Submarino nuclear russo testa torpedo Poseidon
O submarino nuclear voltou ao centro da disputa entre as grandes potências num cenário complicado onde a guerra da Ucrânia já dura mais do que a Primeira Guerra Mundial. Enquanto isso, a Europa acelera seu rearmamento diante da Rússia e da incerteza sobre o apoio dos Estados Unidos.

Cenário externo desafiador
Na Ásia, a China amplia sua Marinha, lança novos porta-aviões e fortalece posições no Mar do Sul da China. Ao mesmo tempo, transforma ilhas artificiais em pontos estratégicos e mantém Taiwan no centro de suas reivindicações territoriais.

Nos Estados Unidos, Donald Trump aposta em projetos militares polêmicos, que dividem especialistas e analistas de defesa, como a “frota dourada” e os navios de guerra nucleares. Ao mesmo tempo, mostra-se impotente para encerrar a guerra contra o Irã, que pressiona a economia mundial e reforça a importância de passagens marítimas como o Estreito de Ormuz.

Além disso, Trump surpreende aliados ao ameaçar assumir o controle da Groenlândia pela força. A ilha ganhou ainda mais valor estratégico com a abertura gradual das rotas marítimas do Ártico, região ambientalmente frágil e cada vez mais disputada por Estados Unidos, Rússia e China.
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Formação do Oceano Atlântico há 117 milhões de anosObservação de baleias: o desafio de organizar o turismoFinning de tubarões: projeto combate barbárie e rótulo “cação”Interessante reconhecer que quase todos esses movimentos têm o mar como palco. É pelos oceanos que passam as grandes rotas do comércio. Por eles avançam também as frotas militares. Portanto, o maior ecossistema da Terra, essencial à vida e ao clima, voltou ao centro da geopolítica mundial.

É nesse cenário que surge o chamado “submarino do juízo final”. A Rússia levou ao mar o submarino nuclear Khabarovsk, projetado para lançar o Poseidon — um drone submarino autônomo, movido a energia nuclear, capaz de percorrer milhares de quilômetros e transportar uma ogiva nuclear. A novidade pode alterar a guerra naval ao transformar o oceano em rota para um ataque nuclear de alcance intercontinental.
Khabarovsk: o submarino criado para lançar o Poseidon
O submarino nuclear Khabarovsk introduz uma novidade capaz de alterar a lógica da guerra naval moderna. Em vez de lançar mísseis balísticos, ele foi projetado para liberar o Poseidon, um drone submarino autônomo, movido a energia nuclear e capaz de transportar uma ogiva nuclear por milhares de quilômetros.
O Rubin Central Design Bureau projetou o Khabarovsk. Segundo o U.S. Naval Institute, o submarino aproveita tecnologias e soluções associadas aos submarinos nucleares da classe Borei, mas cumpre outra função.
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O programa revela uma escolha estratégica russa. Desde o fim da União Soviética, Moscou procura compensar limitações de suas forças convencionais com sistemas especializados. O Khabarovsk e o Poseidon fazem parte dessa lógica.
A grande diferença está na rota da arma. Os sistemas tradicionais de alerta e defesa antimíssil foram concebidos principalmente para detectar e enfrentar mísseis que atravessam a atmosfera. Já o Poseidon percorre seu caminho debaixo d’água. Segundo a OTAN, pode alcançar cerca de 10 mil quilômetros, chegar a 1.000 metros de profundidade e atingir velocidades próximas de 100 km/h.

Um novo problema para a defesa
Isso não torna inútil a defesa americana, mas cria outro problema militar. Em vez de radares e interceptadores antimísseis, os Estados Unidos precisam recorrer à guerra antissubmarino: submarinos de ataque, aviões de patrulha, sensores acústicos e redes de vigilância submarina.

O Poseidon também não substitui o arsenal nuclear tradicional da Rússia. Moscou já tem submarinos da classe Borei com mísseis balísticos e ICBMs terrestres capazes de atingir os Estados Unidos. O Khabarovsk acrescenta uma rota alternativa de segundo ataque, muito diferente das existentes. O U.S. Naval Institute descreve o sistema como uma tentativa russa de criar uma capacidade de retaliação menos vulnerável às defesas contra mísseis balísticos.
Além disso, a Rússia pretende colocar Poseidon tanto na Frota do Norte quanto na Frota do Pacífico. O U.S. Naval Institute revela que Moscou planeja pelo menos 30 unidades distribuídas entre quatro submarinos, dois em cada frota. Isso leva a nova ameaça ao cenário estratégico do Pacífico, onde estão Havaí, a costa oeste dos Estados Unidos e importantes bases americanas e aliadas.
Poseidon: o drone submarino nuclear
Segundo o U.S. Naval Institute, o Poseidon pode alcançar cerca de 70 nós, operar a profundidades próximas de 900 metros e percorrer mais de 5 mil milhas náuticas. Movido por um pequeno reator nuclear, ele pode navegar de forma autônoma durante dias até alcançar a região do alvo.
Por isso, analistas do U.S. Naval Institute e da OTAN o classificam como uma arma de segundo ataque ou retaliação. Ou seja, não substitui os ICBMs russos; acrescenta uma nova forma de garantir a resposta nuclear depois de um eventual primeiro ataque inimigo.
Segundo o U.S. Naval Institute, a Rússia concebeu o Poseidon para atingir portos, infraestrutura e centros populacionais costeiros. A publicação também cita grupos de porta-aviões entre os possíveis alvos desse tipo de arma. Além da explosão nuclear, um ataque poderia provocar forte contaminação radioativa na região atingida.
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