RPPN Salto Morato, exemplo a ser seguido

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RPPN Salto Morato, mantida pela Fundação O Boticário, um exemplo a ser seguido

RPPN Salto Morato: localizada em Guaraqueçaba, Norte do Paraná, a área foi adquirida pela Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza, com apoio financeiro da The Nature Conservancy, e logo reconhecida com RPPN federal. Aberta ao público em 1996, três anos depois foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. A área total é de 2.253 hectares de Mata Atlântica e sua biodiversidade  tem como uma de suas características a grande concentração de aves. Até hoje foram reconhecidas 325 espécies de aves, 36 de répteis, 60 espécies de anfíbios, 57 espécies de peixes e 646 espécies vegetais vasculares.

RPPN Salto Morato, imagem de um puma na RPPN Salto Morato
Pumas também são freqüentes em Salto Morato. Foto: Fundação O Boticário

A Reserva Natural Salto Morato dá apoio a pesquisas científicas, disponibilizando estruturas físicas e de pessoal, até o custeio de despesas com transporte, alimentação ou equipamentos de campo, dependendo do objetivo proposto por cada projeto.

Se o exemplo de O Boticário fosse seguido pelas dez maiores empresas brasileiras, teríamos assegurado a biodiversidade brasileira

O problema é que a maioria das empresas; dos hotéis que nos induzem a não usar toalhas novas para economizar água, àqueles se dizem ‘eco-isto’, ‘eco-aquilo’; dos maiores bancos que faturam cobrando juros escorchantes, e lucram de forma pornográfica; é que elas ficam no blá- blá-blá. Se dizem “verdes” , ou “sustentáveis”, na propaganda. E ficam  nisso: propaganda enganosa. Então, para ‘ajudar’ estes “verdes- de- meia-tigela”, registro aqui o que faz o Grupo O Boticário: ele dedica um por cento do faturamento, eu disse faturamento, não lucro, à Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Há 23 anos! Com isso mantém duas RPPNs (a outra é Reserva Natural Serra do Tombador, que fica no cerrado), e ainda tem um programa de financiamento de pesquisas ambientais. É um exemplo que deve ser seguido.

RPPN Salto Morato, imagem de uma samambaia-açu
Enormes Samambaias- açu

Hospedagem na RPPN Salto Morato

Fiquei hospedado um par de dias na reserva, tempo suficiente para conhecê-la. Fomos recebidos pela equipe que nos mostrou cada detalhe da espetacular região. Poucas vezes vi uma porção de Mata Atlântica tão bonita e bem cuidada. Salto Morato conta com uma equipe dedicada, formada por dois técnicos, cinco colaboradores de campo, duas zeladoras, estagiários e voluntários.

RPPN Salto Morato, imagem do Salto Morato
O Salto Morato

Os  cinco profissionais de campo vistoriam constantemente as trilhas e divisas da reserva, assegurando sua integridade. A cada manhã saíamos para uma das trilhas demarcadas. Elas não exigem grande preparo físico por parte dos visitantes. Uma trilha leve dá acesso ao famoso Salto Morato, com cerca de cem metros de altura, passando por um aquário natural onde é possível se refrescar em banhos numa água cristalina cercada de belíssima mata.

A outra trilha leva a mais um ponto notável da reserva: uma enorme figueira cujas raízes formaram um arco embaixo do qual corre um pequeno rio, cuja água escorre saltitando entre pedras, cenário típico dos rios de Mata Atlântica.

RPPN Salto Morato,
Turistas aproveitando a RPPN Salto Morato. Ao contrário de outras UCs federais marinhas, aqui eles são bem recebidos.

Transformando uma fazenda de búfalos na RPPN Salto Morato

Quando foi comprado, o espaço onde hoje existe  a RPPN era formado por três fazendas dedicadas à criação de búfalos. Por isto mesmo havia trechos completamente desmatados que deram lugar a pastos.

RPPN Salto Morato, imagdem de cachoeira na mata atlântica
Uma das muitas cachoeiras da RPPN Salto Morato

Ao proteger a área, a Fundação  permitiu a regeneração natural da floresta de modo rápido devido ao banco de sementes próximo, e à presença de dispersores como aves, morcegos, insetos, etc.

Moradores da comunidade de Morato confirmam a boa impressão

Durante os dias em que fiquei hospedado na reserva aproveitei o tempo livre para passear entre as casas da comunidade de Morato onde vivem cerca de 40 famílias. Entrevistei vários moradores para saber sua opinião antes, e depois, da chegada da reserva. Em geral o que se ouve é satisfação. A Reserva gera empregos entre o pessoal e não incomoda ou proíbe, já que é uma reserva particular aberta ao público. Os usos e costumes dos moradores do entorno não foram afetados. Ao contrário. Muitos reclamaram que, antes da reserva, no tempo das fazendas de búfalos, tinham constantes atritos já que os animais não respeitam cercas. Muitas vezes invadiam as roças acabando com qualquer plantação em razão do pisoteio.

Assista o vídeo e tire suas conclusões

Gostou? Então assista ao programa completo.

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