Equador, ofereceram um periquito. Perguntei como colocaria em um avião. “Dê vodka e coloque no bolso”, disse ele. “Ficará quieto.” Conservacionistas dizem que a maioria dos animais capturados morre antes de chegar a um comprador. No noroeste da Guiana, vi 25 araras azuis e amarelas – certamente contrabandeadas da Venezuela – transportadas da selva em pequenas jaulas lotadas.”
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Um mercado em Belém
“Quando observei um vulto policial em um mercado em Belém, uma das 38 aves confiscadas era uma coruja em uma caixa de papelão escondida sob mobília no fundo da banca do mercado. Em um centro de resgate em frente a Quito, vi uma tartaruga com dois buracos de bala na carapaça. Seus donos a usaram para a prática de tiro ao alvo. Noventa por cento dos animais morrem em trânsito.”
Para onde vão os animais traficados?
De acordo com o Smithsonian Magazine, “Animais roubados na América Latina geralmente acabam nos Estados Unidos, Europa ou Japão. Muitos nunca deixam seus países nativos, instalados em hotéis e restaurantes, tornam-se animais domésticos.”
“Na América Latina, manter os animais – papagaios, macacos e tartarugas – é tradição. Em partes do Brasil, animais silvestres domesticados são chamados xerimbabos, significa “algo amado”. Em pesquisas recentes, 30% dos brasileiros e 25% dos costarriquenhos disseram que mantiveram animais selvagens como ‘de’ estimação.”
Tráfico no Brasil
Sobre o tráfico no Brasil diz a RENCTAS, “Há quadrilhas organizadas e especializadas no tráfico de animais que são bem estruturadas para a venda ilegal. Cerca de 70% do comércio é para o consumo interno, o restante, exportado.”
Quem fica com eles?
Segundo o News Mongabay: “as aves estão entre os animais mais numerosos encontrados no mercado negro da América Latina. No Brasil, cerca de 80% são aves. Os principais alvos são os psitaciformes (papagaios e araras), coletados por sua plumagem colorida. E os passeriformes (pássaros empoleirados), escolhidos por seu canto exótico. Embora haja mercado para penas de aves e outras partes de aves, a maioria do comércio ilegal é para animais vivos de estimação.”
Para a RENCTAS, o tráfico nacional é direcionado para…
Animais para zoológicos e colecionadores particulares; para fins científicos; e para comercialização internacional em “pet shops”
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E os animais marinhos ou aquáticos traficados, quais são?
Traffic.org: “Em 2009, o TRAFFIC chamou a atenção para os riscos impostos aos tubarões de permitir a pesca em águas profundas nas águas regidas pela Organização Regional de Gestão das Pescas do Pacífico Sul (SPRFMO). O uso de tais técnicas foi posteriormente banido.”
Tubarões
Alemanha, Japão, Holanda e Inglaterra e seu papel no tráfico de animais silvestres
Alemanha, Japão, Holanda e Inglaterra são os grandes importadores dos 350 milhões de peixes ornamentais comercializados (95% dos peixes de aquário são provenientes de água doce) anualmente em todo o mundo.
É estimado que o mercado para peixes de aquário movimente US$ 600 milhões; e ainda cresce cerca de 10% a 15% anualmente. Os países da Ásia são os principais abastecedores, com destaque para Singapura, que exporta mais de 150 milhões de espécimes por ano. O restante vem da América Latina, particularmente Brasil, Colômbia, Peru e Jamaica. E uma pequena porção da África- Fitzgerald, 1989 (http://www.renctas.org.br).
Cartéis da droga do México e o tráfico de animais silvestres
Do mesmo site: “Os cartéis de drogas mexicanos estão profundamente envolvidos no mercado ilegal de totoaba, no tráfico de peixes ameaçados de extinção no Golfo da Califórnia ou no Mar de Cortez, entre a Península de Baja e o continente do México.
A totoaba, peixe cuja captura o México proíbe, alcança alto valor por causa da bexiga natatória. Comerciantes usam essa parte para preparar sopa. No mercado asiático, vendedores cobram entre US$ 10 mil e US$ 20 mil por um único exemplar da espécie.
O Mar Sem Fim informa: o mesmo acontece no Pará, com a pescada amarela, e devido ao mesmo motivo, bexigas natatórias!
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A quem está ligado o tráfico de animais silvestres?
“O comércio ilegal de animais silvestres está ligado a outros tipos de atividades ilegais, tais como drogas, armas, álcool e pedras preciosas. Na América do Sul, cartéis de drogas têm grande envolvimento com o comércio ilegal de fauna silvestre.”
“Muitas vezes se utilizam da fauna para transportarem seus produtos. São encontradas drogas dentro de animais vivos ou em suas peles (Toufexis, 1993; Le Duc, 1996; Polícia Federal Brasileira, dt. ind.). Vários registros ao redor do mundo confirmam essa ligação ( http://www.renctas.org.br).”
Consequências do tráfico
Quando comercializam animais ilegalmente, eles não passam por controle sanitário. Isso pode resultar na transmissão de doenças graves e desconhecidas, tanto para criações domésticas quanto para humanos. Essa prática traz sérias consequências sanitárias para o país importador. Um exemplo disso é a pandemia do novo coronavirus.
Economia: O comércio ilegal de animais silvestres pode ser economicamente devastador. Movimenta quantia incalculável na economia ilegal do país, sem deixar parcela alguma para os cofres públicos.
Ecologia: A ação antrópica tem acelerado o processo de extinção levando as espécies ao extermínio. Após a perda do habitat, a principal ameaça à fauna silvestre é a caça, seja para subsistência ou comércio (Ávila-Pires, 1972; Coimbra-Filho, 1972; Sick e Teixeira, 1979; Redford, 1992; Aveline e Costa, 1993; IBGE, 1997; Cullen Jr. et al., 2000).
Imagem de abertura: Wikipédia
Post original de outubro de 2019, atualizado.
https://www.worldwildlife.org/; https://oglobo.globo.com/sociedade/trafico-de-animais-silvestres-afeta-18-das-especies-de-aves-mamiferos-repteis-anfibios-23993040?fbclid=IwAR2k5JakEo3-mMMUCBAnQD9RXS5ZzFsXGQzCMEP3GQwV9YheB_L1WpBlaVI; https://br.sputniknews.com/opiniao/2020072415862746-trafico-internacional-de-animais-silvestres-muito-alem-da-naja-de-brasilia/?fbclid=IwAR2jYr-Dt0DOjp3uqqWL82azBbPMDw8OWa1b_DUcn9KFwni-wLFAmU3j64o; http://www.souecologico.com/sou-ecologico/patrulha-ambiental-resgata-mais-de-700-animais-silvestres-no-rio/?fbclid=IwAR1tkk53W8Xt_ekivPXAzqgx9c-B5OSaiPFeRUcZt7ajFkmroh-CvtOa-n0#.XyGdtvA3onY.facebook.











Moro no Estado de Sergipe. Há uns 20 anos atrás era possível ver passarinhos livres na natureza em quantidade. Além do tráfico, que também utiliza a OLX, o emprego de herbicidas nas plantações de milho e cana de açúcar, que atinge também as sementes de capim aliado a destruição da caatinga e mata Atlântico, simplesmente, extinguiram várias espécies de pequenos pássaros, principalmente, os que alimentam de sementes. Outro fato observado por aqui, está na falta de uma política educacional, principalmente, nas escolas do interior do estado, locais onde ocorrem as capturas e que podem ser importantíssimo, para estancar esse holocausto com a nossa fauna e flora. Este problema precisa ser levado a sério, com Urgência.
Durante alguns anos (!) eu notei que em determinado dia e horário, no ônibus que eu pegava aqui em São Paulo tinha a companhia de uma pessoa que levava sacolas que muitos passarinhos. Fiz inúmeras denúncias aos mais diversos órgãos, PM, Ibama, Polícia Florestal, PF, MP, … Da 1a. vez no 190 mandaram uma viatura que chegou atrasada. Nos outros órgãos ninguém (!!!) quis saber de nada. Ouviam e mandavam procurar outro qualquer. Num determinado departamento o oficial me atendeu com a pior vontade possível e me despachou com deboche. Eu não sei se era tráfico ou não e não tomo esse ônibus nesse dia e horário há uns 3 anos, mas achei que deveria ser investigado.
As minhas únicas aves que tínhamos em casa eram “as penosas” que findo péríodo de 90 dias iam para o forno, mas durante em vida sempre as tratei com carinho em higiene, ambiente, água e rações.
Concordo plenamente ,com a crítica acima ,no ambiente doméstico os criadores comerciais e amadores porediam oferecer grande quantidade de animais e pássaros ao mercado interno e externo desde que tivessem paz para a multiplicação destes bichos que as pessoas adoram , gerar emprego recursos para livremente fazer o mercado funcionar
O ibama atrapalha o que se vê e o aumento de bichos trazidos de outros países e os nacionais desaparecendo pela ação de predadores naturais e pela redução do ambiente de habitat
Não tinham que tirar qualquer espécie selvagem de ser vivo do ambiente natural onde foram adaptados por séculos!
O IBAMA é o principal responsável pelo tráfico de animais. São tantas e absurdas as restrições criadas por esse órgão para a comercialização legal de um animal silvestre, que acaba fortalecendo o mercado ilegal. O comércio de peixes ornamentais no Brasil, que poderia ser uma potencial alternativa de renda para os mais desfavorecidos, passa por um rolo compressor de exigências e impostos do IBAMA, sem falar das multas surreais. Infelizmente o texto é sensacionalista e confuso, quando todos sabem que o maior causador da mortandade de animais silvestres são as nossas rodovias, mais de 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Diariamente, devem morrer mais de 1,3 milhões de animais e ao final de um ano, até 475 milhões de animais selvagens são atropelados no Brasil. Onde está o IBAMA?