SailGP no Rio: Brasil na raia de regatas com o coração na mão
Neste fim de semana, 11 e 12 de abril, você poderá se emocionar com a participação brasileira no SailGP no Rio, a mais impressionante regata de máquinas à vela da atualidade. A etapa do Rio terá transmissão ao vivo por Sportv, BandSports e Globoplay. Na tela, o público verá um espetáculo de velocidade, tecnologia de última geração e ousadia. O Brasil entra na raia sob o comando da única capitã de um dos 13 times, com suas ‘máquinas voadras’, Martine Grael.

A vela brasileira brilhou por décadas nas Olimpíadas, mas raramente ocupou espaço no imaginário popular, ou teve o respaldo da mídia. A SailGP pode mudar isso. O Brasil tem tradição de sobra no esporte, com nomes como Torben Grael, Lars Grael, Robert Scheidt entre outros.

Em Pequim (2008), o Brasil conquistou sua primeira medalha na vela feminina. Fernanda Oliveira e Isabel Swan faturaram o bronze na classe 470.
Mas a nova liga conseguiu algo raro: transformar a vela de elite num espetáculo veloz, compreensível e eletrizante até para quem nunca pisou num barco.
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Para entender a SailGP no Rio, vale um rápido recuo. A vela de competição surgiu no século 17, em águas britânicas, por incentivo do rei Carlos II. Em 1720 nasceu, na Irlanda, o Royal Cork Yacht Club, considerado o primeiro clube de vela do mundo. Em 1851, a Hundred Guineas Cup abriu o caminho da America’s Cup, até hoje a regata mais prestigiosa da vela internacional.
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A vela deveria ter estreado já na primeira Olimpíada da era moderna, em Atenas, em 1896, mas o mau tempo impediu as provas. A estreia só ocorreu em Paris, em 1900. Desde então, a modalidade virou um clássico dos Jogos. No Brasil, porém, há um paradoxo: embora quase não ocupe espaço no debate esportivo, a vela é o esporte que mais deu medalhas de ouro olímpicas ao país.

À frente do time brasileiro, e assombrando o mundo desde a vitória na etapa de Nova Iorque, está Martine Grael única mulher capitã da SailGP. Filha de Torben e sobrinha de Lars, ela carrega um sobrenome decisivo na história da vela brasileira. E não chega sozinha a esse enredo: foi campeã olímpica na Rio 2016 ao lado de Kahena Kunze, outra velejadora brasileira que também integra a SailGP em funções táticas.
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O SailGP nasceu quando seus criadores perceberam que a vela de elite precisava romper o isolamento em que vivia. A proposta era ambiciosa: transformar um esporte admirado, mas visto como distante e complexo, num espetáculo global de alta velocidade.
Por trás da ideia estavam o bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo, e Russell Coutts, lenda da vela internacional. Para isso, a nova liga apostou em regatas curtas, barcos idênticos, calendário internacional e uma transmissão capaz de tornar cada disputa inteligível ao grande público. Em resumo, a SailGP tentou fazer com a vela o que a Fórmula 1 fez com o automobilismo: unir técnica, rivalidade, imagem e emoção.

E conseguiu. Não tenha dúvida. Ver uma prova da SailGP é ficar diante da TV com a boca escancarada, como na imagem célebre de Raul Seixas. A cada arrancada e a cada disputa palmo a palmo, o espectador acompanha barcos que voam sobre o mar a mais de 100 quilômetros por hora.
SailGP no Rio e os barcos que voam sobre a água
Um dos segredos da SailGP está justamente nos barcos. Todos são catamarãs F50 rigorosamente iguais, o que reduz a vantagem do dinheiro e aumenta o peso do talento, da estratégia e da precisão da tripulação. Em vez de uma disputa desequilibrada entre projetos diferentes, a nova liga apostou num desenho único para que a vitória dependa menos do orçamento e mais da competência de quem está a bordo. É isso que torna a competição mais justa, mais apertada e, para o público, muito mais emocionante.

No plano técnico, os F50 estão muito além de um veleiro convencional. Equipados com hidrofólios, eles se erguem acima da superfície e praticamente voam sobre a água. Com isso, reduzem o arrasto e alcançam velocidades superiores a 100 quilômetros por hora, algo impensável até pouco tempo atrás. Somam-se a isso a vela de asa, os sistemas eletrônicos de controle e o fluxo contínuo de dados em tempo real, que ajudam a levar ao limite o desempenho de cada barco. Na SailGP no Rio, o espectador verá máquinas à vela que parecem pertencer mais ao futuro do que à tradição centenária de onde vieram.
A transmissão das regatas que mudou a forma de ver a vela
Se a SailGP cresceu tão depressa, boa parte do mérito está na transmissão. A liga entendeu que não bastava criar barcos velozes. Era preciso fazer o público entender, em tempo real, o que acontece em cada regata. Por isso, a cobertura usa recursos que tornam a disputa clara até para qualquer pessoa: gráficos, sobreposições, dados ao vivo, comparação de desempenho e imagens que ajudam a perceber quem acelerou, quem errou e quem encontrou o melhor vento.

O resultado é raro. Pela primeira vez, a vela de elite pode ser acompanhada da sala de casa com emoção equivalente, e até superior às vezes, à de outros grandes espetáculos esportivos. O espectador entende a posição de cada barco, percebe as ultrapassagens e passa a torcer quase de imediato. Na SailGP no Rio, isso será decisivo. Quem não estiver na raia na baía de Guanabara poderá acompanhar tudo pela TV e pelo streaming.
SailGP no Rio traz a elite internacional vela à Guanabara
Antes de comentar sobre o time brasileiro, convém olhar o tamanho do elenco que a SailGP no Rio reunirá. Serão 13 equipes nacionais na Baía de Guanabara, cada uma levando à raia alguns dos nomes mais respeitados da vela mundial.

Entre eles estão o australiano Tom Slingsby, tricampeão da liga e um dos pilotos mais temidos do circuito; o britânico Dylan Fletcher, que recolocou o Emirates GBR entre os protagonistas; o espanhol Diego Botín, líder de uma das equipes mais fortes da atualidade; o neozelandês Peter Burling, estrela dos Black Foils; e o americano Taylor Canfield, que ajudou a dar novo peso competitivo aos Estados Unidos.

A regata do Rio, portanto, não será apenas a estreia da competição no Brasil e na América do Sul. Será também um encontro de campeões olímpicos, veteranos da America’s Cup e pilotos acostumados a decidir provas no limite.
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A formação do time brasileiro
O time brasileiro nasceu em 2024, quando a Mubadala Capital comprou os direitos da franquia e colocou o Brasil, pela primeira vez, na elite mundial da SailGP. Braço de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi, a empresa já trata o Brasil como mercado estratégico e planeja ampliar fortemente sua presença no país. Foi nesse contexto que decidiu bancar a entrada brasileira na liga, criando o primeiro time sul-americano da competição.

Para a etapa do Rio, marcada para 11 e 12 de abril, a formação oficial do Brasil reúne a capitã brasileira Martine Grael, o britânico Leigh McMillan, responsável pela vela rígida, o neozelandês Andy Maloney, que controla os hidrofólios, os brasileiros Marco Grael e Mateus Isaac, ambos grinders, isto é, os tripulantes encarregados do esforço físico que alimenta os sistemas do barco, e o britânico Paul Goodison, estrategista da equipe. Breno Kneipp, também brasileiro, fica como reserva.

Se você gosta de esporte, dê uma chance a si mesmo. Assista às transmissões. As regatas da etapa do Rio começam às 15h, no sábado e no domingo, com transmissão no Brasil por Sportv, BandSports e Globoplay. No site oficial há mais informações desta etapa.
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